
bienal.07.
Você não tem mais os mesmos olhos
o mesmo cabelo
os mesmos fios da barba.
Até suas mãos devem ser outras
de tanto tocar o que não é sagrado.
Nem a sua casa é minha
e a minha não é mais sua.
A cama perdeu a forma de dois
e ganhou um depois.
A gaveta não abre mais de um lado
como se fosse um baú de segredos
guardados.
Seus tênis que restaram
foram para um lugar que ninguém vê
as fotografias estão velhas
e vivem sem respirar no fundo da gaveta
para ninguém encontrar.
E a voz…ah, a voz! Que voz?
O passado é silêncio repetido em dores
erros
desejos não atendidos
mentiras infantis
sonhos com você, tão imbecis…
Nosso mundo levou um Big Ben
virou partículas de pó
esqueceu que existiu
num espaço de tempo
que partiu
sem remorso
divórcio
ou dó.