águas
O dia começou chuvoso. Chove lá fora aos cântaros, chove aqui dentro de um jeito silencioso, reaparecem as trovoadas de uma tempestade que parecia ter passado. Todas as roupas estendidas ficaram molhadas outra vez e um relâmpago não antecedeu o barulho dos céus que vem depois. Então chorei em segredo pelos cansaços de nadar na enchente imaginária da vida.
Existem mil explicações para estas tormentas, mas a previsão do tempo sempre erra e tenho medo de errar também. Não é possível prever o tempo, a quantidade de chuva e se vai ter sol para sempre. Quando o sol vem eu me seco de todas as angústias, estendo os lençóis da noite passada para ter outra completamente nova, sem os sonhos antigos guardados no quarto.
Cada gota de chuva que ouço agora me faz pensar em cada pergunta sem resposta e algumas me causam uma sensação terrível feito os pingos da torneira vazando da pia, feito a contínua dor da água que se esfacela quando atravessa o vento e cai no chão sujo da rua. Águas passadas, águas que se vão e se evaporam e que insistem em voltar em forma de nuvens negras.
Tento cobrir as goteiras com minhas mãos e elas murcham e tenho medo de que morram secas na saudade de passá-las pelas costas, pelo rosto, por outro par de mãos. Preciso de baldes, de cimento, de algum guarda-chuva azul. Mas tenho apenas uma destas coisas. Então eu salto pelas poças d’água, aceito o respingar da chuva alheia, tento me secar como posso e fico úmida pelo ar. E fico úmida. Úmida.
Quem escreveu
Cada segundo que passa para mim é uma internidade, cada gota fresca de água que cai, para mim é uma internidade, por isso adorava ser chuva, passar pelos campos e pelos sitios mais estranhos do mundo, quando me apetessece, fazer tudo o que mi viesse á cabeça, não ter horários, e sentir-me livre para todo o sempre!!! Adorava ver a lua , se fosse chuva iria visitá-la!!
postado por: Rita | May 8, 2007 4:02 PM