Eu não sou o que você vê.
Seus olhos cegos de mim
transformam um reles mortal
em artista de TV.
Eu não vejo a mesma imagem
que você diz estar no meu espelho.
Não sou sua, não sou linda
não uso batom vermelho.
Eu não me sinto assim, tão sorridente
porque eu choro dormindo
e acordo vazia
e assim passo o dia, simplesmente.
Ah, quem sou eu?
Que digam quem me fez
que falem meus gens borbulhantes
escondidos em meus órgãos,
sangue e tez.
Quem sou eu?
Que diga o homem que me ouve submersa em seu divã.
Que me digam antes
que eu morra em dúvidas
hoje, ontem
ou amanhã.