June 27, 2005

foi com medo de avião

Aindo lembro da época em que viajar de avião era coisa de rico. O passageiro tinha que pertencer, no mínimo, à classe média alta. E, antigamente (bem antigamente, quando eu era, ainda, um bebê), os talheres eram chiquérrimos, os cardápios idem e a bebida, liberada. Os homens embarcavam engravatados e as mulheres, bem vestidas e penteadas.

Hoje, graças a popularização das companhias aéreas, os aeroportos mais parecem rodoviárias e é impressionante a falta de educação das pessoas, a sacolada que eles enfiam (literalmente, enfiam) nos compartimentos internos do avião e as filas quilométricas e demoradas na hora de sair da tal lata de sardinha voadora. Não que eu seja contra a popularização, eu sou contra a falta de elegância, a falta de respeito, a falta de educação. Ok, ok, eu sei que é pedir demais.


Eu também lembro de quando não tinha medo de andar de avião. O momento era esperado como um evento tecnológico chique e 100% seguro. Hoje eu entro no avião rezando, decolo rezando e aterrisso rezando. Rezando para que a pessoa ao lado não seja mal educada, que o Nutry não esteja com a validade vencida e que o piloto não seja um rapaz maluco e irresponsável como são muitos de TODAS as companhias aéreas.

Hoje eu sei que o avião não é 100% seguro e me sinto péssima sem os pés no chão. Odeio turbulência, barulho de turbina e aquela freiada brusca da aterrissagem na pista.
Também odeio a maquiagem excessiva das aeromoças e a tradução horrorosa das mesmas ao microfone. Odeio as poltronas coladas umas nas outras (isso que eu não tenho pernas longas).

Sei que o avião é mais seguro do que sair por uma estrada esburacada dirigindo, mas eu não acredito. O problema é que se não for de avião, a gente demora pra chegar.

O tempo é a única coisa que me faz, ainda, viajar nestas latas cheias de poltronas dentro.



Quem escreveu

Aqui da classe média penso que as maravilhas do transporte aéreo e da verdadeira cabotagem usando os passageiros como sacas de arroz, me fazem pensar na benção que seria poder abrir a janelinha. Deixar o cheiro de Brasil escapar pelos ares, e no suspiro lembrar que todos os problemas que encaramos são fruto de um sistema que não foi pensado para um país tropical como o nosso. Incluindo a maquiagem fetichista das comissárias.

na primeira frase sobrou um "penso". é que entre nós, eu penso demais.

sobrou um "penso"? Então dá pra mim!
O "penso", claro.

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