September 23, 2007

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I yelow.jpg

Quero viver de escrever poesia
pra recitar pra você no dia
em que você partir
acabando de vez
com a minha alegria.

postado por claudia (11:02 PM) | escreva também (0)

September 19, 2007

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flores uruguaias.jpg
montevideo.07.

Já não consigo enxergar os olhos que me viam
incompreendida
agora só um par novo me espiona
pelas avenidas
da minha lida.

Já esqueço quem eu era antes:
eu tinha meus dias regrados
de amor constante
e, agora, por um instante
não sinto nem mais as feridas.

Já não lembro mais
do cheiro, do abraço, do seio
da lambida
nem de como era o meu corpo
quando você entrava
sem encontrar a saída.

Já esqueço até
da música mútua preferida
da toalha caída
do sabor da comida
da risada atrevida
da felicidade traída
da tristeza embutida
na verdade doída.

Já não lembro mais da tua voz
e já sei quem é o homem da minha vida
mas não enxergo o que é verdade
o que é destino
e quem duvida.

postado por claudia ( 1:01 AM) | escreva também (0)

September 13, 2007

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placa.jpg
montevideo. 07.

Cada vez que eles se encontram, a sensação é de que o fim está previsto. Já sabem que vai acabar, é só uma questão de tempo. Agem sempre assim. Não importa o que o outro quer, aliás, nenhum bem sabe o que quer, exatamente, do outro. Quando um diz que não quer mais, o outro responde "tudo bem", mas nenhum se despede definitivamente; ao contrário: ambos se despem e se perdem entre os lençóis.

Cada vez que eles se encontram, encontram-se mais, mas um sempre recua ao ouvir seus medos externos. O que se quer perguntar, se afirma e as respostas nunca são inteiras. Um tem medo de frustar o outro porque é inseguro, o outro tem medo da frustação porque é cheio de expectativas. O primeiro momento em que se olham sempre é diferente e vem acompanhado de uma gracinha, um jeito sem jeito, um ato adolescente porque os dois sonham e buscam no outro algo que os faça melhores.

Mas cada vez que eles se encontram, conversam muito. Um conta para o outro quase tudo. O outro ouve atento e, com seus comentários, mostra o seu pensar. Mas nenhum se entrega, a não ser na hora do beijo e do sexo. Eles sempre dormem juntos, porque tão bom quanto penetrar, é apenas repousar ao lado, sempre com uma perna encostando na outra, um braço sobre o corpo simulando um abraço, um sonho compartilhado mesmo que em pensamentos opostos.

Cada vez que eles se encontram eles não se beijam de primeira. Cada um encosta seus lábios no lado do rosto, mas já sabendo que as bocas se encontrarão mais tarde. E as cabeças não selecionam aquela palavra mal dita ou as incertezas sobre as agendas cheias de nomes do sexo oposto, e se estes são acionados nos intervalos que um tem do outro.

Cada vez que eles se encontram eles se doam e quase sempre se perdoam porque, afinal, eles sabem que tudo vai acabar. Só não sabem se vai ser em alguns pares de anos ou num dia próximo em que em vez de encontros, no aparecimento de um terceiro, esqueçam de se encontrar.

postado por claudia (11:21 PM) | escreva também (0)

September 4, 2007

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O seu silêncio não me importa
nem as suas ausências
nem a sua essência
de se manter atrás da porta.

Não me importam as suas decisões
porque todas são minhas
e faço o que for preciso
para que não me sinta morta.

As dúvidas também não importam
já que são suas e tantas
e nada santas
chegam todas meio tortas.

Nada me importa
se sou eu
quem me conforta.

postado por claudia ( 5:37 PM) | escreva também (0)

September 3, 2007

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Por alguns dias eu voltarei para você
levarei seu corpo para a minha cama
para meus pensamentos
e verei suas fotografias.
Sentirei o seu cheiro
em algum resto de lençol.
Desejarei o seu braço
num abraço
à luz do sol.

Por mais alguns dias eu voltarei para a sua vida
lembrarei das despedidas
e das chegadas
sem partidas.
Sentirei o seu beijo
em algum pensamento abrupto.
Desejarei o seu peito
e esquecerei
meu luto.

Por alguns dias.

postado por claudia (12:51 PM) | escreva também (0)