
bienal.o7.
Estou em branco
como se o mundo fosse um vazio no espaço
como se a vida existisse só para passar
como se o ar fosse demais para poucos
como se nada pudesse -me fazer viver
ou matar.
Estou tão límpida e leve
que a sensação é de quase nada.
É como se o abandono fosse mentira
a mentira fosse verdade
e as verdades permanecessem caladas.
Estou flutuando em milhões de quilômetros
quadrados.
Minha cama parece imensa
minhas roupas são vazias
meus cabelos pendem sem pesar
(é como se eu só fosse ar).
Estou tão seca e ausente
que cada lembrança vira o presente
e o presente não acontece.
E meu coração se esvazia
e esquece.
Estou tão sem sentido
tão oca num sentimento esvaído
que nem a poesia me traz alívio
e uma parte de mim morre
sem ferimento ou perigo.
(Estou assim, sem palavras
ou gemidos).