
Eu não quero morrer aos poucos:
quero morrer de vez.
Pode ser com um vidro de calmantes
talvez.
Ou pode ser dormindo
pode ser sorrindo
pode ser até um apagão nas lembranças cruéis
ao levar um tiro na cabeça
para que eu, enfim, esqueça.
Nunca quis morrer assim:
com dores e dores repetidas
nem com frases mortas-morridas.
Não posso suportar o soro pingando
a luz que não se apaga
as surpresas dos exames de sangue
das radiografias
e as cicatrizes feridas.
Eu não quero morrer
(mas essas doses fortes de amores sempre nos matam).
Quem escreveu
Não quero morrer minha paz
Despojada em um abraço
Em um beijo passado
Não quero morrer meus lábios
Ardendo
Na tua saliva fervendo
Não quero morrer sofrendo
Em um corpo ausente e alheio
Não quero morrer sem freio
Não quero morrer meus dias
Na alegria desfeita
Nas olheiras de uma noite amarga
Não quero morrer minha madrugada
Meu resto de lua
Na tua agonia
Crussificada em minha presença
Não quero morrer agora
Mas quero ir embora
postado por: everton | June 14, 2006 6:13 PM