December 9, 2007

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PARTE 8

Foi no meio do livro que encontrei o bilhete: “A sua clareza me apaixona.”
Ele deveria ter deixado na noite anterior quando eu peguei no sono depois de explicar tudo o que eu achava sobre as atitudes das pessoas em seu local de trabalho. Eu fico aterrorizada com certas coisas que fico sabendo, em como as pessoas se expressam ou não se expressam. Em como se erra pela simples falta de comunicação ou a própria ignorância no assunto.

Eu nunca adimiti que sabia algo que eu não sabia. Nunca tive a mínima vergonha de dizer que não entendi ou que não conheço tal termo ou como se faz tal coisa. Mas também, depois que explicavam, eu imediatamente entendia e já me pegava pensando em como aquilo poderia ser feito de uma forma melhor. Nada mais perfeito do que saber pouco do assunto – tecnicamente falando – para poder opinar de acordo com a realidade. A realidade que se tem a obrigação de observar, principalmente para eu que sempre fui escritora e que já tinha lançado uma penca de livros de ficção. Mas estava cansada de inventar histórias. Agora eu só queria viver uma história real. E seria com ele. Teria que ser com aquele homem que, de vez em quando dormia na minha cama, deixava seu cheiro doce no meu travesseiro e me presenteava com bilhetes no meio dos livros que eu lia.



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