August 30, 2007

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Vai pra longe só pra eu sentir saudade.
Míseros dias
mas o tempo é assim:
longo quando é bom
curto quando é ruim.

Pense em nós como se tudo fosse verdade
benditos pensamentos
que dizem sim
mesmo que seja não
contanto que seja intenso, enfim.

Volta antes de completar a idade
mesmos aniversários
mas a vida tem fim
mesmo que seja eterno
o início do afeto por mim.

postado por claudia ( 7:17 PM) | escreva também (0)

August 29, 2007

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Tudo tem prazo de validade
tem idade máxima
tempo marcado para morrer.

Tem tolerância até certo ponto
tem espera, mas na medida certa
até um dia, entardecer.

Chega um momento e lá está o leite:
transbordando na panela.
Chega uma hora em que e flor está seca
no vasinho da janela.

Tudo chega ao desuso
ou porque ficou pequeno
(ou porque eu fiquei grande)
ou porque está fora de moda
ou porque está velho
ou porque perdeu a graça
ou porque ficou muito sério.

Tudo tem prazo de validade:
os iogurtes
os e-mails
o pão de fôrma
e a forma com que tudo era
até as palavras da gaveta
e a tinta da caneta
um dia acabam.

Até os amores têm prazo de validade
(depois de tanto e tanto sofrimento,
desabam).

postado por claudia (12:40 PM) | escreva também (0)

August 26, 2007

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na mesa.jpg

Eu poderia voltar a pular corda
se você quisesse um filho.
Eu poderia ser só sua
se você visse meu brilho.
Eu poderia tocar sua música preferida
se você não estivesse indeciso, ainda.
Eu poderia escrever coisas lindas
se não fossem as feridas.
Eu poderia ser novidade
mesmo com a minha idade.
Eu poderia ver você todo dia
e todo dia, sentir saudade.
Eu poderia sentir aquele frio na barriga
se você não fosse medroso.
Eu poderia não me sentir perdida
se fosse me desse o gozo.

Eu poderia.
Tu poderias.
Ele poderia.
Tudo ao mesmo tempo, um dia.

postado por claudia ( 1:52 AM) | escreva também (0)

» SEGUNDA PARTE

Lamento dizer, mas você não é único. Você é a mistura de tantos. Ora você é um, ora você é outro. Mas eu sou única. Mesmo que você diga que sou parecida com outra mulher qualquer, eu sou única. Talvez você tenha me achado parecida com algum enredo sequencial interminável. Porque eu canso. Talvez você tenha visto o meu senso de humor em outra. Você viu a minha independência nesta outra. Você viu os meus problemas malucos em outra. Você viu a espera. A espera minha.

Enquanto eu pensava nestas coisas, lembrei das suas mãos. Mãos que eu nunca quis que me tocassem. As suas mãos não são as mãos que imaginei no meu corpo – eu já havia dito isso. O seu cheiro é bom, mas não em todas as partes do corpo. Então eu lembro do outro corpo, onde eu percorria por inteiro aceitando tudo. Aceitei as mais bizarras imperfeições e não consigo explicar isso. E foi o dono deste corpo que eu perdoei (mesmo que superficialmente) pela primeira vez na minha vida. Não sou dona daquele corpo, e nunca serei. Porque a índole da cabeça que domina aquele corpo pensa em tantas outras coisas que meu pensamento nunca quis pensar em pensar que haveria esse tipo de coisa na cabeça de quem - passasse pela minha cabeça - pudesse ser o homem com quem eu dividiria a minha vida.

As coisas mudam, eu sei, mas nem tudo. Você vai continuar sendo arrogante, tendo seus pensamentos narcisitas, materialistas, cometendo tantos erros imbecis em prol de uma insegurança idiota. Confuso? Sim, eu sei. Mais confuso ainda é que ninguém imagina que eu quis estar lá naquela casa, naquela noite, mesmo que dividindo o espaço com tantas outras pessoas. Ninguém imagina que nunca pensei em estar lá em outra noite, beijando em público uma boca que eu mal poderia pensar que eu iria conhecer. E ninguém imagina – nem mesmo você - tudo isso e mais um pouco.

Você não iria acreditar que eu sou a mesma. Você nem me conhece, mas sabe tudo sobre mim. Porque eu não sou uma pessoa que gosta de jogar, mesmo que pareça, às vezes, que estou jogando. Eu queria não atender o telefone uma ou outra vez (um dia eu consigo). Eu não consigo fingir e dizer que amo, se já não sei mais o que ficou. Eu não queria confundir a todos escrevendo isso. Mas é necessário. Era preciso.

Lamento dizer, eu sou única. E, por isso, fica difícil servir a todas as suas caras de uma só vez. Então eu serei só minha.

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E foi assim que terminei a carta para quem eu nem sabia a quem enviar. Ele existia? Alguém poderia existir com aqueles olhos malévolos? Com aquela exigência de perfeições? Com aquela crença em qualquer coisa que o fizesse bem? Com aquela síndrome narcisista de quem pensa que pode ser apaixonante para qualquer mulher?

Escrevi a última palavra com a caneta azul, dobrei em duas partes e depois em mais duas e guardei na gaveta usada que, talvez, estivesse guardando coisas velhas de um tempo passado (que, finalmente, passou).

postado por claudia ( 1:01 AM) | escreva também (0)

August 24, 2007

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Se duvidar eu olho para o lado
e para o outro
sem olhar para trás.

Se duvidar eu me arrisco
me dispo
e ancoro no cais.

Se duvidar eu me encontro
com outro
e não volto mais.

postado por claudia ( 3:00 PM) | escreva também (0)

August 17, 2007

» PRIMEIRA PARTE



Eu sabia que ele não gostava de perfeições. Nem de corpo magro, seios milimétricos ou peso ideal. Gostava ssim, de boca carnuda (coisa que eu não tinha). Ele também não gostava que eu escrevesse ou melhor: dava a mínima para um dos meus maiores prazeres. Não dava a mínima para o que eu mais queria fazer na vida. Eu queria viver disso. Viver de palavras e de amor. Eu queria que as vírgulas fossem lidas, eu pensava que tinha muita história para contar, mas não, eu não sabia nada da vida. Eu vivi coisa alguma, eu morei a vida inteira em um mundo menor que o meu quarto. E ele não deveria desconfiar. Talvez, pela minha idade, poderia pensar que de tudo sabia. E eu só sabia que queria viver de amor e de palavras e materializar estas duas coisas com livros e filhos. Simples assim.

Descobri tudo isso ao crème brullé – um dia eu comeria este doce de olhos fechados, fazendo malabarimos com a minha colher e olhando para ele. Olhando sem ver nada em seus olhos (a cor deles deixa tudo nebuloso, quase inexpressivo). Eu entraria em um lugar que nunca fui sem sentir que era a primeira vez. Meu pensamento já teria passado por ali de uma outra forma. E igual a algumas primeiras vezes em lugares onde há mesas e cadeiras uma a frente a outra, para que as pessoas se olhem nos olhos, lugares em que estive com ele, ele comentaria sobre livros, sobre a vida e eu diria que ele deveria parar de falar das pessoas. Que eu não queria saber da vida das pessoas, as quais poderiam tê-lo machucado através de palavras, pela simples falta de amor. Palavras e amor – eis as duas coisas juntas que eu mais queria, aparecendo nas linhas outra vez.

Antes de mais nada, beberíamos um vinho e saborearíamos uma massa com um prazer que jamais teria sentido antes. Talvez, por achar que antes, nada tivesse sentido. Ou que eu nunca tivesse sentido tamanha estranheza em mim. Uma mistura de aceitar e não aceitar o que poderia vir a acontecer. Eu poderia ter um filho com ele, eu poderia me inspirar com ele. Eu poderia realizar as minhas coisas simples com ele.

Um dia alguém disse que eu teria estas duas coisas e que seria com ele. Tal alguém afirmou como se fosse Deus. Como se fosse o autor do meu futuro. E nada conseguia tirar isso da minha cabeça. Eu não conseguia aceitar, mas me entreguei aos céus e deixei que eles o fizessem. E começou a acontecer no momento em que quebramos o créme brullé. No momento em que ele contou a sua vida como se quisesse mostrar a mim quem ele, realmente, era. Um aventureiro por acaso, alguém com perdas. Alguém com sentimentos controversos, sem provas, com percalços, com algumas razões e com uma ou outra vez, a falta dela. Uma pessoa pronta para ser. Querendo encontrar. Fingindo não sentir.

E então eu descobri que ele gosta sim, de perfeições. Gosta das perfeições que ainda não havia encontrado em outras palavras saídas de outras bocas, talvez, bem mais carnudas do que a minha. E que poderia me amar, mas de um jeito que nunca desejei. Que poderia querer mantendo a calma, sem falar nenhuma palavra explícita. E eu senti que poderia, mas não naquelas mãos, não com aquela voz, não naquela ternura escondida. Não com a adolescência ainda não resolvida. Não com a convicção que derrubava as minhas. Nem com a gentileza secreta travestida pela idade incorreta.

postado por claudia ( 3:10 PM) | escreva também (0)

August 9, 2007

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envelope verde.jpg

Hoje descobri que continuava pintando as unhas dos pés só porque você gostava.
Porque não tem muito sentido pintar as unhas dos pés em uma época em que se caminha de botas.

O sentido todo era tirar as botas a noite e, com os pés gelados, receber as suas mãos lavando-os e vendo unha por unha pintada com a sua cor preferida.

O sentido todo era ir pra cama e ver você olhando para cada dedo dos meus pés e ver nos seus olhos a admiração pelo tamanho pequeno deles.

Agora não há sentido, pois meus pés só servem para me levar sozinha aos lugares, protegido sempre por meias grossas dentro de algum sapato.

Meus pés não são vistos e só recebem água e sabonete quando todo o resto do corpo também recebe. E nem ganham cremes hidratantes que me deixavam no paraíso.

Eles apenas estruturam o resto de meus ossos quando levanto da cama, quando a cozinha me chama para eu beber um copo d´água, quando meu telefone toca e preciso ir até ele (e somente duas vezes foi você).

Hoje descobri que os meus pés eram mais seus do que meus.
Eles, agora, estão abandonados, apenas cumprindo o papel que eles tinham antes de você chegar.

postado por claudia (10:01 PM) | escreva também (0)

August 6, 2007

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frente 06.08.jpg

06.08.jpg

postado por claudia (10:22 PM) | escreva também (0)