October 23, 2008

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PARTE 37

Eu morri nas fotografias. Eu não sou mais a mesma nas imagens roubadas pela câmera fotográfica. Minhas rugas são mais aparentes, minha olheiras estão cada vez mais profundas, minha aura não tem mais cor. Porque eu fiquei doente não sei se foi de amar de verdade ou fingir que amo de verdade. Agora as coisas se confundem. Não sei se acreditei na minha própria mentira ou se eu o amo mesmo. Agora, com este distanciamento entre nós, tudo fica mais confuso e deveria somente ficar mais claro.
Mas sem o seu corpo perto de mim, sem os seus olhares, tudo se perde e eu fico cheia de dúvidas. Talvez eu nunca descubra o que sinto. Talvez tudo tenha se acabado mesmo e eu fiquei aqui, num limbo, no limbo da dúvida, tentando achar uma resposta. E eu não vou encontrar esta resposta. Eu sinto que não. Se alguém não me ajudar, eu não vou encontrar. Vou morrer com um enorme e pesado ponto de interrogação fazendo pesar a minha cabeça. Eu vou morrer assim: na dúvida do quanto te amo, se te amo, se fiz que te amei. Sem contar com o seu peito: o que aconteceu, realmente, dentro dele? Eu não surgi na sua vida apenas para abrir alguma porta? Apenas para você ter certeza que a amava ou para você sentir que a vida continua mesmo que não seja comigo?
Não é a primeira vez que faço isso na vida de um homem. Servi para que vários desses tomassem jeito e passassem para a próxima mulher que teve fihos com eles, que viajou com eles, que aproveitou cada um ao máximo. Porque eu fiz brotar o que tinha de melhor em cada um. Mas não fui capaz de colher nenhuma flor. Nenhuma pétala, sequer. As jardineiras vieram e levaram a flor para o seu jardim. Replantaram, cortando as folhas secas. E eu ficava olhando aquele jardim florido de longe, enquanto a minha terra, ainda úmida de você, ficava vazia sem mais as suas sementes.

postado por claudia (11:37 PM) | escreva também (0)

October 15, 2008

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PARTE 41

Eu fico lembrando de você. Da nossa leveza. Relendo os e-mails que tinham palavras tão cuidadosas em relação a mim. Eu fico (caralho) lembrando. Mas não é com você que eu quero ficar, nunca foi! Você sempre foi um imbecil, mas naturalmente tão cheio de delicadezas que você o fez só pra ver se conseguia continuar tendo a minha mente e o meu corpo. Mas eu sei que não era porque você queria. Era pra você ter certeza de que podia. E isso o fazia mais homem. O culpo? Coisa nenhuma! Foi você que me ensinou que celular Nokia tem o menu melhor. Que me mostrou que eu odiava ser tradicional na cama. Foi você que aceitou que eu fosse gritona nas horas impróprias. Foi você que me fez aceitar o seu corpo que só você não gostava (eu sempre o amei). E falsamente me fez amar alguém que pouco admirava. Posso dizer que não para todo mundo, mas foi você, você e você. E agora você voltou e notou que eu não tinha mais nenhuma importância na sua vida e nem você na minha. Mas você tem... (eu odeio usar reticiências, mas você tem...). Você tem poesia, desespero, melancolia e se você conseguiu provocar isso em todos os meus sentimentos, eu digo: você é você!

Você é você.
Você é você.

E você terá filhos. Na hora certa.
E você terá dinheiro quando acreditar. No dinheiro.
E você continuará lindo (juro que você é).
E a sua pele que você diz ser hereditariamente ruim continuará sendo tocada como você nunca imaginou um dia.
E eu estarei feito um espectador sentindo como você.
E num momento longíncuo. Só assistindo e relembrando você.
Vendo você sendo feliz e eu ficando feliz por isso.

(Não, meu querido. Este você a quem me refiro aí em cima não é você).

postado por claudia (11:28 PM) | escreva também (0)

October 7, 2008

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PARTE 32

Eu nunca tinha tido coragem de dizer a você que eu precisava ficar sozinha depois daquele dia. O fim de semana tinha sido perfeito, mesmo vendo você ainda não conformado com o assassinato da ex-mulher daquela ex-vida que você levava com ela.

Fizemos sexo como loucos. Você parecia louco, talvez para se livrar da angústia do fantasma, você concentrou toda a sua energia no seu membro. E eu gozei feito louca. Gozei ao imaginar que você estava imaginando que eu era ela. Eu sei que você estava. E eu tive o gozo. E nada melhor do que o gozo, mesmo com o pensamento em outra e não em você, para também livrar a gente de fantasmas. Nem que seja só no momento básico do êxito máximo.

Mas naquela segunda-feira eu precisava ficar sozinha. Não conseguia mais encontrá-lo depois de trair. Naquela segunda-feira eu me entreguei a outro, pelo simples fato de que não quero ficar 100% entregue a você. Perceber que eu sou só sua me torna impotente, frágil, idiota. Agora eu traio para não me sentir idiota. Cansei de ser idiota. E ai de você se eu descobrir que você faz isso comigo. Ai de quem for pra cama com você. Serão inúmeros números de mulheres mortas pela nuca. Sempre adorei pensar que eu poderia ser uma Serial Killer. E agora é tarde demais para você fugir deste destino que eu tracei para mim.

postado por claudia (11:59 PM) | escreva também (0)