January 30, 2006
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Santiago do Chile.05
Inicio a prece
num ritual de fé.
Acendo velas
(são a luz do jantar)
e de joelhos
entrego meu corpo
como oferenda.
Não cruzo os braços
(só as mãos)
e sussurro a oração
ao pé do seu ouvido.
Peço um sinal
e, milagrosamente,
o seu amor
me cura.
Pago então
a promessa
de, para sempre,
deitar na sua cama.
January 26, 2006
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O meu amor não merece tantos erros de português
a conjugação errada
do passado
enquanto a regra aponta que é presente
que entre nós o futuro
nunca estará ausente.
Vivemos em gerúndio
todo dia
nos amando, quem diria.
Por isso, o meu amor não merece
a tristesa, a inssertesa, a traissão.
nem tantos outros erros meus
como o excesso de vírgulas
pontos finais
e o uso ininterrupto
da palavra “não.”
O meu amor não merece tantos erros da minha língua
quando ela deveria apenas permanecer
dentro da sua boca.
January 25, 2006
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Eu deveria amar você como naquele dia
como naquela noite
depois da meia-noite
em que vivemos uma noite e meia
na mais doce euforia.
Poucas vezes pude olhar nos seus olhos
a imagem minha
mas quando a vi:
meu rosto em desejos
minha boca aos beijos
guardei a imagem
como uma inesquecível melodia.
Lembro que você sussurrou no meu ouvido
ao cantar algo
que eu jamais ouviria
e de cada nota da voz rouca
do cansaço daquele dia
eu guardei o som
e o apelo
a mão no cabelo
e no corpo
a sua escondida visita.
Eu deveria amar você amanhã
depois da amanhã
e em todas as meia-noites
de ontem
como naquele dia.
January 23, 2006
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Estou montando minha casa nova.
O sofá é velho
a mesa é a mesma
o abajur vai continuar ali
até os lençóis já conhecem meu corpo.
Chave: não preciso fazer cópia
e nem trocar o endereço
das correspondências.
As paredes já estão pintadas
por nenhum outro inquilino anterior
e as portas rangem
querendo dizer a mim
quem saiu
quem foi
quem entrou
para montar uma nova casa
com o velho sofá
a antiga mesa
o abajur desligado
e os lençóis meus
sempre cheirando a nós.
January 20, 2006
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Sou um voyeur da sua vida.
Quase consigo ler os seus sonhos
de trás para frente
de baixo para cima.
Sou um vírus microscópico que entra onde você
nem imagina
e descobre as doenças
todas as chagas
e as silenciosas iras.
Tenho visões
(espionando pelas fechaduras internas)
sobre todas as suas chegadas e partidas.
Estou nos seus bolsos
na sua carteira
na agenda telefônica
na agenda sua de todos os dias
(para não estar nos seus planos futuros
para não sofrer de ilusões
ou de alegrias).
Eu sou uma espiã de filme
uma vilã de desenho animado
uma ladra profissional
uma covarde idem.
Sou um voyeur da sua vida.
Sou uma amante louca que só sabe
o que você nem imagina.
January 19, 2006
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Espero minha Tereza
como se ela tivesse ido fazer compras
hoje
mais longe.
Aguardo em demasia sentado
no sofá velho.
Tento ouvir o bater das suas sandálias
no asfalto quente
na beira da calçada
ou atravessando o jardim alheio
do vizinho para entrar
aos fundos.
Ligo a TV sem volume
e um volume se faz debaixo
de minhas roupas de baixo.
Aguardo Tereza chegar em tempo
de me pegar assim
e se aproveitar de mim.
Escurece.
Tereza não vem
com suas sacolas perfumadas
de temperos frescos
nem com beijos de outros
na boca
e perfumes alheios
misturados
ao seu suor doce.
Pego no sono.
Acordo.
Espero minha Tereza
como se ela tivesse ido fazer compras
hoje.
Mais longe.
January 17, 2006
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Inverdades
são adolescentes
depravadas
e insaciavelmente
sedentas.
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Passei a noite em claro
para ver se clareava o meu amor.
Amanheceu.
O sol bateu na janela
a porta se abriu
a luz entrou.
E eu me encontrei às cegas.
January 16, 2006
» Filmes de P.O.A. na TV II
Aqui está o segundo comercial de 30" criado para divulgar P.O.A. em POA. Se você gostou, diga alguma coisa. Se não gostou, pode dizer também. Aceitamos críticas.
January 13, 2006
» Filmes de P.O.A. na TV
Três comerciais de 30" foram criados por mim e por um dos meus queridos duplas, o Dedé, e produzidos pela Academia de Filmes para divulgar a exposição P.O.A. Os três veicularam em dezembro no SBT e na TVCom.
A exposição já acabou, mas acho que vale linkar um deles aqui para quem não viu.
Então aqui está.
January 11, 2006
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Tiro meus sapatos para entrar
(e você tira o resto).
January 10, 2006
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O lixo não é lixo.
Como jogar pela janela todas as fotografias?
E seus bilhetes e cartões comprados prontos
e aqueles que você fez com tanto esforço?
O lixo que não é lixo
é o passado que se joga fora
sozinho.
January 6, 2006
» P.O.A. em POA
Hoje encerra P.O.A - El día de las horas infinitas - na Galeria de Arte do DMAE. Até às 17:30 as 24 obras ainda estarão lá nas paredes. Para quem não foi, reproduzo a obra que abre a exposição e que tem como título o horário do primeiro e-mail que troquei com Jorge Moraga. Abaixo, o texto reescrito em português e, também, em espanhol.
A fotografia é de Marcia Cifuentes e o texto é meu.

Hoje acordei com medo de não querer mais sentir o amor.
Acordei lamentando as fugas, os medos alheios.
Acordei meio dormindo de um sonho esquisito que não lembro.
Hoje acordei com medo do medo
de não querer mais viver
pelas lembranças do sentir da dor.
Hoje acordei achando que as histórias se repetem
e elas não têm sido lidas até a última página.
Hoy desperté con miedo de no más querer sentir el amor.
Desperté lamentando las fugas, los miedos ajenos.
Desperté medio dormida de un sueño raro que no recuerdo.
Hoy desperté con miedo al miedo
a no querer vivir más
a causa de los recuerdos de sentir dolor.
Hoy desperté creyendo que las historias se repiten
y ellas no han sido leídas hasta la última página.
» aniversário comunista da schroeder (só para constar)
Contrariando o previsto, mais de três pessoas compareceram. Até a minha irmã foi. Por isso, não bebi tanto Mojito como pensei, o que não impediu, obviamente, uma suave ressaca pela manhã que se estende até agora.
Enfim, obrigada aos convidados que deram o ar da graça e que me fizeram rir muito e posar para fotos impensadas.
Até o dia 4 de janeiro do ano que vem.
January 5, 2006
» atendendo a pedidos de festa
Três pessoas comparecerão além de mim, provavelmente.
Mas eu não farei uma revolução por isso.
Só beberei Morritos por quem não for.

Atençâo para a ficha técnica do flyer:
Direção de Arte - Dedé Menna
Redação - Menezes
January 3, 2006
» os pedidos de festa
Apesar da data difícil (muitos estão na praia, de férias ou curando a ressaca do ano novo) todo ano eu recebo mensagens, e-mails ou telefonemas antecipados pra saber se eu vou fazer alguma coisa no meu aniversário.
Este ano não foi diferente. Cheguei ontem (da ressaca do ano novo) e alguns e-mails e recados estavam lá, me esperando. E hoje o Menezes, mesmo sentando praticamente do meu lado, fez a mesma pergunta por e-mail(não, isso não quer dizer que ele não seja criativo) e eu respondi.
Menezes:
Oi Claudia,
Vai ter festinha amanhã?
Tem que ter festinha. Festinha com convidados, presentes, parabéns, idiotas atropelando o parabéns de propósito. Festinhas que ficam cool por rolar bolo com velas, já que é tão fora de propósito que já é legal.
Claudia:
Pois é. Todo ano eu penso em fazer nada. Aí recebo meia dúzia de e-mails pedindo que eu faça.
Aí eu convido essa meia dúzia e mais um pouco pra ir em algum lugar. Aí menos de meia dúzia vai (quase sempre quem insistiu, acaba não indo. Até a minha irmã fica sem aparecer. Quase sempre alega uma formatura em que ela é paraninfa) e fora que sempre chegam uns que eu não conheço: avulsos de amigos avulsos.
De vez em quando eu ganho presentes legais, outras ganho quase nada (exceto um depósito materno que sempre beira os 300 Reais), e sou eu que acabo me presenteando.
Aliás, alguma idéia pra eu me dar de presente?
Enfim, voltando à festinha, estou aberta a sugestões, contanto que tu vá.
Mas não precisa me dar presente que eu já tenho uma bela caneta.
(ps.: semana passada o Menezes me deu uma bela caneta)
Menezes:
Agora que tu já esteve no Chile, fica bastante difícil. Um visto para entrar na Alemanha? Acho que as 300 pratas da tua mãe pagam ao menos a ida até São Paulo para choramingar um passaporte europeu no consulado germânico.
Claudia:
Pra ir pra Alemanha, eu teria que roubar o dicionário do Renato*, senão não teria como pedir um mísero copo d´água por lá.
Pensei em trocar de carro ou de sexo.
Acho que o último seria mais lucrativo.
*Renato: assistente do nosso atendimento que tem um dicionário de alemão na mesa para poder traduzir os mais esdrúxulos palavrões que o Menezes manda pra ele.
E vocês? Alguma outra sugestão mais provável?
Aceito comentários e e-mails. Só não me liguem porque estou ocupada. De pré-aniversário ganhei duas campanhas praticamente se/me atropelando.
» todo ano é a mesma coisa
Amanhã às 22:30, eu vou nascer de novo.