todo dia
(escrito em Florianópolis/2004, durante a minha curta estada por lá)
Tenho chegado todo o santo dia
na casa que não é minha.
Abro a porta e olho o teto
protesto os mosquitos
uso o banheiro de porta aberta
da maneira mais honesta.
Ligo a TV que não pega bem
e que me deixa aflito.
Tomo um banho demorado
depois do dia cansado
vejo o político na televisão
depois de vestir meu pijama
passo creme Nívea nas mãos.
Calço as velhas Havaianas
esse chinelo-consenso
acendo um incenso
e desarrumo a enorme cama.
Estendo a toalha molhada
me afago em dois travesseiros
nos quais penso o dia inteiro
lembro da minha namorada.
Anoto os afazeres do outro dia
tento dormir até o amanhecer
mas algum sonho me importa
acordo e então reabro a porta
e começo tudo outra vez.