Tudo tem prazo de validade
tem idade máxima
tempo marcado para morrer.
Tem tolerância até certo ponto
tem espera, mas na medida certa
até um dia, entardecer.
Chega um momento e lá está o leite:
transbordando na panela.
Chega uma hora em que e flor está seca
no vasinho da janela.
Tudo chega ao desuso
ou porque ficou pequeno
(ou porque eu fiquei grande)
ou porque está fora de moda
ou porque está velho
ou porque perdeu a graça
ou porque ficou muito sério.
Tudo tem prazo de validade:
os iogurtes
os e-mails
o pão de fôrma
e a forma com que tudo era
até as palavras da gaveta
e a tinta da caneta
um dia acabam.
Até os amores têm prazo de validade
(depois de tanto e tanto sofrimento,
desabam).