atendendo a pedidos
Apesar de um dos links do meu site ter sido dedicado, exclusivamente, ao Projeto P.O.A., e em outros posts eu ter falado sobre ele, vou explicar aqui do que se trata. Afinal, tudo está acontecendo, pela primeira vez, no Brasil, mais especificamente em Porto Alegre, e tem muita gente perguntando o que é. E é meio complicado de explicar porque é uma longa história. Mas esta parte – a história – é que faz tudo ficar interessante.
Bem, tudo começou quando conheci o artista plástico chileno Jorge Moraga quase que por acaso. Ele deixou uma singela pintura de presente com o seu e-mail no verso. Para agradecer, respondi o e-mail. O replay veio dizendo que sabia que eu escrevia e que gostaria de receber um de meus textos. Enviei o primeiro e ele gostou pedindo mais um. E mais um. E mais um. Dias depois, Jorge pediu permissão para fazer pinturas digitais com meus textos. Claro que sim – respondi – sem fé nenhuma de que ia dar em alguma coisa.
Tempos depois recebi via Sedex um “livro” (ele chamou de livro) sem grampo ou lombada, o qual podia ser visto em qualquer ordem, chamado “Anjo Na Rua Lua Nua” com belas fotos e intervenções com partes de meus textos. Achei muito lindo, mas pensei que tal coisa ficaria ali na minha sala, em alguma estante.
O problema (ou a solução) é que Jorge é uma daquelas pessoas que fazem acontecer. Daquelas que pegam qualquer coisa que você não dá o mínimo valor e transforma em arte. Que acredita e mobiliza pessoas e depois apenas comunica:
“O curador da Casa de Cultura de El Bosque ficou fascinado com as obras e quer fazer uma exposição aqui no Chile. Outros artistas também querem participar e eles são da Argentina, Colômbia, Alemanha e aqui do Chile. Alguns são renomados, outros são desconhecidos. Todos gostaram muito dos seus textos. Faremos lindos painéis em impressão digital com 60cmx60cm. Além disso, o projeto é inédito: fizemos tudo por e-mail sem conhecer quase ninguém pessoalmente.”
Sim, eu não tinha percebido o ineditismo da coisa. Tínhamos feito arte pela internet. Quase ninguém se conhecia (e ainda não se conhece). Tudo foi desenvolvido em menos de um ano. Fotógrafos, inspirados em textos foram em busca de imagens. Imagens já prontas casaram com textos já prontos. Textos foram criados a partir de pinturas digitais e não digitais. E Jorge juntou tudo isso e pronto: P.O.A. – Pacífico Oceano Atlântico – El Día de las Horas Infinitas nasceu.
Agora você deve estar se perguntando: porque P.O.A.? O que significa “Pacífico Oceano Atlântico” e o que querem dizer com “ O Dia das Horas Infinitas”?
Bem, vamos por partes porque Jorge é um poeta. Porque Jorge diz que tudo tem sentido e quando algo não tem, ele trata de encontrar algum.
P.O.A. – porque nos conhecemos em POA, apesar da sigla, neste caso, não significar a cidade.
Pacífico Oceano Atlântico – Ah, agora sim. P.O.A. significa a união dos oceanos onde está Porto Alegre e Santiago do Chile. Jorge diz que quando nos encontramos e começamos a fazer arte, unimos as águas.
O Dia da Horas Infinitas – porque são 24 obras, uma para cada hora do dia. E o dia começa na hora 9:10, porque foi esse o horário em que Jorge recebeu meu primeiro texto por e-mail.
E porque “infinitas” ? Porque o dia é imaginário: inicia às 9:10 e termina às 32:10 e a idéia é que o projeto P.O.A tenha a sua parte II e III e assim sucessivamente, para que todos tenham chance de participar, independente de raça, nacionalidade, sexo, idade ou o que for. Basta que a sua “arte” seja bela e universal. “Infinito” também, porque o projeto é itinerante: em outubro nasceu em Santiago do Chile, agora em dezembro estará em Porto Alegre e no ano que vem vai a Berlim. Depois, só Deus e Jorge sabem (ou nenhum dos dois).
Bem, toda a história não acaba por aí. Mas acho que é o suficiente. Se não foi suficiente, é só aparecer na Galeria de Arte do DMAE entre 16/12 e 06/01. Vai estar tudo lá. E se foi suficiente e explicação, vá mesmo assim para ver o Projeto ao vivo. Esse novo jeito de viver e pensar arte agradece.
Quem escreveu
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
postado por: Vinicius de Moraes | December 12, 2005 6:56 PM