December 16, 2005

pequena mostra de P.O.A.

Abaixo, algumas obras de P.O.A. que inaugurou ontem. Transcrevi os textos de cada um para que possam ser lidos. Se você etsiver em POA, poderá ver ao vivo as 24 obras na Galeria de Arte do DMAE até dia 6 de janeiro.

sexo.jpg
Sexo, sexo.
Tudo é sexo.
A ponta da caneta no papel é sexo.
A chuva no paralelepípedo é sexo.
A fita entrando no videocassete é sexo.
O traseiro da panela na boca do fogão é sexo.
Tudo é sexo
com reprodução.

anjo.jpg
Está faltando espaço pra tanto
meu corpo não cabe na cama
quero o céu mais uma vez
no meu abraço cabem três.
Está faltando pulmão para o meu ar
sobrando palavras para esta canção
tem muita música para pouco violão
muita onda pro mesmo mar.
Para a população falta paraíso
falta agulha pro carretel
não tem abelha para tanto mel.
Está faltando que você entenda
que sobra muito do eu
e pouco de nós.

bresson.jpg
Hoje estou meio assim, sem poesia
mas feliz.
Hoje estou meio cansado, sem rima
mas pra cima.
Hoje escrevi sem mágica, sem encanto, sem pranto
mas estou completamente preenchido.
Hoje acordei, vim e fiquei e vi
mas não parti.
Hoje, hoje e hoje.
Um belo dia para descansar de todos os ontens.

receita.jpg
Saquinhos de chá na mesa da cozinha.
Colher de pau mexendo sozinha.
O cheiro do tempero da carne branca
como tua tez transparente, Bianca.
Pega a faca
corta a cebola
fatia o tomate
rala a cenoura
põe sal e amor.
Põe só amor se não tiver sal.
Chama do fogão acesa
pano de prato sob a carne de coelho.
Cheiro verde, azul, amarelo, vermelho.
Pimenta-do-reino,
do teu reino, princesa.
Abóbora cortada
laranja inteira
orégano, coentro, noz-moscada
você cantando faceira.

Põe mais uma pitada de amor,
do teu amor a mim
deixa eu comer esse amor ao prato
com gostinho de alecrim.
Óleo, vinagre, um copo de vinho,
duas colheres de nata,
caldo de carne, carinho
a sede d’água bebendo no copo
do teu corpo.
Bianca, capricha na fervura,
deixa esquentar a panela
borbulhar minha loucura
cozinha a vitela
e me serve assim.
Depois vem comigo aqui na sala
tomar um chá de jasmin
sem adoçante ou açúcar
só o teu cheiro em mim.

fotos.jpg
As fotos têm tido a exaustiva capacidade de me teletransportar.
Cada vez que olho para uma delas
sinto meu corpo se desintegrar
e ir para a imagem roubada do lugar.
As câmeras fotográficas são ladrões,
as fotos são a prova do crime e eu lá, feito vítima,
impressa no papel brilhante
(e você, coadjuvante.)
A paisagem, pobre paisagem
partida
e uma das partes aqui,
comigo.
E todas as fotos,
incrivelmente todas,
conseguem dizer a mim o que senti naquela hora.
Conseguem lembrar o calor, o frio
a emoção.
E a dor indescritível
de estar no meio de tanta beleza.

anjocor.jpg
Tenho um punhado de pincéis e uma aquarela
dá até pra pintar uma janela.
Pode ser pink, turquesa, limão
ou uma cor reinventada
e não preciso de mais nada.
Mas quando eu abro as venezianas
vejo as mesmas cores lá fora.
Não sei o que é janela
não sei o que é paisagem agora.



Quem escreveu

Fantásticas!!!
Uma integração tão perfeita que, num dado momento, já não sei mais o que é imagem e o que é letra.
Meus olhos pedem: mais!
Claudia e Jorge, parabéns à voces!
Obrigada por momento tão extasiante!
Beijo grande... na alma!

Tô pensando em fazer um protesto, uma passeata, um tumulto (nada de mais, coisa simples, as 18hs, de uma sexta-feira, na Av.Paulista...rs), para pedir P.O.A em Sampa. Por quê não???

É... falar o quê. Ao menos tenho uma mini-POA na tela, pra sonhar com a obra completa.

Queridos,
sejam bem-vindos neste mini-POA.

Ivone,
faça o protesto. Não custa tentar.:)

Beijos aos dois.

sozinha num mundo de falsidade,sem amigas falsas para conversar...

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