
A nossa poesia virou sexo.
A cada linha, um gemido
no lugar da letra, um corpo a perigo
substituindo a rima
fez-se um beijo ácido.
Suor desconexo
com o poema sensato
faz a língua lamber
a língua portuguesa
no ato.
Os lençóis dão lugar
ao papel ou à tela
enquanto a mão dele
agarra o ventre dela
e o descreve
em fatos.
Na última frase
apenas o gozo
encontra o leitor
no leito
sem amor.
Então a palavra envergonha
a poesia silencia
o lirismo some
enquanto os dois
se consomem
depois de um tempo inexato.