momentos só seus, ai que bom
Quando criança eu sentia a necessidade de ficar sozinha. Eu tinha o meu canto, o meu jeito, as minhas coisas. Na casa dos meus pais tinha (ops, ainda tem) um escritório. Era lá que eu ficava sentadinha desenhando ou escrevendo (ou os dois ao mesmo tempo). Eu não tinha um quarto só meu, mas aquele escritório era - a prioridade é da Claudia - acho que assim pensava a minha mãe.
Quando eu abria aquela porta, sempre vinha uma folha de papel comigo que não mais estava em branco. E, acho que por isso, minha mãe me deixava lá, quietinha, podendo sair dali a hora em que eu quisesse. Ela sabia que atrás daquela porta algo estava sendo feito e ela teria a recompensa.
Hoje eu continuo tendo necessidade de, às vezes, ficar sozinha. No meu canto. Só que na maioria delas eu não saio com um papel que não está mais em branco. Eu apenas saio do meu canto comigo mesma. E como é bom. Eu não sabia como era bom fazer nada - quando criança a gente sempre quer estar ou tem que estar fazendo alguma coisa. Agora eu posso ficar sozinha sem ter que mostrar o que fiz ou o que não fiz pra ninguém. Posso ficar aqui escrevendo isso sem ter que explicar o porquê (ou mesmo, nem publicar este texto). Isso, pra mim, é uma verdadeira maravilha da vida adulta, da vida independente e descompromissada. Claro que meus pais ainda esperam resultados dos meus momentos sozinha ou em dupla ou em grupo, mas eles mal sabem do tempo que fico comigo mesma, sem pretensão alguma. E como eu tento preservar isso e como eu preciso disso.
Às vezes eu só preciso dar uma volta sozinha, ficar quietinha, olhar para alguma coisa sem ninguém ao lado. Só assim pra depois eu ficar disposta a fazer tudo.
Um pouco de privacidade, por favor.