February 28, 2009

carta.jpg

PARTE 50

Finalmente, encontrei um matador. Chega de viver. Estou cansada de respirar com dificuldade só de pensar que você vai me fazer infeliz. Chega de escrever estas coisas - as palavras têm poder - e eu não sei mais se não sou eu que estou fazendo com que tudo isso aconteça. Estou cansada de escrever e revisar e vem as novas regras da língua portuguesa avisando que idéia perdeu o acento. Foda-se a ideia. Me sinto uma analfabeta tendo que seguir estas novas regras. Me sinto uma analfabeta em acreditar em cada palavra que você me diz (e as que você não me diz também). Acho subumano (vê se pode esta palavra ser escrita assim. Subumano é ter que escrever dessa forma pra você. Feliz dela que morreu antes de ter que escrever seus livros com estas palavras horrendas. Horrendas continua sendo escrita assim? Não aguento mais tanta regra, regra e regra. Fecha parênteses). O que importa é que sei como vou acabar com essa minha vida infame onde amo fantasmas, sinto ciúme de fantasmas, crio fantasmas com lençol branco e tudo. Vai ser fácil. Vou amarrar um fio de nylon na maçaneta da porta e a outra ponta ao gatilho de uma arma que estará apontado para a minha cabeça que estará deitada em um travesseiro vestido com uma fronha branca Trussardi. Esta fronha branca receberá um poá de bolinhas vermelhas que sairá da minha cabeça - feito lata de tinta - e bum! Feito. E quando estiver feito, finalmente, tudo isso, estará acabado.

O matador: a porta que vivi abrindo para você.



Escreva também

Nome:

Email:

URL:

Comentário: