November 30, 2005

»

bie-a cozinha perfeita.jpg
[bienal.05]


Beijo sabor azeite de oliva
vinho e vinho
ela viva.
Fogão pegando fogo
pratos na mesa
intactos
pós-não sobremesa.
Água, água, água
chia fora da chaleira.
Acabou a vela
tudo se derreteu.
Tempero nunca faltou
nem apetite.
O que não se percebia era o valor
do amor ao prato
simples.

postado por claudia ( 5:07 PM) | escreva também (2)

November 29, 2005

»

as janelas.jpg

Abra a janela pra mim
para ver-te passar.
Desejo que pare
e bata na porta
mas se não o fizer
não importa.
Quero ver o vento fazer as venezianas
baterem palmas
a minha espera
enquanto espero
que você abra
toda
a janela.

postado por claudia ( 8:55 AM) | escreva também (5)

November 25, 2005

» definições da vida - parte I

amor
do Lat. Amore
s. m.,
viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objeto da nossa afeição;
paixão;
afeto;
inclinação exclusiva;

- oblativo: amor dedicado a outrem;


afinco
de afincar, por deriv. regres.
s. m.,
aferro;
assiduidade;
pertinência;
insistência;
diligência.


verdade
do Lat. Veritate
s. f.,
qualidade do que é verdadeiro;
qualidade pela qual as coisas se apresentam tais como são;
realidade;
coisa certa e verdadeira;
boa-fé;
sinceridade;
princípio exato;
representação fiel;
caráter próprio;
conformidade do que se diz com o que é.

postado por claudia ( 4:49 PM) | escreva também (0)

November 23, 2005

»

prédio mov.jpg

O mundo não pede tanta velocidade assim
mas você, sim.
Chegar antes
conquistar todas
dominar o tudo
ser rei
ser mágico
(algo trágico).

O relógio tem os mesmos ponteiros
nossos.
Despertamos ao mesmo tempo
(e você quer dormir mais
mesmo tendo pressa, pressa,
eu presa).

No fim das badaladas
os tempos se encontram:
faz frio
vento
sol
neve
gelo.
E o meu tempo
vê que passou pensando
mesmo sem tempo
e com tempo perdido.

Enquanto você corre
tentando ultrapassar o tempo
eu insisto em segurá-lo
em tempo.

postado por claudia ( 4:00 PM) | escreva também (3)

November 22, 2005

»


Quando deito com meu corpo
não quero mais nada.
Me amo como posso
esfrego as partes nuas
nas partes minhas.

Sufoco.

Volto ao ar do meu respirar
e envolvo o peito
em meus abraços
espremo as pernas
no mais árduo cansaço.

Gozo.

postado por claudia ( 4:23 PM) | escreva também (1)

» de volta

Peço desculpas aos que acharam que seus PCs estavam dando pau. Aos que pensaram que eu tinha abandonado o barco. Aos que deduziram que tinha acabado a minha vontade de escrever aqui. Aos que sonharam que eu tinha deixado de existir. Aos viciados por palavras que sofreram com uma abstinência de apenas 3 dias.

O domínio havia expirado. E meu e-mail não avisou.

Agora tudo volta ao normal. Apesar de nada nunca ser igual ao antes.

postado por claudia ( 4:13 PM) | escreva também (2)

November 18, 2005

»

Um dia acordo triste
depois esqueço
rio e me divirto
com caras que ainda mal conheço.
Outro dia acordo cedo
me atraso
visto a roupa que não quero
passo horas em reuniões infinitas
no fim eu rio
depois fico um pouco aflita.
Outro dia acordo rindo
e saio com meu laptop
pronto para receber palavras
idéias
e e-mails.
Lembro de amores
e anseios
e de aventuras juvenis
em noite de bêbados
que nunca esqueço.
E de novo sorrio
e me divirto com caras
que ainda mal conheço.


post-it pedro.jpg

post-it dedé.jpg

postado por claudia ( 1:27 PM) | escreva também (1)

November 17, 2005

» tempos

I.
Enquanto os ponteiros do relógio
se cruzam
eu revivo o tempo
dejavú ao vento.
48 horas em um dia
num calendário sem lua
num Cuco sem melodia.
Enquanto os ponteiros do relógio
se cruzam
eu revivo o tempo.

Na sala de espera me reinvento.


II
Os ponteiros do relógio páram.
O silêncio do tic-tac
é como o momento pós-parto.
E o tempo todo congela
e a beleza do mundo
vira um quadro.


III
O tempo que tenho
faz eu perdê-lo pensando
sobre o que vejo no meu espelho:
doença ou medo?

O tempo que tenho
me faz ver que quanto mais ele vem
mais ele nos tem
a fazer nada.

O tempo que tenho
eu uso lembrando daquela madrugada
do tempo bom
da brisa
da língua molhada.

O tempo que tenho
me faz esquecer o que lembraria
se não tivesse
tempo.

E ele me mata aos poucos
a cada vez que o ponteiro se mexe
vagarosamente
insultando a minha inércia
de não saber usar
o tempo que tenho
sem ti.

postado por claudia ( 5:36 PM) | escreva também (4)

»

Sinto a mais maldita das palavras: o lamento. Lamento com tristeza tanto engano. Todas as pequenas mentiras aumentam em número e transformam a realidade do passado em ficção.

Escondo o que sei: não digo. Não digo mais nada pela falta de valer a pena palavras, já que palavras são belas e úteis. Mas não há como deixar de escrevê-las para quem, de verdade, puder entender. Ou quiser entender.

Agora eu sinto que, quando batem na porta, não vejo como via, não há mais olho mágico. Tudo apenas entra sem entrar devidamente em mim. Não há magia, a não ser em circos e são apenas truques que, mais cedo ou mais tarde, são descobertos – triste desilusão infantil.

Ah, como eu temo ter sido ingênua e que esta constatação me torne rude, atéia e crua para sempre. Temo, mas luto. E nesta luta o que me visita é uma tristeza tênue, tranquila, sutil como se fosse acabar amanhã (e poderá). E enquanto constato o que sinto, parecendo-me incompatível com o que sei, eu olho para dentro e, inevitavelmente, permito-me o erro mais uma vez.


[Para Fábio,um homem que eu amo muito]

postado por claudia ( 1:00 PM) | escreva também (2)

November 16, 2005

»

asa vermelha.jpg

Menino, menino, menino
que insiste no esconde-esconde
e no Jogo da Verdade
cheio de mentiras.

postado por claudia ( 2:54 PM) | escreva também (2)

November 14, 2005

»

vime.jpg


Meu amor não é santo
não é pranto
espanto
vazio no prato
dor de parto.

O meu amor é apenas fato.

postado por claudia ( 9:50 AM) | escreva também (0)

November 11, 2005

» pedido

pedido.jpg

Que o amor nos ensine
que com amor ele aprenda.

[trecho recuperado de muito tempo]

postado por claudia ( 5:46 PM) | escreva também (0)

November 9, 2005

»

verde.jpg
[valparaíso. santiago do chile.05]

Bem lá no fundo
tem um canarinho amarelo
pronto para sair da gaiola.
Um brinde ao vôo
que vai acontecer
outrora.

postado por claudia ( 2:33 PM) | escreva também (2)

November 8, 2005

» quem não gosta de samba bom sujeito não é

viola.jpg

o pandeiro.jpg

a cuíca.jpg

Quando ela passa
todo mundo olha
quando ela encosta
todo mundo quer.

Quando ela ama
todo mundo volta
quando ela chora
todo mundo vê.

Quando ela nega
todo mundo solta
quando ela mostra
todo mundo crê.

[No pandeiro, Dedé Menna. No violão, Mendevas. Na cuíca, Tibas.
Voz: Todos]

postado por claudia ( 7:14 PM) | escreva também (0)

November 7, 2005

»

lua e cor.jpg


O cheiro de cigarro volta às roupas
o assédio intensifica.
O trágico perde o drama
a morte é esquecida
e um beijo é procurado pela boca alheia
e desconhecida.

Ela não cede, só observa.

Sob as luzes apagadas
e a música alta
está ela
pálida
magra
e lúcida.
A lembrança cai
e o pouco tempo explica:
isso finda logo
assim como a dor
que vem com gana
mas vai embora cansada
e aflita.

postado por claudia ( 5:15 PM) | escreva também (0)

November 6, 2005

»

o que está feito.jpg
[bienal.05]

Hoje eu quebrei as regras
e não os pratos.
Vi que minha prática
não condiz com a teoria.
O que digo, não sinto
o que acredito, não conto
o que quero, nem sei.
Minha alegria é falsa.
Minhas certezas, levianas.
Meus desejos são simples.

Hoje eu deixei as vontades decidirem.

(Não pensei
por nenhum momento
em não amá-lo.)

Despedi-me da outra que fui
batendo na porta.

Entrei e saí.

Refeita.

postado por claudia ( 8:28 PM) | escreva também (1)

November 4, 2005

»

calle sin salida.jpg
[valparaíso.santiago do chile.05]


Você passou rápido por mim.
Acelerou
dobrou a esquina
mudou de direção
ignorou o mapa
pediu errada
a informação.
Perdeu o ticket
a hora
e o infinito.
Tropeçou nos próprios bueiros
(esgoto do passado)
de becos imundos.
Atravessou o sinal vermelho
ignorou o pare
o proibido
o dê a preferência
e morreu atropelado
por si mesmo
no estacionamento de uma outra
rua.
E a minha, tão florida
tinha vaga
não tinha guincho
tinha floreiras
era sua.

postado por claudia ( 2:36 PM) | escreva também (0)

November 3, 2005

»

vinho.jpg

Cheiro de um
cheiro do outro.
Mistura de suores novos
matando os desencontros anteriores
noturnos.
Cama fora do lugar
clama.
Experimento o beijo
e o resto.

Não lembro de meu antes.
Mas comparo.

Deparo com dúvidas
e estranhas sensações.
Sabor do vinho que eu trouxe
sabor meu que ainda tenho.

Língua
música
e você cantando no ouvido.
Inspiro e transpiro
um cansaço.

Adeus.
É tarde
ou cedo demais.

Outra porta nos separa mais uma vez.

postado por claudia ( 2:34 PM) | escreva também (0)

November 1, 2005

»

casal ama.jpg
[bienal.05]


Queria poder fazer o mundo parar
o tempo.
Congelar um espaço
por mínimo que seja:
quatro paredes
um canto
encanto
um banco
privado
ou público.
E então o encontro ao acaso
sofre um dejavú
e o beijo faz a poesia, enfim
tomar a sua forma real.

Queria fazer o mundo parar o tempo
só para o tempo encontrar
um mundo.

postado por claudia (12:28 PM) | escreva também (1)

»

vejo você gigante.jpg
[bienal.05]

Tens uma foto minha em algum lugar.
Lá é possível ver o rosto que desconheces.
A cara lavada quando acorda
a cara de pau quando mente
a cara de menina quando assim se fez.

Fotografias perdidas pela gaveta
foram amassadas, eu sei
e nem recordo mais as datas.
Os cabelos eram lisos feito água
os olhares virgens feito flor
e a boca carregava um brilho
que você podia lamber.

Cada flash que cegou meus olhos
limpou da alma
as lembranças tardias
que se apagam feito uma Polaroid
velha.

Teus registros de mim
se escondem também.

Eu sou uma lente
que não desfoca
a imagem que fui.

postado por claudia (10:59 AM) | escreva também (1)