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our broken hearts smashed on the floor


enviado ao caetano, tarde de sábado, dia onze, de outubro.

fazia muito, muito tempo que eu não sabia que tipo de dor a gente sente quando algo assim acontece. e finalmente sentindo de novo, deu pra perceber porque ninguém gosta de sentir isso. de se sentir assim, quebrada.

quando tu realmente eras meu psiquiatra, caetano.... tu eras meu psiquiatra.
tu aindas tem a posição "psiquiatra" na minha vida, mas em determinado momento num passado não tão recente, tu te tornastes meu amigo. meu melhor amigo. e um melhor amigo um pouco diferente do gio, pq enfim... meu irmão não tem cérebro nenhum de psiquiatra.

eu queria te pedir desculpas por ter te mandado um email com uma frase apenas na manhã de hoje. mas quando o choque aconteceu, a primeira pessoa em quem pensei, que na minha cabeça, precisava saber o que havia acontecido, fostes tu.

sim,... tudo estava indo bem.
ontem a noite jantamos com a irmã dele e o namorado dela. depois fui com mike num clube onde ele queria ver um DJ de portland tocar e depois de lá, terminamos a noite no "rock bar" que eh basicamente um bar/pista de dança montado num super antigo hotel numa avenidona de denver. terminamos a noite dançando.... eu, ele, a irmã, o namorado e outros dois amigos deles.

na manhã de hoje, eu acordei um bocado mais cedo que ele. e por causa disso, pelo menos por uma hora eu fiquei a observa-lo dormindo. e daí, quando mike finalmente acordou, a frase simplesmente saltou da minha boca. e eu disse que estava in love with him.

mike não respondeu nada e o tempo foi passando e no meio desse tempo we had sex e porque a gente sempre costuma conversar um monte de manhã na cama, o silêncio dele começou a me incomodar. e assim, depois de um silêncio de horas, eu finalmente consegui faze-lo falar.

mike: you said you love me.
me: yes... does it scare you?
mike: yes.
me: why?
mike: because i don't think i'm in love with you and because of that i may be hurting you.
me: i know.... and i've told you this before.... that i was pretty sure you were gonna hurt me at some point.
mike: if you knew i was gonna hurt you..... why did you still kept seeing me?
eu: (apontei pra um pedaço da parede do meu quarto onde há dois meses atrás escrevi "in the end all you can hope for is the love you felt to equal the pain you're going through". e sabe.... o mike talvez nunca fosse capaz de enteder isso, mas tendo sofrido péssimos e longos e mostruosos episódios depressivos.... "in the end all you can hope for is the love you felt to equal the pain you're going through" é uma das frases mais simbólicas dos últimos tempos pra mim. a frase pertence a uma musica de uma banda inglesa e eu não sei se tu se lembras caetano..... mas a primeira frase que eu tatuei em mim foi "all i want in life's a little bit of love". e pouca gente sabe,.... mas a continuação dessa frase na música dessa outra banda.... segue "to take the pain away".) isso foge um pouco do assunto mas há coisas que pertencem a minha vida, marcadas e escritas, que simplesmente tentam, insistentemente, me lembrar do quanto eu não quero ir pro fundo do poço de novo.

eu não sei se o mike entende o que que a frase "means" pra mim.
mas "in the end all you can hope for is the love you felt to equal the pain you're going through" significa que por maior que a dor ou o estrago seja..... ter vivido seja qual fôr a coisa, de certa forma, tu simplesmente esperas que tenha valido a pena. pq se tu deixas de viver algo por medo do estrago, da dor ou da frustração.... then.... what kind of life do you end up living?

tu sabes que ele nunca declarou ser "namoro" o que nós "tinhamos".
então ele me perguntou se a gente deveria parar de se ver.
e eu disse.... tu queres parar de me ver?
e ele disse.... não sei. talvez....
e eu disse.... bom, talvez não é resposta concreta... but then....you can either hurt me now or hurt me later.

e disso ele obviamente disse que achava melhor a gente parar de se ver.

eu passei a tarde de hoje com o gio, e eu contei pra ele "parte" ou o que "pude" do acontecido. e o que o gio disse foi que talvez o mike se sentiu "pressionado" e "assutado". e eu não duvido que ele tenha se sentido assim, porque no fundo caetano, eu posso ser um bocado idioata as vezes, mas noutras,.... não preciso ser cega pra não enxergar.

mike ainda me perguntou if i regretted saying i was in love with him e eu disse que não, porque sério... eu não quero mais esconder quem eu sou, e porque se eu sinto alguma coisa, eu não quero ter de empacotar ou esconder aquilo dentro de mim por medo de como alguém ou outro irá reagir. no entando, eu disse pra ele that i regretted had let myself gone that far... had let myself free to not control any feelings i could had grown towards him. e foi disso que ele pediu desculpas por ter deixado tanto tempo passar, ou ter deixado o tempo passar até eu finalmente ter dito que estava in love with him" so he would say how he felt or what was his position towards this relationship.

caetano....
eu odeio quando coisas acontecem do nada.
não que elas realmente acontecem do nada, mas quando elas acontecem assim, sem aviso prévio.

eu sei que o mike recém descobriu uma vida nova.
pq ter se mudado pra boulder fez com que ele se encontrasse com ele mesmo.
e disso..... ele tbem encontrou novos amigos, coisa que ele não tinha desde que deixou LA e se mudou pra denver. e eu não quero colocar isso ou ter isso como uma "desculpa" pro meu cérebro, mas seja qual fôr o motive de verdade dele pra ter agido da forma como ele agiu comigo essa manhã.... eu quero bem pra ele. eu preciso querer bem pra ele. porque eu não quero fazer de mim, a vítima (apesar de "socialmente falando" eu ser).

tentei me segurar e me controlar ao máximo enquanto conversavamos essa manhã mas em determinada hora as lágrimas simplesmente vieram e mike perguntou o que eu estava pensando.

é estranho....
pq a resposta saiu de imediata.
"i'm trying to think how strong i'm gonna have to be to put myself together again this time".

caetano.....
eu estou com medo. medo dos meus pensamentos.

e caetano....
eu preciso encontrar the very big reason to make me gonna life for.


recebido de caetano, manhã de hoje, dia doze, de outubro.

Carmela, Para mim é uma tremenda surpresa isso! Só consigo pensar que ele, como a maioria de nós homens, atrapalhou-se quando se deu conta de que a relação havia evoluído tanto. Nós tendemos a nos sentir com um peso enorme nas mãos, quando uma mulher nos entrega seu coração. Nós nos sentimos responsáveis por ter que "assumir" um compromisso, por ter que corresponder de alguma maneira igualitária. É como se, a partir dali, tivéssemos que dizer: "Eu caso! Sim, eu caso contigo e fico casado contigo para o resto da minha vida!". Pensamos que aquela coisa maravilhosa que vinha até ali irá se transformar na maior chatice do mundo e que vamos ter que abrir de todos os aspectos da nossa individualidade, só para ficar do lado daquela mulher e ficar dando o retorno daquele enorme amor declarado.

Perguntei para a minha mulher se ela concordava com essa minha opinião acerca do meu "time" (o dos homens). Ela disse que é bem assim mesmo. Ela observa isto todos os dias no consultório dela. Mulheres e mais mulheres reclamando da imaturidade dos homens (de qualquer idade).

Querida Carmela, penso realmente que ele irá repensar e te procurará novamente. Se isso acontecer, recebe-o bem, pois ele está amadurecendo.

Se ele não o fizer, não pensa que é o fim. Os homens são assim mesmo. Virão outros e mais outros... uns iguais, outros piores, outros um pouco melhores.

Por isso, Carmela, sempre reforço para todas aspessoas terem suas próprias carreiras, seus próprios amigos, suas próprias vidas. É a única garantia, amiga!

Muitos beijos!!!
Estarei sempre por aqui!
Caetano

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