January 9, 2008

rolha.jpg

PARTE 11

O ano tinha chegado. O esperado ano. O ano da cor vermelha. O ano das paixões, do amor verdadeiro. E você não apareceu.

Não mandou um beijo, um abraço, ou qualquer mensagem tôsca daquelas chamadas “padrão”. Eu aceitaria uma mensagem padrão – saberia que você pensou em mim, ao menos, de um jeito padrão.

Virei a meia-noite virando uma taça de espumante de um jeito padrão. Vestida de branco, como o padrão de todas as mulheres. Passei a noite sentindo saudade de meus cabelos longos e suas mãos tentando separar as mechas onduladas – aquele jeito padrão que você tinha de me tocar. Fiz meus pedidos de ano novo sem pular as 7 ondas, comer lentilhas e uvas e guardar as sementes. Não amarrei fita do Bonfim com os 3 pedidos padrão, pois quando o fiz, a tal fita levou 3 anos para arrebentar e ainda tive que passar mais 3 anos para o meu desejo de ter você se realizar. E você não lembrou de mim quando os fogos tomaram conta do céu, quando lembrei do fogo do teu corpo sobre o meu.

Era mais uma atitude padrão você não aparecer na hora. Só senti que tiraria a minha calcinha vermelha quando vi você empurrar levemente a porta do quarto, todo de branco, tirar a taça da minha mão, secar as lágrimas padrão precipitadas e me beijar mais uma vez. Primeiro beijo do primeiro ano que seria nosso. Pela primeira vez eu não estava repetindo minhas atitudes padrão de me envolver com homens errados.

Se você não notou, eu estava dizendo sim ao seu bilhete.



Escreva também

Nome:

Email:

URL:

Comentário: