Abrace os Blogs:
Um estudo empírico sobre o processo de recepção em Weblogs

Carmela Toninelo


Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Centro de Ciências da Comunicação

Abrace os Blogs:
Um estudo empírico sobre
o processo de recepção em Weblogs

Autora: Carmela Toninelo

Monografia de Conclusão do Curso de Jornalismo

Orientador: Ms. Fabrício Silveira

São Leopoldo, 13 de junho de 2003.


RESUMO

A diferença inovadora dos estudos sobre comunicação no âmbito da Internet consiste na ultrapassagem dos esquemas funcionalistas que explicavam o processo comunicacional centrado apenas em observações. Neste trabalho buscamos estudar apenas um viés desses novos campos de experiência a partir de nossa análise sobre o processo de recepção em Weblogs. Através de um trabalho empírico dentro deste ambiente exploramos a natureza complexa do processo de recepção ao mapear aspectos como interpretação, sensibilidade e interação nesse processo. Partimos do pressuposto que os receptores propiciam a configuração de um mundo sensível, e que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel muito importante no estudo da recepção deste ambiente.


Abstract

The innovative different in communication studies when applied to the Internet consists in surpassing functionalist systems which described the communication process centered solely on observation. In this effort we seek to study only one channel/perspective of these new fields of experience through our analysis in the Weblog reception process. In working empirically within this environment we explore the complex nature of the process of reception by mapping aspects like interpretation, sensibility and interaction. We start by assuming that the receptors make the configuration of a sensitive world possible. Furthermore, we assume that elements like practice and human discernment perform a very important role in the study of reception in this environment.

 


hellojed


Agradecimentos

Foi porque um dia meu orientador me emprestou o livro errado que este trabalho nasceu. E eu me lembro que um dos primeiros conselhos que recebi quando comecei a escrever foi: "cuidado pra não abraçar o mundo com o TCC". Então eu resolvi abraçar os blogs trazendo o código para o coração, que é o que Gustavo Fischer diz ser o que eu faço de melhor  desde o primeiro minuto
que conversamos  sobre web e vida.

Muitas pessoas colaboraram para as idéias aqui presentes. Em especial, devo agradecer a todos os 'bloggers' que tão atenciosamente e prestativamente responderam minhas perguntas, e a Chuck Olsen a quem no final da pesquisa eu encontrei como um novo amigo.

Devo muito a agradecer também a cinco pessoas: meus pais pelo apoio e atenção, meu orientador, Fabrício Silveira por toda a paciência, reflexão e abraços, a Gustavo Fischer que tantas vezes cuidou de minhas angústias sendo um super conselheiro, e a Charles Di Pinto por ter me acompanhado nesta pesquisa durante dias e noites, sendo o companheiro de sempre para todas as horas.


Sumário

INTRODUÇÃO

1          blah blah blah blogs

1.1       Da etimologia à caracterização

2          quem mora na blogosfera

2.1       Cinco weblogs em estudo

3          uma biblioteca à blogosfera

3.1       Em busca da reflexão teórica

4          os vizinhos da Blogosfera

4.1       O percurso da investigação empírica

5          A (há) vida na blogosfera

5.1       A incorporação de referências à investigação empírica

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANEXOS

 


Introdução

Há algum tempo mudanças inquietam nossa sociedade. A potencialidade de alterações radicais em todos os níveis de nossas formas de viver e nos comunicar faz com que alguns antevejam uma era de ouro da humanidade – em que todos conectados se comunicarão com o mundo –, enquanto outros acreditam que passamos somente por um processo de imbecilização do mundo, nas quais as mudanças que sempre ocorreram naturalmente são agora vistas sob o escopo de revoluções mundiais.

Seja qual for o real posicionamento destas mudanças, uma coisa parece ser clara: o mundo como conhecemos passa por um processo de mutação. Os responsáveis por isto são os computadores, a linguagem digital e as novas tecnologias da comunicação e informação (NTICs), de transmissão de dados. Alguns autores falam em "Modo de Vida Digital", "Geração Digital", "N-Generation", "Sociedade sem Papel" e "Infoera". Estes são alguns dos títulos deste novo estilo de vida que se prenuncia.

O fato é que dúvidas existem, primeiro devido à velocidade das mudanças dos implementos técnicos, que antes levavam gerações para serem aperfeiçoados e agora mudam em questão de meses. De acordo com a Lei de Moore [1] , "a capacidade de processamento dos computadores dobra em média a cada 18 meses".

A revolução se encontra no ponto em que a linguagem digital permite que em uma mesma plataforma sejam transmitidas as mais variadas informações (textos, hipertextos, vídeos, sons, imagens). Isto, somado à presença universal dos computadores e da extensa rede de comunicação, que se estende pelo planeta, faz com que em poucos segundos tenhamos uma quantidade de informações jamais dantes sonhadas.

O resultado disto é que temos novas formas de nos comunicar; ou melhor, segundo o professor Jacques Vigneron, do Programa de Mestrado e Doutoramento em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), há mutações das formas tradicionais. Estes meios de comunicação híbridos permitem uma liberdade de ação que antes era impossível, e sendo assim temos formas diferentes (para não dizer novas) de interpretarmos, interagirmos com os outros e também de sentir.

Uma das maiores potencialidades da Internet é a capacidade de que cada indivíduo conectado a ela seja um transmissor de informação. Porém, isso acarreta em um grande problema: a qualidade e confiabilidade da informação nela disponibilizada.

Segundo John Downing (2002), os críticos da Internet afirmam que a informação que circula pela rede é muitas vezes incontável, transitória e tendenciosa. Os websites podem apresentar conteúdos subjetivos e tendem a mudar de endereço ou desaparecer por instabilidade organizacional, falta de recursos ou mudanças nos créditos autorais. Mas essa crítica, em vez de construtiva, priva os leitores da Internet do exercício de poder, pois, em primeiro lugar, supõe que eles não exercem o juízo crítico ao dar credibilidade às fontes ou avaliar as situações de diferentes pontos de vista.

A Internet não é produto de um espírito empreendedor, mas da pesquisa acadêmica, financiada pelo Estado. A Internet, praticamente desde o começo, mostrou uma combinação de características singulares: ela é produto do setor público; sua concepção foi rejeitada pelo setor de telefonia; ela foi construída seguindo um único padrão; ela é e sempre foi propriedade pública; não possui um comando central e é, predominantemente, americana. Embora a World Wide Web (Web) tenha começado a operar totalmente somente no início dos anos 90, ela tem sido o mais importante veículo isolado a combinar as virtudes idiossincráticas da Internet num meio novo e poderoso de comunicação.

Diante da perspectiva de uma análise cultural da Internet, alguns teóricos [2] observam que ‘essa rede global’ não foi criada a partir de um tratado que a obrigava a resolver, em um passe de mágica, todos os problemas culturais e sociais do planeta. Se isso ocorre é devido a superestima e idealização de ‘olhares humanos’ perante o espaço. Se a angústia e o fascínio parecem andar de mãos dadas por um tortuoso iniciar de século quando nos percebemos cercados de tanta maquinaria que resolve o domínio humano (FISCHER 2002, p. 3), seria inicialmente relevante à reflexão desse ‘andar de mãos dadas’ reconhecermos dois fatos, os quais foram mencionados por Pierre Lévy, em seu livro “Cibercultura”:

Em primeiro lugar, que o crescimento do ciberespaço [3] resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano. (Lévy 1997, p. 11).

Se esta pesquisa propõe-se a notar a angústia e o fascínio, é de forma a reconhecer o indivíduo autônomo, como um indivíduo receptor, alguém capaz de dar sua opinião sobre um assunto, formular suas idéias e discordar das outras pessoas. Num processo de interatividade que em geral ressalta a participação ativa do beneficiário na troca de informação, o personagem/tema desta pesquisa é aquele que decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso de muitas maneiras, e sempre de forma diferente de seu vizinho.

Vale ainda ressaltar que, em essência, o enfoque que daremos à Internet nesta pesquisa será o de mídia radical descrito por Downing como aquela que:

consiste na participação das pessoas na criação de formas interativas de comunicação que atuam como força de compensação para o fluxo unilateral que é o próprio da mídia comercial (Downing 2002, p. 275).

Diante da idéia de que a informação e os indivíduos são inevitavelmente, e sempre, partes integrantes de ricas redes sociais, e diante do papel da linguagem no comportamento humano, proponho-me a estudar um exemplo, de especificidade singular, de um modo de expressão que coloca em perspectiva discussões importantes dentro do tema da recepção. Partindo do ponto de vista de que dentro dele há uma lacuna quanto à dimensão de sensibilidade, a problematização proposta nesta pesquisa visará mapear o processo de recepção nos Weblogs, uma espécie híbrida de diário pessoal/guia de sites.

Ao explorar a natureza complexa do processo de recepção, pretendo mapear a trilha investigativa fazendo referência à interpretação, sensibilidade e interação desse processo.

O princípio desta trilha investigativa está na configuração do cenário a ser estudado, os Weblogs, apresentado no primeiro capítulo. O olhar que pretendo desenvolver deste objeto (do ponto de vista da recepção) será realizado a partir de um exercício/ensaio descritivo de cinco Weblogs, que serão apresentados e justificados no segundo capítulo. Neste ponto, também indicarei algumas tomadas de decisão do recorte dado ao objeto (quais Weblogs/autores foram estudados) e proponho-me apresentar ao leitor questões referentes à operacionalização da pesquisa, ou seja, de que forma obtive os dados concernentes à investigação proposta.

Mapeadas algumas questões referentes ao objeto Weblogs não apenas no âmbito de sua definição mas delineando alguns de seus pontos principais como autoria, estética, estruturação, atualização e formas de conteúdo;  somados à introdução dos cinco ‘personagens/autores’ do estudo, passaremos a apresentar o objeto em diálogo com algumas fontes teóricas em torno das questões do processo de recepção: interpretação, sensibilidade, interação.

Não prevendo um fim a este diálogo teórico, mas buscando aumentá-lo, partirei para o capítulo quatro com o objetivo de resgatar a atenção à problemática da recepção, compreendendo-a como uma questão empírica e justificando as escolhas metodológicas desta pesquisa. O que proponho no capítulo seguinte é tecer/transcrever entrevistas qualitativas de usuários/leitores dos Weblogs apresentados no primeiro momento do trabalho.

Apesar de todas as previsões de que a revolução da qual a Internet faz parte nos propiciaria um local isento de pessoas, repleto de máquinas e Dilberts [4] , o último capítulo desta pesquisa buscará revelar que as interações humanas, as conversas humanas e o significado humano ainda formam o coração pulsante da Web no momento em que proponho-me ao exercício de interpretação à luz dos elementos teóricos.

O último capítulo desta pesquisa é o da hipótese norteadora de assinalar que a recepção ocorre em um contexto social muitas vezes omitido, quando muito esquecido nos estudos sobre a Internet; que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel muito importante no estudo da recepção. Trata-se de uma busca ricamente humanística pelo contexto, interessada nas questões de interpretar, sentir e interagir no universo da Web, cenário onde os Weblogs estão inseridos.


1      blah blah blah blogs

We didn’t start the weblogs
No, we didn’t incite ‘em
But we’re trying to write ‘em

Nikolai Nolan sob Billy Joel na música
“We didn’t start the fire”

 

Chuck Olsen [5] é um americano residente de Twin Cities no estado de Minnesota. Chuck trabalha como produtor em Web para o canal de televisão “Twin Cities Public Television” e atualmente realiza um documentário independente sobre Blogs – “Blogumentary A Documentary About Blogs [6] ”.  Em 20 de maio de 2003, Chuck disponibilizou na Web, a primeira versão do trailer [7] de sua produção que pretende lançar no segundo semestre desse ano. Em sete minutos de vídeo, mostrando pequenos trechos ilustrativos sobre o será apresentado no material final, Chuck exibe algumas respostas capturadas à enquete feita por ele nas ruas de Nova Iorque. A pergunta era: “você sabe o que é um blog?”

1.1    Da etimologia à caracterização 

Há um debate constante quanto a definição de Weblogs. Tal como sociedade de bandos, cuja cultura não pode ser tocada porque não pode ser encontrada, a liberdade é intensificada para os que participam de tal projeto. André Lemos, em seu artigo “A arte da vida: diários pessoais e webcams na internet” sugere:

Ciberdiários, Webdiários ou Weblogs são práticas contemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem sobre suas vidas privadas, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da cultura contemporânea (Lemos 2002, p.1).

Ao sugerir isso, Lemos não apenas generaliza o conceito como também falha como pesquisador ao que observamos sua concepção apressada de igualar diários online e Weblogs. Assumir que o gênero com o qual se identificam se torna a melhor definição aplicada só ocorre diante da hipótese de que não existem dados que o contradigam. Essa empolgação com as novas possibilidades de representação socialmente responsável é o que faz com que a produção preceda a reflexão crítica sobre o objeto. Sobre essa questão Fischer afirma:

É preciso explicar a produção comunicacional presente na web denominada weblogs ou simplesmente blogs, cujo surgimento inicialmente estava atrelado a uma especificidade de construção, mas que com o crescimento de sua prática logo passou a receber apropriações outras que determinaram que sua estrutura – baseada em atualizações constantes – passasse a ser interpretada como uma forma de diarismo online. (Fischer 2002, p.71)

 

Segundo Blood (2002), o termo Weblog foi batizado por Jorn Barger [8] em dezembro de 1997, como resultado de um jargão derivado da união das palavras inglesas Web (rede) e log (registro).

Um weblog (por vezes chamado de blog ou página de notícias ou filtro) é uma página da internet na qual um weblogger (por vezes chamado de blogger, ou um pré-navegador [9] ), ‘registra’ [10] todas as outras páginas que ele acha interessante. (Barger 1999)

Inicialmente, de acordo com Blood, “Os primeiros weblogs eram sites com vários links [11] da Web. Cada um deles era uma mistura de links de proporção única, comentários, pensamentos pessoais e ensaios” (BLOOD, idem, p. 7). Eram ‘diários de navegação [12] ’ dispostos nesse estranho sistema em que a informação mais recente aparece antes (os weblogs lêem-se em regressão temporal). Ao fim do dia (ou mesmo durante o dia), os autores colocavam no seu weblog uma lista dos sites que visitaram durante esse período. Com a evolução, muitos autores começaram a colocar comentários aos ‘links’, passaram a destacar os artigos que podiam ser facilmente passados sem notar pelo usuário típico da Web, artigos de fontes menos conhecidas, além de terem passado a fornecer fatos adicionais, observações alternativas e pessoais.

Blood afirma que os primeiros weblogs eram “entusiastas da web” que geralmente apresentavam links para “cantos desconhecidos da web e notícias que valiam a pena serem mencionadas” (idem, p.9). Estes ‘entusiastas’ eram usuários da Internet que detinham o conhecimento de programação ou manuseavam bem HTML [13] (o que requeria conhecimentos técnicos ao nível da criação de websites, ou programação através de CMS [14] ).

Eram editores [15] na medida em que escolhiam sites e links que desejavam recomendar ou destacar através de suas próprias páginas, os weblogs. [...] Os editores dos weblogs participam na disseminação e na interpretação da notícia que nos alimenta a cada dia (p. 9)

Conforme o processo continuou e a quantidade de weblogs aumentou, a prática prerrogativa potencializou o gênero/categoria como forma de definição dos Weblogs. Segundo Blood isso passou a ocorrer a partir de julho de 1999 quando foram lançados vários serviços gratuitos que auxiliavam a qualquer um, até mesmo aqueles sem conhecimentos respeitantes à elaboração de websites, iniciar o seu próprio weblog. A mais importante ferramenta lançada, o Blogger [16] , é descrita por Blood como a fagulha para o que acabou vindo a se chamar blog , um “diário de formato curto”.

É esta relação do livre-formulário através de uma interface funcional combinada com a facilidade de utilização absoluta que se tem, que na minha opinião mais do que qualquer outro fator, estimulou a mudança do weblog de estilo ‘filtragem [17] ’ para o blog de estilo ‘diário’ (p. 10)

Ozawa, um dos fundadores do site Diarist.net [18] , concorda com Blood a respeito do que ele considera automação dos processos técnicos de produção de um weblog como razão central para a explosão de criação de weblogs na rede:

Não deveria ser surpresa, portanto, que as pessoas começassem a gostar de falar o que pensam e passassem a abandonar a função original dos weblogs, mas tirando vantagem das ferramentas dos weblogs como um fácil caminho para publicação online. (Ozawa 2001)

Simplificando a capacidade de publicar na Rede, os Weblogs tornaram-se verdadeiros espaços de exercício da Narrativa Comum [19] . De acordo com Hourihan (2003), co-fundadora da empresa Pyra [20] , “é inviável definir os weblogs baseados apenas na observação, e não na experiência.” A observação de Hourihan torna-se relevante ao pensarmos em como o ser humano é uma fonte inesgotável de sentimentos e impressões, que, ao jorrar, transforma mentes e corações, influenciando diretamente na transformação do mundo à sua volta tanto quanto em sua própria transformação. Exemplo disso é o relato de Blood quando de sua experiência perceptiva publicando seu weblog “Rebecca’s Pocket” (O bolso de Rebecca):

Logo após produzir “Rebecca’s Pocket” eu notei dois efeitos que não esperava. [...] descobri meus próprios interesses. Eu pensei que soubesse quais eram, mas depois de linkar informações por alguns meses eu pude ver que estava muito mais interessada em ciência, arqueologia e questões de injustiça do que eu percebera antes. [...] comecei a valorizar mais meus pontos de vista. [...] comecei a sentir que minha perspectiva era única e importante. (Blood 2002, p. 12)

Provavelmente desde que o ser humano é o que é, vivemos em grupos onde cotidianamente ocorre o debate e a expressão do que se pensa e o que se sente. Somos movidos por isso, por esse trânsito de informações chamado cultura. Num mundo onde os meios de comunicação de massa ainda são a forma de falar mais difundida, mas onde também uma nova maneira emerge, é interessante observar algumas coisas esquecidas (ou ignoradas) sobre esta nossa expressão cotidiana que são perceptivas com os Weblogs, uma espécie de super-dinâmica comunitária que se estabelece e evolui gradativamente, sem conhecer centralização intrínseca, e tornando possível a interconexão barata entre indivíduos e entre o ‘self’, sem intermediários. Um lugar onde o que se diz, está instantaneamente disponível para ser ouvido pelo mundo inteiro.

Se olharmos com mais atenção ao conteúdo dos Weblogs, poderemos observar que o que todos têm em comum é o formato. O modo como são escritos ou como dão-se os discursos neles encontrados é uma projeção de idéias individuais e livres.

Ozawa (2002) afirma que diários online e weblogs assemelham-se somente aos olhos do usuário/leitor, que no máximo perceberia duas diferenças básicas: “novo no topo [21] ” e “entradas mais curtas”. Em suas considerações a este respeito, Ozawa observa a concepção/hipótese do diarista online e sua produção enquanto espaço conceitual demarcado em relação ao espaço dos weblogs:

[...] um weblog tradicional é focado fora do autor e de seu site. Um diário online [...] olha para dentro – as experiências, pensamentos e opiniões do autor. [...] Uma pessoa que mantém um diário ou journal online está registrando sua vida e não a web, não importa como eles expressem suas palavras. (Ozawa, idem)

O conteúdo dos Weblogs caracteriza o gênero/categoria a qual pertencem. Observar o gênero/categoria de modo a defini-los contradiz a reflexão crítica e mais detalhada sobre o objeto. A problemática desta pesquisa não se propõe a estudar o debate entre gêneros como forma de definição, mas é importante para esta pesquisa ressaltar que a fórmula original dos Weblogs eram “links com comentários, freqüentemente atualizados.” Com a disseminação da prática e a apropriação das ferramentas pelos usuários, permitindo maior facilidade em termos de publicação de páginas na web conforme já mencionado, Blood afirma que “atualmente os weblogs estão definidos pelo formato: uma página regularmente atualizada com entradas datadas, sendo as mais novas estabelecidas no topo” (p. 9). E para finalizar a reflexão sobre a demarcação feita por Ozawa, se consultarmos Webopedia [22] sobre Blogs, encontraremos a observação de que “blogs freqüentemente refletem a personalidade do autor”.

Nossa questão agora será recuperar a observação de que o que todos os Weblogs têm em comum é o formato.  Ao fazermos isso propomos uma descrição mais ilustrativa de forma a detectar parte de um vocabulário construído neste universo (dos Weblogs). Será a partir dessa observação que esperamos possibilitar ao leitor um entendimento/compreensão sobre a linguagem que será de extrema importância ao que avançamos nesta pesquisa.



















A figura acima representa a página que um usuário geralmente acessa para a atualização de seu Weblog. Nela podemos observar como um post se constrói. Em algumas ferramentas o usuário tem a opção de inserir um título ao seu post, o que seria representado na maioria das vezes por uma frase-síntese sobre aquilo que será narrado pelo usuário logo em seguida.




















Assim que o usuário clica na opção ‘salvar’ ou ‘publicar’ (dependendo da ferramenta utilizada), seu post poderá ser visualizado na URL [23] de seu Weblog, como ilustra a figura anterior.

Hourihan afirma que o post (cada entrada) de um weblog pode ser identificado de acordo com as seguintes características: “cabeçalho datado, hora da publicação e link permanente” (HORIHAN, idem). O Weblog segue o padrão de destacar o último post publicado, com seu cabeçalho datado acima. O post contém comentários seguidos de links (a inserção de links aos comentários é opcional), a hora da publicação, um link permanente geralmente inserido sob o horário em que a publicação foi feita e a lista dos arquivos de post anteriores. Por fim vale ressaltar dentro desta questão  do formato, as observações de Hourihan:

O formato do weblog fornece uma estrutura para nossas experiências ao usufruí-lo, permitindo as interações sociais que nós associamos com blogging [24] . Sem ele, não há nenhuma diferença entre a super produção da Web. Os posts