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![]() March 29, 2008»
PARTE 26 A primeira vez que vi você chorar foi cortando uma cebola. Lembra? Você nunca havia cortado uma cebola na vida. Comeu cebola a vida inteira sem saber como se descascava. E nem sabia que uma maldita cebola poderia fazer um homem chorar. Você não sabia que o sabor da cebola valiam lágrimas. Que todas as mulheres cozinheiras do mundo choram toda a vez que fazem o bife acebolado que você tanto gosta, a massa com cebola que você tanto gosta, a salada de batatas com cebola que você tanto gosta. As mulheres choram para fazer o que você gosta. Amar você dói muito. Amar você é como cortar cebolas todos os dias. É viver em uma cozinha com uma faca na mão e uma cebola na outra. postado por claudia (12:44 PM) | escreva também (0)
March 25, 2008»
PARTE 21 Eu programei toda a minha vida em função de você. Agora eu posso viver ao seu lado sempre. Posso ler, rir com você, assistir a um filme, preparar um jantar, arrumar a cama, tomar banho. Posso fazer tudo com você. Tudo. Eu só lamento a hora de dormir. Toda a vez que vejo você pegar no sono, me dói este momento único em que ficamos separados. Mesmo do seu lado, a nossa respiração não está sincronizada. Não olhamos nos nossos olhos. E você entra nos seus sonhos em que posso não estar. Não gosto de dormir, meu amor, só porque, nesta hora, eu posso sumir da sua cabeça e fico desesperada só em pensar nisso. postado por claudia (11:22 PM) | escreva também (0)
March 19, 2008»
PARTE 23 Definitivamente, não sei manter um relacionamento. Definitivamente, não sei confiar. Definitivamente, sou uma fruta podre que não tem mais nenhum resto de polpa doce que você possa saborear. Eu sou neurótica, louca, doente, paranóica, inacessível, inquieta, traidora, pecadora, infiel, assassina. Eu sou o inferno travestido de céu. Eu não sei amar normalmente. Eu não sei ser tranquila, comum, básica, serena, previsível e decente. Eu ando precisando trair para suportar amar você. Consegue entender? Traindo eu não me sinto uma idiota. Ontem mesmo eu liguei para outro, me encontrei com ele no carro, transamos ali mesmo e foi feito uma droga: me senti aliviada de estar enganando e não me sentindo enganada. Para suportar o seu amor eu preciso marcar encontros. E não estou falando de encontros com você. postado por claudia (12:57 AM) | escreva também (0)
March 14, 2008»
PARTE 18 Você deve estar se perguntando porque decidi deixar de ser amante, dizer sim ao bilhete, abrir mão de uma vida segura de traições. E eu respondo: simplesmente porque somos burras. Porque o imbecil do coração nos deixa burras. Porque no fundo somos um bando de românticas imbecis. Porque as merdas dos contos de fadas ficam no nosso inconsciente desde a infância. Porque no fundo queremos ser as princesas e não as bruxas. Porque o cabelo comprido se vai, mas o desejo de que eles estejam ali, virando em tranças para o príncipe subir, continua. Porque ninguém quer perder o sapatinho de cristal sem alguém encontrar. Porque a gente quer um outdoor na frente de casa com aquela declaração de amor brega. Porque a gente quer sair de mãos dadas, beijar em público, mostrar o “meu homem” para os outros homens que a desejam e para as mulheres recalcadas que não têm orgasmos. Ora, eu tinha inveja, mas ela estava oculta. Eu tinha uma raiva mascarada. Eu queria estar no porta-retrato da mesa dele e também queria o sobrenome do dito cujo depois do meu. Quando eu era adolescente e achava um menino bonito, a primeira coisa que queria saber era o seu sobrenome. O sobrenome tinha que combinar com o meu. Porque eu só pensava naquele contrato de casamento e na folha de cheque com o nome de casada. Eu cresci com isso. E isso não pode ser desejo de amante. Ser a outra é fácil, mas e todos os sonhos de ser a Sua Senhora? Diga-me: onde eu colocaria todos eles? Em nenhuma lata de lixo eles caberiam. É muita coisa. postado por claudia ( 8:38 PM) | escreva também (1)
March 11, 2008»
PARTE 13 Acordei com o pensamento fixo na morte. Não era mais você que morreria em meus braços, seria ela que morreria nos seus. E como eu sei que você não me perdoaria, eu teria que planejar tudo muito bem. O ideal seria um desastre de avião em que ela estivesse a bordo. Ou um atropelamento. Ou um ataque cardíaco. Mas eu não podia esperar mais. Não podia contar com a sorte e correr o risco de alguma coisa dessas acontecer comigo antes de tudo ou mesmo com você. Eu tinha que ter uma idéia, mais do que uma idéia: coragem. postado por claudia (12:19 AM) | escreva também (0)
March 6, 2008»
PARTE 17 Ele era o único que conseguia ler meus lábios com maestria. Enquanto eu ouvia as músicas pelo I-pod e então cantava silenciosamente, apenas mexendo os lábios, ele olhava atentamente até descobrir a música que eu ouvia. Quando descobria, se punha a cantar comigo num meio sorriso sem tirar os olhos dos meus. Parecia mágica. Como eu poderia viver sem este homem? Como eu poderia conviver com tais lembranças? Eu não aceitaria nunca a sua ausência na minha vida. Sem ele minhas músicas ficariam em silêncio. Em um silêncio arrebatador, apesar de todos os instrumentos continuarem tocando através dos fones de ouvido do meu I-pod. Xô, medo cretino! postado por claudia (12:45 AM) | escreva também (0)
March 3, 2008»
PARTE 20 O que eu mais gosto de fazer quando você não está é saber que tudo o que faço é para você. Entro no banho e escolho um sabonete que não agride a minha pele, porque ela é sua. Saio do banho e passo hidratante em cada pequena reentrância do meu corpo porque quero ter a pele macia em todos as curvas mais secretas para você. Escovo os dentes para habituar a minha boca a um hálito que você goste. Passo meus cremes abaixo dos meus olhos para eu não ficar tão velha para você. Escolho o perfume que você gosta para sempre lembrar daquele primeiro abraço. Tudo isso, mesmo que você não venha. Quero deixar todos os meus rastros de aromas para o caso de eu morrer atropelada amanhã, você ainda possa me sentir no lençol que fui dormir a minha última noite sem você. Só porque você não quis dormir todas as noites do mundo comigo. postado por claudia (11:45 PM) | escreva também (0)
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