October 24, 2007

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a deriva.jpg
bienal. 07.


Estou de malas prontas
todas de couro velho na porta.
Coisas para devolver
outras para desenvolver
pois assim o mundo é.

Estou pra lá de pronta
todo o velho corpo à porta
coisas para fazer
outras para refazer
pois assim meu eu o é.

[O nosso mundo mudou
se mudou pra lá.
O nosso mundo surtou
para outro mundo eu vou
se for para, com verdade, amar.]

postado por claudia (11:52 AM) | escreva também (1)

October 23, 2007

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inesperado.jpg
bienal.07.

Decidi
está decidido:
Tudo no início
nada partido.
Porque o desejo é maior
do que o medo entretido.

Escrevi
está escrito:
Tudo a princípio
bem longe do precipício
onde o eu parecia perdido
sem voz, cor, calor - falecido.

Revivi
está tudo renascido:
O corpo, a alma
a palma, a chama, a cama
a lama, a fama, a calma, a dona
a goma, a mãnha e quem me ama
(escondido).

postado por claudia ( 1:01 AM) | escreva também (0)

October 12, 2007

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pelo espelho não me vejo.jpg

bienal. 07.

Você já é uma pasta
de e-mails velhos
com data vencida.
Você é uma história não lida
mal escrita
perdida na gaveta antiga.
Você já é um rastro
uma sombra
uma sensação esquecida
uma seca ferida
uma luz apagada
uma estante com pó
uma música sem dó
uma nota antiga do supermercado
um prato mal lavado
um iogurte vencido
um pão adormecido
na cama esquecida.

Agora você é um arquivo
do passado da vida.

postado por claudia ( 6:30 PM) | escreva também (2)

October 6, 2007

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corda.jpg
bienal.07.

Presa por uma corda
esperando o marujo me soltar.
Presa por um fiapo
esperando o mastro cair,
morrer no mar.
Presa por quase nada
esperando que o tubarão
devore a água do meu mar.

Presa por uma bóia
vazia
sem que alguém possa salvar.

Presa em mim
diante do horizonte sem fim
de um navio fechado sem ar.

Presa
a deriva
do amor
de amar.

postado por claudia ( 2:03 AM) | escreva também (2216)

October 3, 2007

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guerra.jpg
bienal.07.

Em meio à guerra
eu sou santa
eu sou asa
eu sou casa
eu sou tanta.
Eu salvo
acerto alvo
sem matar.
Eu sou a água
salgada
e o ar.
Em meio às armas
eu sou a bala
eu sou o grito
eu sou o rito
eu sou a sala.
Eu curo
o teu escuro
no meu mar.
Eu sou a fada
a espada
e o pesar.

Em meia à guerra
eu sou a era
eu sou a ponte
eu sou a fonte
eu sou a espera.

postado por claudia ( 8:53 PM) | escreva também (0)