February 26, 2008

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PARTE 15

Sim. Eu tinha dito, exatamente esta palavra a ele e estava completamente arrependida. Não mais sendo a outra eu estaria passível de uma traição. Eu poderia ser traída todos os dias, sem perceber. Eu ficaria frágil, deixaria de me sentir puta, esperta, gostosa. Eu deixaria de ser a mulher que tira ele do ar. E, além do mais, jamais acreditaria em uma única palavra, afinal, se ele mentiu tanto para a esposa quando eu era apenas uma amante, agora seria a minha vez de ouvir as tais mentiras. Porque homem que mente uma vez, mente sempre. Eu não poderia acreditar que o amor dele a mim poderia mudar a cretinice que ele exercitava com a esposa idiota.

Na verdade, eu estava borrada de medo. Completamente apaixonada, mas borrada de medo. Eu queria ter filhos, mas estava borrada de medo. Eu queria amá-lo todos os dias, acordar do lado dele todas as manhãs, mas eu estava borrada de medo. E eu não convivo bem com o medo. Prefiro fugir dele. Prefiro deixá-lo guardado dentro de uma caixa que fica dentro de outra que fica dentro de outra bem lá no fundo do armário que nunca abro.



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