July 31, 2007

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Um dia eu me casei. Mas voltei atrás, porque não era, assim, um casamento.
Casamento tem que ter bolo, vestido, festa, àlbum de fotografias, contas divididas, busca por um apartamento nosso e não eu no apartamento dele ou ele no apartamento meu. Casamento é fazer planos para as férias, é só sair de férias juntos. É nunca se separar. Casamento é não tirar a aliança do dedo, nem para tomar banho. É se imaginar velhinho, já sem sexo, mas plenamente feliz. Casamento é se sentir seguro com o outro, protegido da parte ruim do mundo.
Casamento é gostar de fazer jantar a dois em casa. É fazer plano de saúde familiar, previdência privada. É dividir o guarda-roupa num meio a meio. É escolher a cor da parede da sala juntos. É um pagar a conta, pois a conta do banco é conjunta. É sentir o cheiro do outro antes e depois do banho e achar ambos, deliciosos.
Casamento é um viajar a trabalho e o outro ter certeza de que quem foi está louco para voltar. Casamento é sempre voltar para casa. A nossa casa. Casamento é um confiar no outro.
Casamento é uma nova busca por um apartamento maior porque os dois vão virar família. Casamento é pensar muito para escolher o nome do filho, é não se importar de acordar de madrugada para atender um choro de alguém que ainda se mal conhece.
Casamento de verdade é respeito. Respeito no silêncio, na euforia. Nos sucessos e nos fracassos. É respeito da porta pra dentro e da porta pra fora. Casamento é uma coisa intensa que pode até não durar a vida inteira, mas se vive todos os dias dele com essa intenção.
Casamento é aquele do bisavô. Dos dois enrugados se beijando desajeitadamente na boca. Casamento é ver a família crescer, o amor permanecer e a constância durar.
Casamento é o que todo mundo quer, mesmo que não admita. Casamento é o que todo mundo vai atrás. E eu não vou voltar atrás, porque eu quero, sim, viver um casamento. Daqueles que todo mundo tem.

postado por claudia (12:34 AM) | escreva também (1)

July 24, 2007

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carta ao futuro.jpg

postado por claudia (12:40 AM) | escreva também (0)

July 16, 2007

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O coração não tem cérebro. Ele apenas resolve bater mais forte diante de algo sem explicação. Porque não tem como explicar, afinal, ele não pensa. Você é que pensa tudo ao contrário: acha o feio, bonito; o improvável, uma probabilidade, o engraçado, encantador. Aí não tem jeito e nem escolha: o coração abduz a cabeça, faz ela acreditar que é e sempre será. Depois ele reclama trazendo dias e noites de dores catastróficas, causando um infarto ilusório. Lá vem ele apertar o peito, induzir os olhos às lágrimas, o sono ao pesadelo.

O coração é malvado, cruel. É por isso que ele matou meu pai: o homem que mais amou na vida. Ele amava músicas, palavras, mulheres, as filhas, o pai, os irmãos. Ele também amava rodinha de violão. Não sabia cantar, mas tentava. Tudo só porque o coração mandava.

É. O coração. O órgão que em vez de bater, deveria poder levar uma surra para não fazer isso com a gente.

postado por claudia ( 6:24 PM) | escreva também (0)

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claudias.jpg

Marque um xis
naquela que você quer
ver feliz.

Ela não vê a hora de sentir a paixão
fazer um filho
amar sem perder a razão.
Portanto
jogue fora o egoísmo
não deixe-a à beira do abismo
não use-a como porto seguro
para barco a deriva
como voz no silêncio
palavras em páginas em branco.

O que você me diz
de marcar um xis
naquela que você quer
ver feliz?

postado por claudia ( 2:19 AM) | escreva também (0)

July 11, 2007

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O quarto mudou.
O quarto está de quatro
com os quatro cantos
guardados.
Tudo no mesmo lugar
(mas parece fora)
de um lugar que vivi
horas e horas e horas.
Meu quarto
está de fato
silencioso
e intacto
desde que meu corpo
esqueceu o ato.

postado por claudia (11:27 PM) | escreva também (1)

July 10, 2007

» bilhete à mão

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Sempre que um dia passa, tudo passa junto. As tristeza e até as alegrias se vão. Uma dá lugar a outra. Uma toma o espaço como criança que sai da cadeira e ouve da outra que se apodera do assento ainda quentinho: "Foi pro ar, perdeu o lugar!". Desviou o pensamento, dormiu, sonhou, viu o relógio girar seus ponteiros e pronto: tudo se foi e lá vem outra coisa tomando os espaços (MENOS VOCÊ).

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postado por claudia ( 3:07 PM) | escreva também (1)

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Hoje a vida me confundiu. Eu tinha prometido a ela que não faria planos e, quando vi, os tinha feito. Um a um, quase milimétricos, fazendo a vida mudar de direção. Voltar à direção. Tirar a direção dela própria. Bastaram alguns segundos para a possibilidade ir embora – eu nem tinha me dado conta de que tudo poderia não acontecer. E tudo, todas aquelas coisas que me faziam sentir mal vieram a tona: poucas, mas cruéis perguntas, dúvidas, enfim, eu havia saído novamente do meu corpo e me doado à outro. Eu havia esquecido de mim. Eu estava de volta ao meu passado que se repete e se repete, repentinamente.

Eu chorei. Mas não quis chorar sozinha. Contei tudo a uma estranho, assim, em poucas linhas, praticamente um bilhete. Mas não contei que não tenho olhado para o meu corpo. Que não tenho sentido ele. E que têm coisas que não fazem sentido. Não contei o quanto não acredito. E o quanto já quis acreditar. Não falei sobre as dúvidas que vi em seu rosto, nem da mudança repetina como se outra tivesse surgido e levado a Claudia presente embora. Não falei nada disso, porque de nada disso tenho certeza. E isso significa que tenho dúvidas. E não quero ter dívidas. Já tenho muitas dívidas comigo, por todas as vezes que eu errei, que sofri, que não entendi, que sonhei sem saber que nem estava dormindo.
Estou sofrendo, mas isso acaba logo. Vou olhar para frente, para o espelho, para a vida. E desejo que as nossas vidas acreditem nelas mesmas. E nos tragam amor, amor, amor sempre.

(Eu sabia que não teríamos as nossas fotografias onde a vida pudesse ver.)
(Desculpa por escrever tanto.)
(Desculpa por tudo.)

Com amor que existe e com o afeto para sempre,
Eu.

Porto Alegre, cedo da minha noite, tarde da sua de 2007.

postado por claudia (12:23 AM) | escreva também (0)

July 8, 2007

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postado por claudia ( 6:47 PM) | escreva também (0)

July 5, 2007

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postado por claudia (10:49 PM) | escreva também (1)

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Eu nem fui dormir ainda e dentro de poucas horas você deve estar acordando. Eu iria entrar nos seus sonhos, mas esqueci de fazê-lo, pois comecei a ver um filme. Um filme que me fez lembrar de nós, pensar na paixão. Que me fez despertá-la e lembrar de como eu gostaria que todas durassem para sempre. Uma a uma, para sempre. Senti uma coisa que já havia descoberto a tempos, mas que não é fácil sentir. Sentir que a capacidade de me apaixonar é minha. Você pode nunca mais voltar, nunca mais me tocar, você pode esquecer, trocar a minha noite pelo seu dia, mas a paixão sempre estará lá. Simplesmente, porque a capacidade de vivê-la está em mim, enraizada, forte e presa bem lá no fundo. E é por isso que, mesmo depois de um dia cansativo, esta mulher que parece forte e que é vista como dura e racional, é capaz de entrar em uma locadora e escolher um filme idiota com mocinhos e mocinhas que nascem com seus scripts debaixo do braço recheados de finais felizes. Ah, tivemos dias assim: felizes. Com cenas de filmes idiotas quando nos encontrávamos no meio do apartamento e uma valsa surgia em cada corpo durante 15 segundos. Quando eu abria a porta e sempre tinha você fazendo uma surpresa. Quando o telefone tocava e, do outro lado da linha, ouvia uma palavra inventada ou até uma língua que só os bobos apaixonados são capazes de decifrar. É por isso, por essas coisas tão idiotas aos olhos dos imbecis, que eu queria que a paixão nunca acabasse. De fora para dentro, que ela nunca acabasse. Que nunca nada, nada ficasse no ar. Que todos pudessem se reinventar todos os dias e repetir aquilo que os une. E é por isso que escrevo cartas assim. E saiba, que mesmo quando elas não chegarem, a capacidade da paixão estará dentro de mim, esperando sempre por um novo roteiro, uma nova música feita para o personagem, um novo papel em filmes assim.
É por isso, querido, é por isso que a distância não existe em mim.

PS.: eu estava escrevendo esta carta e um vento veio a arrancou a folha da minha frente e levou tudo para longe feito um avião de papel. Tive que tentar reescrevê-la e consegui porque como disse, a paixão estará sempre em mim.

Porto Alegre, hoje que já é amanhã de 2007.

postado por claudia (12:43 PM) | escreva também (1)

July 1, 2007

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Querido,
Meu fim de semana sem você não passou de mais um fim de semana sem você. Isso significa que pensei muito em nós e, por incrível que pareça, mantive meu coração tranquilo e cheio de certezas. Claro que o que me ajudou com que eu encontrasse serenidade foi um livro que me encontrou no aeroporto. Ele olhou para mim e pediu que eu o levasse comigo. E, na decolagem do avião, em vez de pai-nossos e ave-marias, foram as palavras do livro que eu repetia para mim. Li dezenas de páginas durante o vôo e, quando estava concentrada em uma delas, a aeromoça aproximou o rosto do meu ouvido e falou como se fosse um segredo: -Eu li essse livro hoje! Quando olhei para ela, vi um sorriso sereno com uma intrínseca alegria de viver. Ela estava, apenas, me dando um recado, dizendo para eu ir adiante, ir até o fim.
Quando cheguei ao destino, foi tudo como eu esperava: abraços, lágrimas, saudades, energia infantil. Mas era o livro que continuava em meu pensamento e tudo o que eu dizia estava em cada página. E percebi que tudo o que vivi até hoje também está impresso lá. Uma serenidade incompreensível mesclada a uma força inesgotável tomou conta de mim e entreguei tudo ao universo. Ao nosso universo, ao universo que somos. Eu tive muitas certezas ao olhar para trás. Ao analisar tudo o que houve. Eu vi tudo muito claro. Eu entendi, simplesmente tudo, feito criança quando aprende a ler – um mundo novo se abre e nunca mais desaparece. Depois, incrivelmente, vieram alguns sinais. Alguns deles que ainda tento decifrar. Eles vieram durante o sono e quando sintonizei a TV em um canal qualquer. Eis que neste momento começa um filme que eu já tinha visto e se passava em Toscana. Assisti todo o filme, novamente em silêncio, pensando em minha vida, no livro e no lugar em que eu estava. E eu me emocionava sozinha e sentia uma gratidão imensa. Difícil de explicar (mas fácil de entender).
Hoje, quando o avião baixou seu trem de pouso e eu o senti tocar na pista, tudo o que eu mais queria, era chegar com esta carta para pô-la no Correio (pois como eu disse no último postal, passaria 2 dias sem acesso). Eu só queria poder contar, mesmo sem detalhes, todas essas coisas novas que aconteceram em uma viagem anual que faço sempre. Desta vez foi diferente, desta vez muita coisa foi única. Eu pude me sentir. Pude entender tanta coisa que estava bem debaixo do meu nariz faziam décadas. Uma simples viagem de meros dois dias e 197 páginas puderam traduzir todo o livro da minha vida que vai ter continuidade, agora, sem precisar de traduções.
Foi isso que aconteceu, querido. É isso que acontece comigo agora.

Minha Viagem, 01 de julho de um fim de semana deste Ano.

postado por claudia (11:39 PM) | escreva também (1)