nothing acquires quite as rapid or peculiar a patina of age as an imaginary future
enviado ao caetano, dois dias atrás.
eu tenho certeza que os pequenos vão entender toda essa ausência que eles sentem de ti mais tarde. sei disso porque embora eu tenha culpado muito o pai e a mãe por não estarem perto de mim quando eu estava crescendo, quando coisas importantes estavam acontecendo... eles também tinham uma vida pra viver. e por mais que por anos tenha sido ridículo perceber... hoje tenho certeza que eles estiveram ausentes para poderem nos permitir ter uma vida melhor. segura. e sabe, caetano... eu tenho certeza que talvez um bocado diferente do meus pais (bem, o supermario eu diria...) tu, mesmo ausente, quando estás perto, demonstras muito mais afeto, amor e carinho aos pequenos. tu podes ter certeza que quando os pequenos crescerem aquele bocadinho básico pra entenderem o valor de certas coisas na vida... eles vão ter o peito cheio de orgulho de ti.
se eu continuasse tendo minhas consultas semanais eu teria sempre muito e muito pra falar (putz.... como eu amava minhas sessões, caetano...) mas o que talvez seja suficiente de escrever agora é que estou indo. simplesmente indo. não sinto a vida muito especial mas também não sinto a vida muito sem razão ou sem graça. minha condição de vida em praga comparada a denver era simplesmente perfeita, eu tinha minha própria casinha e morava legalmente e trabalhava legalmente no país. aqui, eu, por enquanto, estou legalmente no país e habito uma casinha com mais pessoas. a casa é tri boa e gigante mas não tem a minha cara. mas eu vivo e vivo bem. mas não tem como esconder que me consome muito o fato de eu estar aqui under a tourist visa que vai vencer em setembro. na verdade meu visto de múltiplas entravas dura até 2010, mas cada vez que a gente entra no pais, os agentes de imigração nos dão um limite de estada e a minha foi o máximo... seis meses. e tu sabes, caetano.... seis meses passam assim, num piscar de olhos, e pra mim, setembro está ali ao lado e eu não sei o que fazer quando setembro chegar.
eu chorei muito no mês passado e eu tenho total noção que chorei demais porque tudo ainda estava muito incerto. tive diversas entrevistas e escrevi pra uma dezena de agências que nunca me responderam ou que me entrevistaram mas não tinham position available at the moment. a incerteza continua, mas pelo menos agora eu vejo grana entrando e tendo trabalho pra fazer. estou com dois projetos começando... o site de uma high school e o site do bar do mesmo dono do café onde o gio e a jena trabalham. o bar também tem uma sala de eventos para 35 pessoas no porão e os donos concordaram em me ter como babysitter da sala quando esta estiver hosting concerts. além disso, eu e o gio estamos criando duas outras noites de eventos nesta sala.... uma open mic night semanal (noite de talentos) e uma horror movie night também semanal. ambas eu estarei cuidando e ja foi acordado um valor por noite pra mim. e além disso... essa semana tive uma entrevista numa agéncia de webdeveloping (eles não trabalham com design, eles só programam) e no final da entrevista eu já saí carregando um contrato. vou estar freelando pra eles e sexta já foi meu primeiro briefing. caetano... tu não sabes o quanto isso, de estar de volta envolvida com uma agência e com outras pessoas, assim, no trabalho, me deixa feliz.
quanto a coração não há novidade. tô sozinha, não estou interessada em ninguém e também não acho que alguém tem se interessado em mim. o gio e a jena fazem piada disso porque das outras vezes não precisou de uma semana pra eu estar com alguém e claro que isso me bota a pensar no que pode ser que há de errado. será que sou eu? será que é a situação de eu estar mais preocupada com outras coisas? será que sou eu mais exigente? pode ser tudo isso, caetano.... mas isso pelo menos ultimamente, não tem me feito chorar. claro que me sinto sozinha e claro que dói um bocado mas eu tenho uma vida social alegre aqui. eu só preciso andar três quadras de casa pra encontrar uma dúzia de conhecidos e ganhar abraço se precisar.
meu roommate está no tenesse essa semana e na sexta agora o gio e a jena embarcam para a itália para o casamento da irmã mais nova da jena. e mesmo as pessoas mais próximas de mim longe por estes dias, eu já estou com ingressos pra dois shows que decidi ir sozinha e tem sido isso, eu, me mantendo ocupada. o máximo que dá.
caetano... será que eu preciso encontrar um significado pra minha vida?
fica bem.
eu tenho saudade.
ps.: ultimamente eu tenho feito meu cérebro pensar, ou acreditar, que ter roommates é feito ganhar um irmão, assim, meio que tardiamente em vida.
meu segundo irmão se muda até o final do mês, mas meu primeiro irmão, o sam, adora falar pão de queijo há anos e mesmo desorganizado grande parte dos dias... tem um coração bem, mas bem gigante mesmo.
