September 13, 2007

placa.jpg
montevideo. 07.

Cada vez que eles se encontram, a sensação é de que o fim está previsto. Já sabem que vai acabar, é só uma questão de tempo. Agem sempre assim. Não importa o que o outro quer, aliás, nenhum bem sabe o que quer, exatamente, do outro. Quando um diz que não quer mais, o outro responde "tudo bem", mas nenhum se despede definitivamente; ao contrário: ambos se despem e se perdem entre os lençóis.

Cada vez que eles se encontram, encontram-se mais, mas um sempre recua ao ouvir seus medos externos. O que se quer perguntar, se afirma e as respostas nunca são inteiras. Um tem medo de frustar o outro porque é inseguro, o outro tem medo da frustação porque é cheio de expectativas. O primeiro momento em que se olham sempre é diferente e vem acompanhado de uma gracinha, um jeito sem jeito, um ato adolescente porque os dois sonham e buscam no outro algo que os faça melhores.

Mas cada vez que eles se encontram, conversam muito. Um conta para o outro quase tudo. O outro ouve atento e, com seus comentários, mostra o seu pensar. Mas nenhum se entrega, a não ser na hora do beijo e do sexo. Eles sempre dormem juntos, porque tão bom quanto penetrar, é apenas repousar ao lado, sempre com uma perna encostando na outra, um braço sobre o corpo simulando um abraço, um sonho compartilhado mesmo que em pensamentos opostos.

Cada vez que eles se encontram eles não se beijam de primeira. Cada um encosta seus lábios no lado do rosto, mas já sabendo que as bocas se encontrarão mais tarde. E as cabeças não selecionam aquela palavra mal dita ou as incertezas sobre as agendas cheias de nomes do sexo oposto, e se estes são acionados nos intervalos que um tem do outro.

Cada vez que eles se encontram eles se doam e quase sempre se perdoam porque, afinal, eles sabem que tudo vai acabar. Só não sabem se vai ser em alguns pares de anos ou num dia próximo em que em vez de encontros, no aparecimento de um terceiro, esqueçam de se encontrar.



Escreva também

Nome:

Email:

URL:

Comentário: