sem graça
Assim, meu amor, não tem graça:
a gente discute
sai gritando
voz rasgando
até vidraça.
Quebra o pau
quebra vaso
e depois se abraça.
Mantém distância
desfaz o laço
se faz cansaço
não permite o meu expressar
e depois vem fogoso
respirar o meu ar.
Diz que vai embora
da boca pra fora
arruma malas e deixa a porta
depois vejo o meu guarda-roupas cheio
e as malas vazias
por inteiro
(ninguém se importa).
Ah, como não tem mais graça este teatro
sem fantoches:
cada um diz o que pode
depois desdiz
e, de novo, explode.
Assim, meu amor,
eu já sei sempre o fim:
não tem graça
mais pra mim.