December 29, 2005
» P.O.A. também no jornal do povo
Dia 27 saiu no Diário Gaúcho. Agora a visitação vai bombar.
December 27, 2005
»

Você pensa que não o faço?
Eu também mando flores para ela
e fico com o coração em pedaços.
Eu finjo que não falo
eu escrevo e apago
eu recebo e sorrio
eu vou atrás e ensaio.
Você pensa que não o faço?
Eu apenas disfarço
dando em você
no fim do dia
um doce abraço.
December 26, 2005
» seria uma bela paisagem para o natal

O Chile foi um dos presentes que me dei antecipadamente.
Estimulada, claro, pela inauguração primeira de P.O.A. em Santiago.
December 22, 2005
»
Tantos cartões de Natal iguais
tantos desejos
e pedidos repetidos
e não atendidos
atirados ao mar.
Tantas fitas do Bonfim
e do cabelo
e fitas de driblar.
Tantos abraços de mentira
e palavras reunidas
dizendo a mesma coisa.
Tantas chaminés enfeitadas
e portas abertas
e comerciais
na TV sempre ligada.
Tantas ceias grandiosas
e beijos mal dados no rosto
lembranças de desgosto
e fé insana.
Tanto e tanto vermelho e branco
e barba comprida
e fotografia
e sacola
e a angústia
do cheque pré-datado.
Tanta coisa mútua nossa
tentando reviver a alegria passada
da infância.
Ah, eu só quero um feliz Natal feliz
acordado.
December 21, 2005
» meus seres


Fêmea e macho
branco e cinza
carinhoso e arisco
comilão e petisco
arranha e morde
aparece e esconde
bebe água na pia
enterra a comida.
Um e outro.
Outro e um.
Gatos: o que seria de mim sem eles?
December 20, 2005
»
1 ano de beijo
365 dias de abraço
(2 horas e pouco, no máximo).
Alguns minutos de despedida
na frente de casa
- a moda antiga -
seguidos
de mais de 3 meses de saudade.
Introspectiva
retrospectiva.
December 19, 2005
»

Não suporto mais dizer a mesma coisa a você.
As palavras que são santas
me engasgam a garganta.
Só queria não sentir
o que escrevo.
»
Eu só queria você entre as pernas agora.
Você em meu ventre
desse seu jeito diferente
de me lamber tanto
de compartilhar comigo
o pranto
de me comer ao prato
depois pegar a estrada
mas ficar dentro de mim, de fato.
Eu só queria você no meu peito agora
e sentir tuas mãos verificando o quanto
o coração bate
cheio de taquicardias infantis
e querer mais mãos em cada peito
que você ama tanto
quando estamos no leito.
Eu queria mais dias febris
lençóis sujos de nós
nós no cabelo longo
no meu e no seu
e um sorriso
que um dia se perdeu.
Eu só queria você agora
lambendo minha língua
buscando água sem gás.
Eu queria deixar o mundo
para trás
e dizer pra mim:
ô menina, se ele é ou não
tanto faz.
Eu queria tanto agora
mas isso ainda demora
mais.
December 16, 2005
» pequena mostra de P.O.A.
Abaixo, algumas obras de P.O.A. que inaugurou ontem. Transcrevi os textos de cada um para que possam ser lidos. Se você etsiver em POA, poderá ver ao vivo as 24 obras na Galeria de Arte do DMAE até dia 6 de janeiro.

Sexo, sexo.
Tudo é sexo.
A ponta da caneta no papel é sexo.
A chuva no paralelepípedo é sexo.
A fita entrando no videocassete é sexo.
O traseiro da panela na boca do fogão é sexo.
Tudo é sexo
com reprodução.

Está faltando espaço pra tanto
meu corpo não cabe na cama
quero o céu mais uma vez
no meu abraço cabem três.
Está faltando pulmão para o meu ar
sobrando palavras para esta canção
tem muita música para pouco violão
muita onda pro mesmo mar.
Para a população falta paraíso
falta agulha pro carretel
não tem abelha para tanto mel.
Está faltando que você entenda
que sobra muito do eu
e pouco de nós.

Hoje estou meio assim, sem poesia
mas feliz.
Hoje estou meio cansado, sem rima
mas pra cima.
Hoje escrevi sem mágica, sem encanto, sem pranto
mas estou completamente preenchido.
Hoje acordei, vim e fiquei e vi
mas não parti.
Hoje, hoje e hoje.
Um belo dia para descansar de todos os ontens.

Saquinhos de chá na mesa da cozinha.
Colher de pau mexendo sozinha.
O cheiro do tempero da carne branca
como tua tez transparente, Bianca.
Pega a faca
corta a cebola
fatia o tomate
rala a cenoura
põe sal e amor.
Põe só amor se não tiver sal.
Chama do fogão acesa
pano de prato sob a carne de coelho.
Cheiro verde, azul, amarelo, vermelho.
Pimenta-do-reino,
do teu reino, princesa.
Abóbora cortada
laranja inteira
orégano, coentro, noz-moscada
você cantando faceira.
Põe mais uma pitada de amor,
do teu amor a mim
deixa eu comer esse amor ao prato
com gostinho de alecrim.
Óleo, vinagre, um copo de vinho,
duas colheres de nata,
caldo de carne, carinho
a sede d’água bebendo no copo
do teu corpo.
Bianca, capricha na fervura,
deixa esquentar a panela
borbulhar minha loucura
cozinha a vitela
e me serve assim.
Depois vem comigo aqui na sala
tomar um chá de jasmin
sem adoçante ou açúcar
só o teu cheiro em mim.

As fotos têm tido a exaustiva capacidade de me teletransportar.
Cada vez que olho para uma delas
sinto meu corpo se desintegrar
e ir para a imagem roubada do lugar.
As câmeras fotográficas são ladrões,
as fotos são a prova do crime e eu lá, feito vítima,
impressa no papel brilhante
(e você, coadjuvante.)
A paisagem, pobre paisagem
partida
e uma das partes aqui,
comigo.
E todas as fotos,
incrivelmente todas,
conseguem dizer a mim o que senti naquela hora.
Conseguem lembrar o calor, o frio
a emoção.
E a dor indescritível
de estar no meio de tanta beleza.

Tenho um punhado de pincéis e uma aquarela
dá até pra pintar uma janela.
Pode ser pink, turquesa, limão
ou uma cor reinventada
e não preciso de mais nada.
Mas quando eu abro as venezianas
vejo as mesmas cores lá fora.
Não sei o que é janela
não sei o que é paisagem agora.
December 15, 2005
» P.O.A. em ZH
Hoje na contracapa.
December 14, 2005
» faltam 24 horas para O Dia das Horas Infinitas
Ontem Jorge Moraga chegou do Chile.
Hoje passei a tarde com ele na montagem da exposição.
P.O.A. é amanhã.
December 12, 2005
» atendendo a pedidos
Apesar de um dos links do meu site ter sido dedicado, exclusivamente, ao Projeto P.O.A., e em outros posts eu ter falado sobre ele, vou explicar aqui do que se trata. Afinal, tudo está acontecendo, pela primeira vez, no Brasil, mais especificamente em Porto Alegre, e tem muita gente perguntando o que é. E é meio complicado de explicar porque é uma longa história. Mas esta parte – a história – é que faz tudo ficar interessante.
Bem, tudo começou quando conheci o artista plástico chileno Jorge Moraga quase que por acaso. Ele deixou uma singela pintura de presente com o seu e-mail no verso. Para agradecer, respondi o e-mail. O replay veio dizendo que sabia que eu escrevia e que gostaria de receber um de meus textos. Enviei o primeiro e ele gostou pedindo mais um. E mais um. E mais um. Dias depois, Jorge pediu permissão para fazer pinturas digitais com meus textos. Claro que sim – respondi – sem fé nenhuma de que ia dar em alguma coisa.
Tempos depois recebi via Sedex um “livro” (ele chamou de livro) sem grampo ou lombada, o qual podia ser visto em qualquer ordem, chamado “Anjo Na Rua Lua Nua” com belas fotos e intervenções com partes de meus textos. Achei muito lindo, mas pensei que tal coisa ficaria ali na minha sala, em alguma estante.
O problema (ou a solução) é que Jorge é uma daquelas pessoas que fazem acontecer. Daquelas que pegam qualquer coisa que você não dá o mínimo valor e transforma em arte. Que acredita e mobiliza pessoas e depois apenas comunica:
“O curador da Casa de Cultura de El Bosque ficou fascinado com as obras e quer fazer uma exposição aqui no Chile. Outros artistas também querem participar e eles são da Argentina, Colômbia, Alemanha e aqui do Chile. Alguns são renomados, outros são desconhecidos. Todos gostaram muito dos seus textos. Faremos lindos painéis em impressão digital com 60cmx60cm. Além disso, o projeto é inédito: fizemos tudo por e-mail sem conhecer quase ninguém pessoalmente.”
Sim, eu não tinha percebido o ineditismo da coisa. Tínhamos feito arte pela internet. Quase ninguém se conhecia (e ainda não se conhece). Tudo foi desenvolvido em menos de um ano. Fotógrafos, inspirados em textos foram em busca de imagens. Imagens já prontas casaram com textos já prontos. Textos foram criados a partir de pinturas digitais e não digitais. E Jorge juntou tudo isso e pronto: P.O.A. – Pacífico Oceano Atlântico – El Día de las Horas Infinitas nasceu.
Agora você deve estar se perguntando: porque P.O.A.? O que significa “Pacífico Oceano Atlântico” e o que querem dizer com “ O Dia das Horas Infinitas”?
Bem, vamos por partes porque Jorge é um poeta. Porque Jorge diz que tudo tem sentido e quando algo não tem, ele trata de encontrar algum.
P.O.A. – porque nos conhecemos em POA, apesar da sigla, neste caso, não significar a cidade.
Pacífico Oceano Atlântico – Ah, agora sim. P.O.A. significa a união dos oceanos onde está Porto Alegre e Santiago do Chile. Jorge diz que quando nos encontramos e começamos a fazer arte, unimos as águas.
O Dia da Horas Infinitas – porque são 24 obras, uma para cada hora do dia. E o dia começa na hora 9:10, porque foi esse o horário em que Jorge recebeu meu primeiro texto por e-mail.
E porque “infinitas” ? Porque o dia é imaginário: inicia às 9:10 e termina às 32:10 e a idéia é que o projeto P.O.A tenha a sua parte II e III e assim sucessivamente, para que todos tenham chance de participar, independente de raça, nacionalidade, sexo, idade ou o que for. Basta que a sua “arte” seja bela e universal. “Infinito” também, porque o projeto é itinerante: em outubro nasceu em Santiago do Chile, agora em dezembro estará em Porto Alegre e no ano que vem vai a Berlim. Depois, só Deus e Jorge sabem (ou nenhum dos dois).
Bem, toda a história não acaba por aí. Mas acho que é o suficiente. Se não foi suficiente, é só aparecer na Galeria de Arte do DMAE entre 16/12 e 06/01. Vai estar tudo lá. E se foi suficiente e explicação, vá mesmo assim para ver o Projeto ao vivo. Esse novo jeito de viver e pensar arte agradece.
» enfim
Material atrasado. Má impressão (no sentido literal da palavra). Prazo estourando. Problemas. Soluções. Mas vai sair. Não com perfeição, mas vai.
Arte é arte.

December 9, 2005
»

Luz. É tudo o que eu preciso hoje.
December 7, 2005
»

Almofada, esteira de palha
amor deitado na rede úmida da maresia.
Ele sorrindo
eu, poesia.
[trecho de "De Frente Para o Mar". Está em P.O.A.- Pacífico Oceano Atlântico. El Día De Las Horas Infinitas]
December 5, 2005
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Ele e ela
um afim
o outro
assim.
Um dorme
ou outro sonha
um dança
o outro briga
um corre
o outro anda
um ri
o outro chora
um falta
o outro ama.
Ele e ela
um, enfim
e o outro
sim.
December 2, 2005
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Lembra o quanto as gérberas demoraram a morrer?
Você viu o quanto o perfume vai demorar para acabar?
E os dizeres do espelho duraram dois dias!
Os bilhetes, estes as traças não se atrevem a traçar.
As fotografias ficarão para sempre no disco rígido
em praça pública virtual
em cópias em papéis
CDs
e demais arquivos vivos.
Nem as mensagens – meu celular se recusa a apagar.
Duração duradoura das coisas tuas.
Nossas.
Nossa! Como poderiam ser infinitos os nossos sonhos
na mesma cama.