October 31, 2005

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avenida do nada.jpg

Hoje a estranheza me abala
não sinto o meu corpo meu.
Não vejo no meu olhar a mesma que fui
que sou, que tenho certeza que vivo.
Hoje a estranheza faz a música ser diferente
a segunda-feira pacata,
as dores - até as dores - são inexistentes.
Hoje a estranheza
me faz pensar que nada sei
e que não existo de verdade.
Que coisa estranha.
Tudo o que via até hoje,
hoje é totalmente diferente.

[texto retirado de P.O.A.-Pacífico Oceano Atlântico e perfeito para hoje]

postado por claudia ( 4:49 PM) | escreva também (2)

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meninas se matam.jpg
[bienal.05]

Não me assalte:
estou pobre.
Não tenho quase nada que você possa levar
de mim.
Meus anéis não valem nada
perto do que tenho aqui dentro.

Não venha com essas arminhas d´água
que me enchem de lágrimas
e me afogam caso você atire em meu rosto
na hora de um sorriso.

Solte a arma
levante os braços
confesse.

Entregue-se
que eu prometo levar um bolo na cela
juro que vou escrever cartas
fazer visitas
e esperar você do outro lado de fora
sem defesas
e em juízo.

(Não me mate
que eu morro.)

postado por claudia ( 1:02 PM) | escreva também (1)

October 28, 2005

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pés no chão do coração.jpg


Pedi:
não pise no meu coração.

Tirei os sapatos
a roupa
me despi dos orgulhos
travesti meu corpo de perdão.
Dormindo aos abraços
sonhei que o pedido
poderia ser em vão.

Calcei os sapatos
e com todas as dores
do pisar em espinhos
coloquei os pés no chão.

Foi apenas um passo.

postado por claudia ( 3:50 PM) | escreva também (0)

October 27, 2005

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roxo verde.jpg

Éramos dois.
Agora eu sou uma.

postado por claudia ( 4:59 PM) | escreva também (1)

October 26, 2005

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sombra passo.jpg

Despeço-me agora de você.
Do seu corpo
de suas mentiras
do seu amor
de presentes
e ausências.
Despeço-me de meus pensamentos
seus
das roupas lavadas
da língua suja
e dos lençóis de nós.
Despeço-me dos bilhetes que não recebi
dos e-mails tantos
mútuos
e dos meus prantos.
Despeço-me da pouca poesia
que escrevi.
Despeço-me dos adeuses
que dei sem cumprir.
Despeço-me da toalha
do banho
da mesa
da cozinha.
Despeço-me das noites
em que não mais jantei sozinha.
Despeço-me dos devaneios
das investigações
do prestar todas
as atenções
às ínfimas traições.
Despeço-me com um abraço
e com um beijo do lado
sentindo as asperezas
que voltarão ao seu rosto.
Despeço-me dos dias de desgosto
que me fizeste passar.
Despeço-me das suas mãos
lisas
do corpo doído
das risadas
que me fizeste dar.
Despeço-me dos jogos
de videogame
do estádio
e de todos os brinquedos
que você foi
que eu fui
e que seríamos para sempre.
Despeço-me dos falsos poemas
das palavras ininteligíveis
da incoerência
e da infinita paixão
que se foi tão rápido.
Despeço-me devagar
para não esquecer de nada.
Despeço-me do nosso lar
que nunca foi nosso.
Despeço-me das fotografias
que você não fez de mim
e do incerto futuro
que demoraria para vir.
Despeço-me do filho
que desejamos míseras vezes.
Despeço-me das contas a pagar
(apagar)
das dívidas sentimentais
e das nossa vidas.
Despeço-me agora
pouco antes
da despedida.

postado por claudia (10:53 AM) | escreva também (3)

October 25, 2005

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bie-flor e sombra.jpg
[bienal.05]

Uma flor
para que o jardineiro fiel
a desabroche.

postado por claudia ( 6:12 PM) | escreva também (1)

October 24, 2005

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varal.jpg

Minhas roupas nas suas.
Sua debaixo do braço
de tanto e tanto
abraço.
Lava com a minha água
esfregando ao corpo
e repõe ao vento.
Cheiro doce de brisa
secando, sem pressa, a ferida.

Anoitece.
Anoi-tece.

O sereno da lua
umedece a mim.
Amanheço pendurada
e aos pedaços
na sua
bem nua.

postado por claudia ( 9:59 AM) | escreva também (3)

October 21, 2005

» homenagem a P.O.A.

a hora em metrô.jpg


Son quince para las nueve y tres obras
y yo a producir para ninguna arte pura.
Son quince para las diez y tres obras
y yo queriendo estar em la calle.
Son quince para las once y tres obras
es P.O.A, océanos, aguas y tiempo nunca perdidos.
Son quince para las doce y tres obras
y um corazón que une las partes, partido.
Son quince para las uma y três obras
y debo dormir um sueño com alas pensantes.
Son quince para las dos y três obras
y me doy vuelta para el lado y sueño um instante.
Son quince para las três y três obras
el número impar que dejó mi yo em par.
Son quince para las cuatro y três obras
sueño outra vez com lo que fuera a contar.
Son quince para las cinco y três obras
y el dia amenaza amanecer.
Son quince para las seis y três obras
y de aqui a poço, lúcida voy a volver a ver.
Son quince para las siete y três obras
y despierto, impaciente com ojos durmientes
mucho antes de suceder.
Son quince para las ocho y três obras
y penso em como hablar a ustedes.
Son quince para las nueve y três obras
y comienzo todo outra vez.

[recuperado de.02]

postado por claudia ( 3:15 PM) | escreva também (1)

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corda bamba.jpg

Tudo na corda bamba:
eu, você e ela.
Ou pode dar samba
ou pode dar pulo
do parapeito da janela.

postado por claudia ( 2:43 PM) | escreva também (0)

October 20, 2005

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U.T.jpg
[expo:fotografia latino-americana.05.santiago do chile]


Estou na U.T.I. É proibido receber visitas.
Estou na U.T.I. porque estava sentindo A.M.O.R.

[recuperado de .03]

postado por claudia ( 2:01 PM) | escreva também (4)

October 19, 2005

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olhar hidrante.jpg

Um olho que nada vê
é o olho que me olha
aflito.
Com afinco encaro
idiota
o nada.
A imagem congela
no espaço silencioso
e seco
do objeto
que me capta.

postado por claudia (10:50 AM) | escreva também (2)

October 18, 2005

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bie-sexo cor de rosa.jpg
[bienal.05]

E.U.T.E.A.M.O
Seriam siglas?
E de eu
U de um
T de tudo
E de novo, mas é E de especial
A de ai que bom
M de Meu Deus
O – uma interjeição.

O sentir entre pontos
são pausas para uma longa duração.

postado por claudia (10:46 AM) | escreva também (3)

October 13, 2005

» ela: a explicação

Nem tudo tem que ter explicação. Acho que nunca ninguém me ensinou isso.

Na escola, era o contrário. Em casa, também. Tudo tinha um porquê e se não tinha, alguém deveria achar uma resposta.

Assim cresci sabendo que haveria uma explicação pra tudo. Cresci sem medo de saber a verdade e entender que depois que se aprende a ler, não tem mais volta.

Lembro como se fosse ontem. Eu estava no banco de trás de um Del Rey que meu pai tinha e passamos diante de uma farmácia e estava ali a palavra “FARMÁCIA”. Calmamente, perguntei para minha mãe como eu fazia para não saber o que estava escrito. E não tinha mais volta. Mas tinha uma explicação. O meu cérebro tinha aprendido a saber o que significava cada letra e, imediatamente, dava-me a resposta. Nem precisei perguntar o porquê daquilo, eu apenas entendi. Fiquei triste, mas entendi. Foi o primeiro caminho sem volta com que me deparei.

Mais ou menos na mesma época, minha mãe descobriu porque, um dia, eu, ao atravessar uma rua e ouvir o grito: “olha o carro!”, simplesmente parei e fechei os olhos. Mesmo com o barulho do freio muito perto de meus ouvidos, tive a certeza de que estaria salva. Isso porque eu pensava que ao fechar os olhos eu desaparecia, como se fosse mágica. Mas porque você pensou isso? – perguntou minha mãe. Ora, eu só respondi que era simples, que como eu não enxergava nada quando fechava os olhos e ficava sem saber onde estava, nada me enxergava e não me encontraria. Estaria salva de qualquer atropelamento.

Mais tarde ouvi a mais dura realidade sobre a morte: morreu, acabou – dizia minha falecida avó. Crise total dentro de mim. Mas por quê? Ora, porque somos como as flores, os animais, porque somos frágeis, porque não somos finitos. Mas por quê??? Definitivamente, eu não podia aceitar isso. Não podia, apenas, entender que, de uma hora para outra, tudo poderia acabar, que tudo viraria escuridão, silêncio, ausência de ar. Aí entendi o porquê das religiões e da história da reencarnação, das outras vidas e das almas. Afinal, tudo tinha que ter um porquê. Tudo tinha que acabar em uma resposta, fosse ela a mais absurda ou sem porquês tão palpáveis, eu tinha certeza.

Por isso, até hoje, quando ouço ou penso que nem tudo tem explicação, eu não acredito. Você pode não ter pensando nela, mas ela existe. Você pode não querer falar sobre ela, mas ela existe. Você pode não querer dá-la a ninguém, exatamente porque ela existe e pode ser dolorida ou imbecil. Mas ela existe. Agora, diga-me: por quê? Seria tão mais fácil viver sem a maldita. E eu nem preciso dizer porquê.

postado por claudia ( 4:51 PM) | escreva também (3)

» chile-qualquer parte: mais de P.O.A. - Pacífico Oceano Atlântico

P.O.A 6.jpg
Apenas uma outra visão das obras.

Ainda estou aguardando fotos dos fotógrafos oficiais do dia da inauguração. Talvez as cordilheiras estejam fazendo barreira, impedindo que as imagens esperadas cheguem rápido.

postado por claudia ( 3:06 PM) | escreva também (0)

» pseudo-carta a ninguém

Não tenho mais a dizer. Cansei das falhas minhas e das falhas suas. Cansei das inverdades sutis. E das certezas invisíveis. Cansei dos cansaços. Cansei até dos abraços. Já não sinto mais o ânimo, a saudade, a espera. A hora marcada virou perda do meu precioso tempo. Tudo o que vejo são palavras soltas a alguéns, expectativas que inexistem, dívidas, dúvidas e momentos em maus lençóis. Meu cabelo está cheio de nós. Nós na cabeça pensante. Do que me resta está somente eu frígida entre as pernas e uma solidão imutável e sem gosto de um vinho insosso que acompanha uma comida fria. De sobremesa, simples sorrisos da mais fingida alegria.

Da janela não vejo mais a sua casa. Já não sinto os ventos do velho Guaíba. Entre sonhos umedecidos e malucos meu coração fica a espreita, doente por sentir outra vez. Ah, como eu queria olhar em seus olhos e me ver! Ah, como eu queria ser surda e distraída para as dores íntimas, só minhas, só minhas, não suas.

Sim. Hoje o dia escureceu aflito e minhas obras perderam o valor, perderam a certeza do que eram quando as fiz. Cada palavra minha escrita não é lida por você. Cada pedaço de música que cantei não entra em seus ouvidos. Cada mão minha carinhosa em seu corpo perdeu o hábito. Cada elogio constante já não tem mais o mesmo sentido.

E então eu deito sobre meus pedaços e derreto como gelo ao sol acreditando que serei chuva para alguém que está seco.

postado por claudia (10:57 AM) | escreva também (0)

October 11, 2005

» quadro

Me encosto pelas paredes
encontro um quadro:
entro.
Nele vejo você
minha doce pintura
de vento.
De seus beijos
eu lembro
e a memória ativa
todos os demais desejos
que meu corpo
esquiva.

postado por claudia (11:09 AM) | escreva também (2)

October 10, 2005

» chile-quinta parte: mais um pouco de P.O.A. - Pacífico Oceano Atlântico

P.O.A1.jpg

Discurso de Jorge Moraga durante a abertura da exposição
enquanto eu escuto atentamente.

postado por claudia ( 7:04 PM) | escreva também (0)

» chile-parte pub: cerveceria artesanal

jorge in pub noite.jpg

jorge in pub2.jpg

jorge in pub3.jpg

Ao fundo, o anjo-amigo-artista-brachileno Jorge Moraga. A frente, litros e litros de cerveja, obviamente.

postado por claudia ( 5:31 PM) | escreva também (0)

October 7, 2005

»

perro segue.jpg

Um encontro pelas ruas que não
conheço.
Sem bússola me reconheço
em cada ponto.
Sinto em sua língua
estranha
meu gosto
e a vida se repete
enfim.
Mostro as palavras que não entendes
e todo o sentido em espírito santo
explica dentro de alguém
o que eu não tinha a dizer.
Falei antes sem saber
de nada
falei sem pensar que seria
ouvida
e, então, entre os desejos alheios
de poesia
e o pedido para ter em meu peito
as palavras antigas
eu padeço
por mais um dia.


03.10.05. Santiago do Chile

postado por claudia ( 7:41 PM) | escreva também (1)

» chile-quarta parte: painel surpreendente dali no metrô

dali in metro.jpg

postado por claudia ( 5:30 PM) | escreva também (1)

» chile-terceira parte: pequena mostra nº 2 de P.O.A. - Pacífico Oceano Atlântico

P.O.A 4.jpg

P.O.A 5.jpg

P.O.A first.jpg

Quer saber mais? Volte para e clique na cereja "Projeto P.O.A."

postado por claudia (12:12 PM) | escreva também (0)

October 6, 2005

» chile-segunda parte: pequena mostra nº 1 de P.O.A. - Pacífico Oceano Atlântico

P.O.A. portada.jpg

P.O.A.2.jpg

P.O.A.3.jpg

Quer saber mais? Volte para e clique na cereja "Projeto P.O.A."

postado por claudia ( 6:38 PM) | escreva também (0)

» chile-primeira parte: pequena nota consumista


A minha pretensão era trazer mais de 10 garrafas de vinho e nenhum Pisco (a cachaça chilena) e algumas revistas de moda. Mas voltei com apenas 6 garrafas de vinho (visto que o limite eram 4) e 3 de Pisco e nenhuma mísera revistinha. Também tinha pensado que ficaria enlouquecida em algum bairro de lojas de roupas, bolsas e sapatos. Principalmente bolsas e sapatos. Mas apenas trouxe um All Star (quem diria) maravilhoso, esse sim. Mas quero ver eu usar. Agora, sapato e bolsa: necas. Não encontrei nenhuma bolsa aceitável e os melhores sapatos eram de minhas velhas conhecidas marcas: Azaléia e Via Uno que têm loja própria por lá. E tudo, tudo, era praticamente o dobro do preço e de um mau gosto incrível perto do que somos acostumados por aqui.

Vai ver é por isso que o povo chileno não tirava o olho das minha botas Melissa by Hercochvitch. A Grendene deveria fazer o mesmo que as minhas velhas conhecidas marcas.

postado por claudia ( 4:00 PM) | escreva também (1)

October 5, 2005

» de volta

Ontem voltei de Santiago do Chile. Por isso estive ausente nesta página. E hoje ainda me encontro cansada e completamente preenchida por ser uma das "precursoras" de P.O.A 24 Horas.

Em breve notícias, cartas, relatos, fotos, postais e afins.

postado por claudia ( 4:33 PM) | escreva também (1)