a carta

Querido,
Neste dias de distâncias irreais, escrevi correspondências fictícias a você. Fingi que estavas longe de mim e inventei sensações, imaginei discórdias e tentei viver uma intensidade maior de tudo. E consegui. Foi como criar um amor – senti-me Deus.
Tenho todos os postais, bilhetes e cartas guardados em uma gaveta. Toda a vez que eu for abri-la vou viver a dor de estar amando. Porque dói. Amar dói tanto quanto romper. Amar dói tanto quando não ter. Amar, dentro de mim, é uma espada constante em meu peito. Por isso só quero viver isso de vez em quando, para que um buraco não se abra rompendo o meu eu. Por isso só vou viver isso quando for aberta a gaveta para tirar dali essa sensação de quase morrer. Por isso, querido, vou chavear esta gaveta e dar a chave a você: aquele que vai decidir quando meu peito deve se entorpecer de facadas, socos, taquicardias, medos e fins.
Com loucura e um sorriso,
da Sua.