
PARTE 28
Mesmo chorando por você, meus hormônios borbulhando por você 24 horas por dia, às vezes – e não sei bem dizer em que momento e situação – eu morro de saudades de um outro. Saudade de um que corria para a porta quando eu chegava em casa mais tarde e me comia ali mesmo, no hall. Do outro que escondia bilhetinhos deliciosos pelas minhas coisas e, cada vez que eu achava um deles, me chupava como se o ato valesse um troféu pela minha astúcia de encontrar minúsculos papéis em lugares inusitados. Daquele que nunca esquecia datas: Dia do Primeiro Beijo, Dia da Primeira Transa, Dia Em Que Eu Resolvi Dar Tudo Pra Ele. Todos estes dias eram muito mais maravilhosos do que um comum 12 de junho. Sempre ele vinha lembrar dos nossos dias sexuais, tinha um calendário pornô nosso na cabeça. Que pena todos estes homens serem um bando de meninos infantis. Que pena todos eles se mostrarem meninos inseguros. Que pena que tantos homens tinham nascido sem mãe e queriam ser meus filhos.
Saudade de tanto incesto que eu pratiquei durante a vida toda.
(Sim, eu sei em que momento e situação eu lembro deles. Lembro deles exatamente quando você me penetra assustadoramente sempre da mesma forma idiota e comum, mesmo eu sendo uma tarada que prefere fazer sexo de quatro. Ou com quatro ao mesmo tempo).