September 28, 2005

»

amor meu.jpg

Quando o teu amor vai
o meu amor fica
eu volto a me amar como aprendi.
Amo-me no silêncio
na solidão
no egoísmo do amor ser meu
e por mim.
Vá, amor
Vá, amor que está em ti.
Deixe-me livre
e sóbria
em meu amor próprio
e sem fim.

postado por claudia (12:51 PM) | escreva também (3)

September 27, 2005

»

falo.jpg

Penso no tesão antigo
na respiração alheia
no cheiro não meu
e me arrepio.

No meu pensamento te espio.

E em cada gesto lembrado
taquicardio.

postado por claudia ( 3:13 PM) | escreva também (0)

September 26, 2005

»

tudo entrelaçado.jpg


Dispendo o meu tempo
tentando entender as mentiras
nas falas insanas
nas misturas de frases
nas palavras secretas
que gozam em cartas
e-mails
bilhetes
e telefonemas escondidos.
E então me enforco
no primeiro be-a-bá
da sua terrível
língua.

postado por claudia ( 5:26 PM) | escreva também (2)

» bola no pé e no coração

Passei praticamente os dois dias de descanso da semana acompanhando futebol. Mas ao contrário do que muita gente pensa, isso não é sacrifício algum. Cresci vendo o meu pai diante da TV com os pés em cima de um puff diante de qualquer jogo e quando o time era o Inter, o ambiente ficava tenso.

Depois que eu cresci, fui a alguns jogos no estádio, pra acompanhar uma outra família fanática e, confesso, a família era fanática pelo outro time. Meu pai não ficou chateado porque sabia que eu ia pra ver como era. Pra ver as pessoas xingando, perdendo a compostura e até puxando briga.

Mesmo com tanta perda de controle do torcedor, eu nunca odiei futebol. Acho um fenômemo que merece bons olhares, assim como o carnaval do Rio de Janeiro. Esses dois "eventos" eu chamo de grandes fenômenos da massa brasileira. Mas voltemos ao fenômeno de um bando de homens correndo atrás de uma bola.

Apesar de eu não ter nascido menino e nunca ter jogado nem futebol amador, o meu gosto pela coisa tem se intensificado. Claro, tendo o Inter como cliente, a coisa é mais do que necessária. Agora eu ando sempre conferindo a tabela do campeonato brasileiro e torcendo arduamente a cada jogo.

Ontem mesmo me peguei gritando dentro de casa com os olhos pregados na TV vendo o Inter, abaixo de chuva, tentando fazer gol no Mineirão. Além disso, assisti a muitas partidas de Playstation: Juventus X vários times. Torcia também. Acho que virou força do hábito. E, por isso, no fim das contas, conquistei o título de namorada perfeita. Pra ver o que o futebol é capaz de fazer.

postado por claudia (11:08 AM) | escreva também (0)

September 23, 2005

» Daqui a alguns dias

dedicatória de jorge.jpg

Falta menos de uma semana para que eu encontre o autor desta dedicatória acima (e fora de foco) ou o autor do mútuo projeto P.O.A - O Dia das Horas Infinitas (quer saber mais? acesse aqui e procure pela cerejinha "Projeto P.O.A").

A inauguração será ao meio-dia com muito vinho chileno, na Casa de Cultura de El Bosque, em Santiago. Depois de muitos cálices, de conversar em portunhol e passar por apresentações necessárias e fotografias idem, provavelmente vou vagar pela cidade rodeada pelas incríveis cordilheiras cobertas pela neve (que eu acredito ser artificial).

Provavelmente vou comprar muitos vinhos e lamentar não comprar algumas coisas que estarão fora do meu orçamento. Provavelmente vou fotografar muitas coisas, jantar em lugares diferentes, me atrapalhar com a língua e caminhar adoidada com minhas despreparadas botas.

Provavelmente vou conhecer pessoas incríveis e outras, nem tanto. Provavelmente, um dia, eu vou querer ficar em silêncio e nos outros, vou querer trocar muito com quem vai estar ao meu lado.

A única certeza será a minha realização de ver um projeto inédito que começou quase sem querer, acontecendo primeiro por lá, depois aqui em Porto Alegre e, provavelmente, logo após, em Berlim.

Jorge Moraga e demais chilenos mutcho locos: me aguardem que eu já estou indo.

postado por claudia (12:44 PM) | escreva também (1)

» 1/2 dia - parte II

- Onde você esteve ontem?
- Em casa.
- Eu liguei pra lá e quem atendeu foi a secretárria eletrônica.
- Eu ouvi. Estava no banho.
Depois da resposta final ele baixou os olhos e foi até a cozinha. Pegou uma leiteira, despejou o resto do leite da caixinha, misturou uma colher de achocolatado e tomou tudo num gole só. Ela foi atrás e ficou olhando-o fixamente com seus braços cruzados. Sempre cruzados.
- Você tem certeza?
- Do quê?
- Que você estava no banho.
Ele limpou com o punho da camisa as gotas do leite achocolatado que ficaram escorridos pela boca e passou por ela num ímpeto como um vento repentino num dia de sol. Entrou no quarto há procura de um sapato mais confortável. Calçou. Desabotoou a camisa, vestiu a primeira camiseta da pilha que ele dobrara ontem e saiu porta afora sem mencionar uma única palavra. O ódio dela virou tristeza. E o vizinho da sacada lateral viu o seu corpo escorrendo pela parede da cozinha até chegar ao chão, ao lado do lixo. Ela sentia-se um lixo e, simplesmente, queria que ele sentisse o mesmo. Ele também é um lixo, ele também é um lixo – ela repetia em silêncio.

Ainda sentada no chão do cozinha, ouviu o telefone tocar. Deixou que a secretária eletrônica fizesse o seu trabalho. Ninguém deixou recado. Nenhuma palavra de saudade. Nenhum xingamento. Nenhuma respiração silenciosa. Nada.

Quando percebeu, estava em posição fetal. E, ao lado dela, estava ele com a camisa, o sapato desconfortável, segurando com uma das mãos uma leiteira com um resto de leite misturado a um achocolatado qualquer. Ele ofereceu um gole, ela bebeu. Ele limpou o resto do achocolatado dos lábios dela com o punho da própria camisa.

Em silêncio, foram até o quarto e sobre o edredon ficaram abraçados. Dormiram. E sonharam com alguma discussão imbecil sobre o que não havia acontecido.

postado por claudia (10:52 AM) | escreva também (1)

September 22, 2005

» 1/2 dia


Bebeu mais um gole de cerveja quente. Respirou fundo. Piscou vagarosamente e sentiu os cílios pesados do rímel do dia anterior. Enquanto olhava-o dobrar as camisetas surradas, ela pensava na dúvida insana. Falar ou não falar? Relatar o ocorrido?
Ele olhou-a nos olhos e viu algo estranho. Sentiu que não era ela e conseguiu prever que o mundo desmoronaria.

Ela bebeu mais um gole de cerveja já sem espuma. E ficou olhando para o copo suado e lembrou do seu corpo suado daquele meio-dia.

Ela tinha feito sexo. Puro. Animal. Havia traído todos os seus princípios. Não havia almoçado para ser comida por outro. Sim, ela tinha acabado com todos os seus discursos, tudo ficara, incrivelmente, falso. Enquanto pensava em falar a verdade, sentia-se excitada lembrando das pernas abertas, do salto alto roçando as costas do outro, do suor escorrendo pelo sutiã, dos gemidos, do desejo diante do perigo.

Bebeu mais um gole de cerveja quente. Respirou fundo. Piscou vagarosamente e sentiu os cílios pesados ainda do acúmulo do dia de hoje e do anterior. Ele já havia dobrado as camisetas velhas, em silêncio. Agora começava a recolher as roupas dela: todas as calcinhas, as blusas cavadas, as saias rodadas. Ele não olhou-a mais nos olhos para não sentir outro algo estranho. Para que o mundo não desmoronasse.

Ela ficou em silêncio, vendo aquelas mãos que ela ama tanto. Sentiu-se excitada outra vez ao lembrar delas tocando o seu eu entre as pernas. Com a boca entreaberta ainda da dúvida, ela fez alguma pergunta banal, encheu o copo de cerveja com água do tanque e largou ao lado do amaciante de roupas. Saiu sem olhar para trás e sentiu as mãos dele abraçando-a pelas costas. Assim como ela tinha feito: traído seu amor pelas costas. Mas ela não pensou nisso. E se pensou, conseguiu afastar o pensamento maldito.

Foi tirando a roupa pelo caminho. Deitou sobre os lençóis e esperou que ele deitasse ao lado. Ele o fez. Ela beijou seus lábios como sempre e sentiu o nó da cabeça descer para a garganta. Ele chorou poucas lágrimas e olhou-a com gana. E ela viu que ele sabia de tudo. Mesmo assim, ele começou a acariciar mecha por mecha dos cabelos sujos dela daquele dia. E continuou olhando-a no escuro, até poder dizer que a amava. Que não importava aquele dia. Que esqueceria. Que nada havia acontecido.

Como se aquelas palavras fossem uma canção de ninar, ela dormiu. E acordou em um outro e comum meio-dia. Como sempre, cheio de traições.

postado por claudia (11:43 AM) | escreva também (2)

September 21, 2005

»

coisas da minha cabeça.jpg

Coisas que crescem sós
são coisas enraizadas
em mim.
Coisas que molham
secam
que extrapolam
os excessos
que nos prendem
que nos soltam
que nos puxam
que envelhecem
que suportam.
Coisas que se perdem
pelo ralo
pela cama
pela roupa
pela rua.
Coisas que balançam
esquentam
perfumam
e acabam em nós
e nas mãos suas.
Coisas para cortar
excluir
não suportar.
São tudo coisas
que não me saem
da cabeça.

postado por claudia ( 5:55 PM) | escreva também (0)

September 17, 2005

»

fronha.jpg

Quase choro de paixão.
Tenho medo
mantenho segredo
e abro meu corpo ao corpo alheio.
Durmo feito um anjo
em braços que infinitamente
abraçam.

A TV desliga sozinha
e não me desligo
durante o sono.
O alarme desperta
e eu já estava a me despertar.

O ar lá fora tão frio
luta contra nossos corpos quentes
e o agradecimento
por mais um dia lindo
por mais uma noite de amor
me enche de glórias.

Glória ao pai
ao filho que vou ter
e ao meu espírito pouco santo.

Amém.

postado por claudia (12:15 AM) | escreva também (1)

September 16, 2005

»

verde.jpg

Ah, se eu soubesse falar
tudo
e sentir
e saber menos do que o que existe.
E me contentar em não comentar
a crueldade.
Ah, se eu fosse outra
se eu fosse fácil
se eu fosse frágil
se eu fosse escrota.
Ah, se a vida não passasse
se o mundo desabasse
e, mesmo assim
eu me divertisse.
Ah, se eu fosse uma
ah, se eu fosse lenta
ah, se eu eu fosse má
se eu fosse triste.

postado por claudia (10:47 PM) | escreva também (0)

»

cama.jpg

O fim acontece no meio
e sinto que o amor ainda não veio.

Desfaço os frágeis laços
bebo mais um gole da água
amanhecida
arrumo a cama
sozinha
desarrumada por um corpo
solitário.

Inicio mais um dia a procura
e quando penso que encontrei
o corpo dobra a esquina
foge
corre
esconde
renuncia.

E os meios ficam escassos
e os fins, permanentes.

postado por claudia ( 3:19 PM) | escreva também (1)

September 15, 2005

» constatação 2

A mentira alheia dói em nós porque, um dia,
ela poderá ser a nossa verdade.

postado por claudia ( 6:04 PM) | escreva também (0)

»

corações do edredon.jpg

Corações podem ser comprados
em tamanho grande
médio
ou mal-amados.
Já comprei coração com desconto
coração semi-pronto
coração com safena
(que alguma outra o fez).
Já me ofereceram corações
em frangalhos
corações solitários
e um ou outro
pronto para abater.
Já encontrei coração que bate calmo
e o enchi de taquicardias.
Já devolvi coração vagabundo
mentiroso
moribundo
e infantil
(desse tipo foram mais de mil).
Já ganhei coração tamanho grande
que tinha sempre lugar pra mais um.
Já joguei fora coração partido
desiludido
indiposto
Indeciso.
Já roubei coração em descompasso
e o deixei ritmado
num passo.
No fim aceito
o meu tão sofrido
que não mais fica perdido
quando o seu bate em minha porta
pede abrigo
e me dá abraços.

postado por claudia ( 5:18 PM) | escreva também (0)

September 14, 2005

» através dele

através do espelho.jpg

Através do espelho eu vejo
as rugas
as falhas
as fugas
e o que não vejo
em seus olhos.
No meu espelho não há mentiras
só metas.
Cada reflexo me faz refletir
sobre o dia
que passou
diante do espelho.
E então limpo o pó
duplicado
direciono a luz para o ponto
certo
passo a mão e desembaço
as partes
e tento ver tudo
o que o mundo tem refletido
em mim.

postado por claudia ( 2:36 PM) | escreva também (0)

» fila

E o dia seguinte
deu lugar ao seguinte.

postado por claudia ( 2:35 PM) | escreva também (0)

September 13, 2005

» constatação

Nossos poemas gozam juntos há muito tempo
(em silêncio).

postado por claudia ( 4:44 PM) | escreva também (0)

» manhã

Hoje acordei dona de sonhos alheios.
Levantei da cama
estranha com algo que não houve
que não veio.
Tive pesadelos que não lembro
e um silêncio esquisito calou o meu
bom-dia.
No banho nada mudou:
a água estava quente
e o meu corpo continuou frio.
Vesti qualquer roupa
mal escovei os cabelos
e guardei na boca
por um tempo
a saliva noturna
não usada.
Pensei em tomar café da manhã
mas faltava tempo
café
leite
açúcar
margarina
e o dia parecia pão
amanhecido.
Me olhei no espelho embaçado
e não me reconheci
ontem eu estava tão outra
(o que fez uma noite tão estranha comigo?)
Por um momento perdi os sentidos
e ainda não os recuperei
e mal olhei para os olhos do homem
que estou a amar.
Manhã insana
sem anteriores satisfações.
Que o meio-dia transforme o que resta
em um dia e meio de vez.

postado por claudia (12:25 PM) | escreva também (2)

September 12, 2005

» gérbera

roubada flor.jpg

Uma flor é roubada
para roubar-me beijos.

postado por claudia ( 3:03 PM) | escreva também (0)

September 10, 2005

» sexo

Sexo
antes de deitar
em pé:
sexo é o que é.

Sexo
violento
na mesa
vira sobremesa.

Sexo
no meio da noite
sob o edredon
é sonho bom.

Sexo
ao acordar
pela manhã
ainda sem gosto de hortelã.

Sexo
combinado
ao meio-dia
é covardia.

Sexo
assim
de hora em hora
pode ser agora?

postado por claudia ( 8:11 PM) | escreva também (2)

September 9, 2005

» amores todos

Amores que esperam
amores que se vão
amores que acabam tarde
amores que iniciam cedo
amores que acabam depressa
amores que iniciam sem pressa.

Amores que lembram
amores que esquecem
amores que adoecem
amores que renascem
amores que separam
amores que unem
amores que forçam
amores que livram
amores que fogem
amores que ficam.

Amores simples que completam
amores complexos que dividem
amores cicatrizados que voltam
amores cicatrizantes que curam
amores que duram
amores que morrem.

Amores que valem
amores que não prestam
amores seguros
amores inseguros
amores assumidos
amores secretos.

Amores que sugam
amores que alimentam
amores alheios
amores só seus
amores que fingem
amores homestos.

Amores de verdade
amores de mentira
amores doloridos
amores carinhosos
amores calmos
amores loucos
amores lindos
amores monstros.

De todo jeito
assim eu quero
amores todos.

postado por claudia ( 3:07 PM) | escreva também (2)

September 6, 2005

» hoje

Minha cabeça está um turbilhão (queria eu que este turbilhão fosse de idéias geniais).

postado por claudia ( 5:20 PM) | escreva também (0)

September 5, 2005

» mais um trecho da vida

"Paixão é fogo de palha" foi o que ele disse sentado diante de mim, no restaurante. "Não estou apaixonado por você, porque paixão acaba e o que eu sinto por você não vai acabar." Ele continuou falando mais ou menos isso logo depois. E eu senti uma paz estranha que deve ser o que sente a velhinha que está a mais de 50 anos ao lado daquele homem que ela escolheu um dia, ou que não resistiu aos encantos, ou que cedeu seu coração, corpo e alma por insistência. Mas que, por sorte ou pelo destino, ainda vive uma história linda e verdadeira.

Depois de tais frases, ele saboreou o vinho que dividia comigo. E pegou na minha mão. A mão dele na minha teve a companhia de um sorriso tranquilo e satisfeito. E nossos pensamentos mútuos ficaram em silêncio como se consentissem a dádiva.

Quebrei o silêncio tocando a minha taça e bebendo o vinho. E tudo, incrivelmente, parecia ter mudado de sabor.

postado por claudia ( 6:14 PM) | escreva também (0)

September 2, 2005

» agosto, depois setembro

Há 2 dias que o mês fatídico se foi. Apesar de eu ter vivido alegrias, ele me fez passar por momentos bizarros. Bizarros é a palavra certa. Mas como tudo na vida é um teste, como diria o Leo Lage , aceito todas as provações. E quando saio praticamente ilesa, fico um tanto satisfeita.

ps.: Hoje nasceu a minha irmã mais velha. Mas isso foi há alguns anos atrás. Abaixo, uma fotinho do dia do casamento dela como homenagem (era o que eu tinha).

minha irmã disse sim.jpg

postado por claudia (11:28 AM) | escreva também (0)

September 1, 2005

» hoje

Hoje o dia amanheceu chuvoso outra vez. Mas dentro de mim tinha sol. E ainda tem.

postado por claudia (12:57 PM) | escreva também (0)