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![]() February 28, 2009»
PARTE 50 Finalmente, encontrei um matador. Chega de viver. Estou cansada de respirar com dificuldade só de pensar que você vai me fazer infeliz. Chega de escrever estas coisas - as palavras têm poder - e eu não sei mais se não sou eu que estou fazendo com que tudo isso aconteça. Estou cansada de escrever e revisar e vem as novas regras da língua portuguesa avisando que idéia perdeu o acento. Foda-se a ideia. Me sinto uma analfabeta tendo que seguir estas novas regras. Me sinto uma analfabeta em acreditar em cada palavra que você me diz (e as que você não me diz também). Acho subumano (vê se pode esta palavra ser escrita assim. Subumano é ter que escrever dessa forma pra você. Feliz dela que morreu antes de ter que escrever seus livros com estas palavras horrendas. Horrendas continua sendo escrita assim? Não aguento mais tanta regra, regra e regra. Fecha parênteses). O que importa é que sei como vou acabar com essa minha vida infame onde amo fantasmas, sinto ciúme de fantasmas, crio fantasmas com lençol branco e tudo. Vai ser fácil. Vou amarrar um fio de nylon na maçaneta da porta e a outra ponta ao gatilho de uma arma que estará apontado para a minha cabeça que estará deitada em um travesseiro vestido com uma fronha branca Trussardi. Esta fronha branca receberá um poá de bolinhas vermelhas que sairá da minha cabeça - feito lata de tinta - e bum! Feito. E quando estiver feito, finalmente, tudo isso, estará acabado. O matador: a porta que vivi abrindo para você. postado por claudia ( 7:30 PM) | escreva também (0)
February 12, 2009»
PARTE 47 Toda a vez que surge um problema, por mais remoto que seja, como quando a sua secretária falta bem nas datas importantes de pagamentos, por exemplo, você não olha para mim. Você se ausenta. E presencia-se nela em pensamento (tenho quase certeza disso). Você me compara à ela: a tolerante, a delicada, a dedicada, a submissa, mas incrivelmente sábia. Sábia porque não batia de frente com as suas grosserias, porque não dava as horas se você não estava de bom humor, se mal abria a boca para beijar a sua. Ela era sábia, porque se você não beijava-a o suficiente, o que ela fazia? Não, ela não sentava diante do computador e usava isso como inspiração; ela buscava outras bocas. Porque existem filas de bocas. Filas de bocas entreabertas esperando alguma boca mal beijada. Existem filas de línguas querendo encontrar outra língua mal usada. Existem centenas de milhares de mãos peludas querendo pegar em uma bunda. E ela fazia isso. Em vez de ficar se lamuriando e pedindo a sua ínfima atenção, ela olhava para trás e um batalhão de outros vinham em sua direção. Ela escolhia. Escolhia muito bem escolhido e fazia bem feito, meu bem. Ah, e como fazia! Ahn? Como eu sei disso? Ora, meu querido. Mulheres contam para mulheres que contam para outras mulheres. E uma babaca sempre conta ao namorado para denegrir a imagem da espécie. E este, meu amigo, conta para mais um amigo que conta para outro amigo que conta para uma amiga: eu. postado por claudia ( 8:22 PM) | escreva também (0)
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