July 1, 2007

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Querido,
Meu fim de semana sem você não passou de mais um fim de semana sem você. Isso significa que pensei muito em nós e, por incrível que pareça, mantive meu coração tranquilo e cheio de certezas. Claro que o que me ajudou com que eu encontrasse serenidade foi um livro que me encontrou no aeroporto. Ele olhou para mim e pediu que eu o levasse comigo. E, na decolagem do avião, em vez de pai-nossos e ave-marias, foram as palavras do livro que eu repetia para mim. Li dezenas de páginas durante o vôo e, quando estava concentrada em uma delas, a aeromoça aproximou o rosto do meu ouvido e falou como se fosse um segredo: -Eu li essse livro hoje! Quando olhei para ela, vi um sorriso sereno com uma intrínseca alegria de viver. Ela estava, apenas, me dando um recado, dizendo para eu ir adiante, ir até o fim.
Quando cheguei ao destino, foi tudo como eu esperava: abraços, lágrimas, saudades, energia infantil. Mas era o livro que continuava em meu pensamento e tudo o que eu dizia estava em cada página. E percebi que tudo o que vivi até hoje também está impresso lá. Uma serenidade incompreensível mesclada a uma força inesgotável tomou conta de mim e entreguei tudo ao universo. Ao nosso universo, ao universo que somos. Eu tive muitas certezas ao olhar para trás. Ao analisar tudo o que houve. Eu vi tudo muito claro. Eu entendi, simplesmente tudo, feito criança quando aprende a ler – um mundo novo se abre e nunca mais desaparece. Depois, incrivelmente, vieram alguns sinais. Alguns deles que ainda tento decifrar. Eles vieram durante o sono e quando sintonizei a TV em um canal qualquer. Eis que neste momento começa um filme que eu já tinha visto e se passava em Toscana. Assisti todo o filme, novamente em silêncio, pensando em minha vida, no livro e no lugar em que eu estava. E eu me emocionava sozinha e sentia uma gratidão imensa. Difícil de explicar (mas fácil de entender).
Hoje, quando o avião baixou seu trem de pouso e eu o senti tocar na pista, tudo o que eu mais queria, era chegar com esta carta para pô-la no Correio (pois como eu disse no último postal, passaria 2 dias sem acesso). Eu só queria poder contar, mesmo sem detalhes, todas essas coisas novas que aconteceram em uma viagem anual que faço sempre. Desta vez foi diferente, desta vez muita coisa foi única. Eu pude me sentir. Pude entender tanta coisa que estava bem debaixo do meu nariz faziam décadas. Uma simples viagem de meros dois dias e 197 páginas puderam traduzir todo o livro da minha vida que vai ter continuidade, agora, sem precisar de traduções.
Foi isso que aconteceu, querido. É isso que acontece comigo agora.

Minha Viagem, 01 de julho de um fim de semana deste Ano.



Quem escreveu

saberei...
fiquei meio oco
não sei pq
na real os dias aqui são ocos
acho que não consigo dividir as coisas
preciso me sentir completo para funcionar
e aqui, oco. não tem mão quente no sono.
só o oco
a janta é oca
o almoço é oco
tudo que conheço de novo é oco
pq ñ dá para dividir com vc.
bjs

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