
Hoje a vida me confundiu. Eu tinha prometido a ela que não faria planos e, quando vi, os tinha feito. Um a um, quase milimétricos, fazendo a vida mudar de direção. Voltar à direção. Tirar a direção dela própria. Bastaram alguns segundos para a possibilidade ir embora – eu nem tinha me dado conta de que tudo poderia não acontecer. E tudo, todas aquelas coisas que me faziam sentir mal vieram a tona: poucas, mas cruéis perguntas, dúvidas, enfim, eu havia saído novamente do meu corpo e me doado à outro. Eu havia esquecido de mim. Eu estava de volta ao meu passado que se repete e se repete, repentinamente.
Eu chorei. Mas não quis chorar sozinha. Contei tudo a uma estranho, assim, em poucas linhas, praticamente um bilhete. Mas não contei que não tenho olhado para o meu corpo. Que não tenho sentido ele. E que têm coisas que não fazem sentido. Não contei o quanto não acredito. E o quanto já quis acreditar. Não falei sobre as dúvidas que vi em seu rosto, nem da mudança repetina como se outra tivesse surgido e levado a Claudia presente embora. Não falei nada disso, porque de nada disso tenho certeza. E isso significa que tenho dúvidas. E não quero ter dívidas. Já tenho muitas dívidas comigo, por todas as vezes que eu errei, que sofri, que não entendi, que sonhei sem saber que nem estava dormindo.
Estou sofrendo, mas isso acaba logo. Vou olhar para frente, para o espelho, para a vida. E desejo que as nossas vidas acreditem nelas mesmas. E nos tragam amor, amor, amor sempre.
(Eu sabia que não teríamos as nossas fotografias onde a vida pudesse ver.)
(Desculpa por escrever tanto.)
(Desculpa por tudo.)
Com amor que existe e com o afeto para sempre,
Eu.
Porto Alegre, cedo da minha noite, tarde da sua de 2007.