October 24, 2005

varal.jpg

Minhas roupas nas suas.
Sua debaixo do braço
de tanto e tanto
abraço.
Lava com a minha água
esfregando ao corpo
e repõe ao vento.
Cheiro doce de brisa
secando, sem pressa, a ferida.

Anoitece.
Anoi-tece.

O sereno da lua
umedece a mim.
Amanheço pendurada
e aos pedaços
na sua
bem nua.



Quem escreveu

Suas roupas nas minhas
Uma pilha entrelaçada
No canto esquerdo do quarto
Ao pé da cama

Escultura espontânea chamada desejo
Homenagem a este frágil sentimento
Que queima e vira nuvem
Para chover nos corpos
Que se apagam
Para desenhar um corpo inteiro

As roupas não serão lavadas
Para que nunca esqueçam

Quem dera presenciar um de seus cansaços...

As roupas estão prontas
para serem recolhidas.
A seco.

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