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ninguém te disse que esta agora é a tua vida. tu simplesmente notastes, agora, que esta é a tua vida. e tu notas assim, bem estranhamente. e se é estranho, é porque em mais um sábado como tantos e tantos outros da tua vida, tu optas em passar a tarde, deste, no castelo. SERIOUSLY. "vou pro castelo". "ali, bem ali. um castelo, pode??"
é estranho olhar todas aquelas pessoas a tua volta, dentro de um bonde elétrico tcheco, e pensar que elas talvez só tenham este sábado para visitar o castelo - enquanto eu, assim... poderia dizer que tenho a minha vida inteira. finais de semana são dias em que tu te misturas com trocentos e trocentos turistas e finge que não és um. ou optas em ser um pelo simples motivo de querer uma companhia. é ver todas aquelas pessoas passarem e não estarem mais ali no dia seguinte enquanto tu, bem... enquanto tu estarás ali no dia seguinte e no outro também.
bom, se fui ao castelo, a coisa mais preciosa que por lá vi neste sábado como tantos outros sábados da minha vida, foi isto:

acho que qualquer pessoa teria uma impressão visual pomposa do trabalho. o meu. e acho que grande parte desse pomposo todo está no fato de que, especialmente no brasil, o mercado publicitario tem esse certo luxo, uma luxúria quase que muito exigida pra se estar e se apresentar no mercado. óbvio que não vou dizer que "oh, em praga não é assim", vou dizer apenas que em praga, não é bem assim.
a bbdo tcheca se chama mark e existe há uns bons, bons anos. mas há dois anos, a mark/bbdo passou a morar dentro desse pomposo casarão bem no coração do ponto de nascença da cidade. traduzindo: a mark/bbdo passou a morar no coração de vysehrad, atualmente um antigo forte transformado em jardim nacional e que, trilhões de anos atrás, foi o terreno do primeiro castelo de praga. sem lengas, não há como não dizer que a mark fica nesse lugar quase que certamente surreal, possivelmente na melhor localidade da cidade para uma empresa do ramo, e estupidamente afudê e sortuda pois fica bem ao lado do cemitério que fica bem ao lado da igreja e de qualquer canto da cidade tu enxergas as torres da igreja fazendo com que puta,.... lá do além tu possas observar duas torrezinhas negras e pensar, dizer, gritar "é lá que eu trabalho".
não é o pensamento de que as aparências enganam. é apenas o pensamento de que existe vida real e pelo menos aqui, essa vida real é ligeiramente como a de qualquer outra pessoa. nossas vidas dentro da agência são vidas comuns, ali o status se esvai, se perde, é esmagado por coisas mais importantes. e pra quem tem um diretor de criação que passa o dia, repito - o dia - descalço andando de cima pra baixo pelos quatro andares da agência, a vida não poderia ser diferente. pois pra quem tem um diretor de criação que além de descalço, perambula pela agência com este macacão verde, autenticamente de jardineiro no bermudão, a vida não poderia ser diferente.
existe essa piada ou pequena história insólita de que, ali em abril, quando houve a reunião mundial de diretores de criação da bbdo, ali em miami, o charvát (o louco que me trouxe pra cá e sim, o diretor de criação da mark), foi confundido com o carinha que repõe os produtos das máquinas de snack nos tradicionais corredores americanos. e se isto não soa engraçado é porque tu ainda não conhecestes o diretor de criação mais "a vontade" do mundo. juro, duvido que exista outro igual. tanto duvido que no único dia em que vi charvát vestindo uma camisa (mesmo que ainda descalço) ele me disse que só estava mais arrumado que nos outros dias pois ele iria ao teatro após o trabalho. sente? aqui, ou pelo menos pra charvát, nenhum cliente seja ele com quantos milhões ou bilhões nas mangas, vale um degrau na vaidade como o consumo de cultura nacional vale.
sim, aqui em praga, ou pelo menos na mark, são as pessoas que fazem o lugar e não o contrário. e isso, puta que pariu, é uma coisa linda de se ver (sim, note nossa piscininha para o verão).



por seis semanas eu habitei a sala mais ao fundo do andar de criação. o departamento todo, junto com tráfego (coordenação) e revisora, fica no topo do casarão, infelizmente o andar com menos janelas que felizmente conseguem ser substituÃdas pelo terraço. oh, o terraço. eu amo o terraço.
por seis semanas, além de habitar a sala mais ao fundo da criação, duplei com o tcheco mais averso ao trabalho em grupo. foram seis longas semanas delicadas com momentos nada amenos, mas que tiveram um fim. e certo que quando o fim chegou, uma vida e uma rotina completamente nova, começou.
posso não durar muito nesse meio. posso muito bem não durar quase nada nesse mercado, mas seja o que durar, sei que a recordação do primeiro dia do resto dos dias, irei lembrar. porque passada nove horas da noite no inÃcio da minha sétima semana na mark, eu ali, na garoa do terraço fumando em companhia doutro diretor de arte, sorri pateticamente ao dizer que até então não sabia que propaganda podia nos deixar feliz.
na sétima semana de mark mudei da sala mais ao fundo da criação para um cubÃculo bem ao centro da criação. e ali, passei a habitar junto a minha nova dupla. a iva. uma tcheca nata, loirÃssima, magrÃssima e dois palmos mais alta que eu. o paraÃso dos guris da criação e totalmente meu porto seguro em se tratando de trabalho.

exatamente isso. esta mesa em frente ao arnold, é o mais novo recanto destinado a minha pessoa. e sim, a iva senta ao meu lado.
Comments
EBA! tu voltou! amiga é importante os outros te lerem tb. fico bem feliz!
Posted by: gordinha | July 9, 2007 5:24 AM
EBA! tu voltou! amiga é importante os outros te lerem tb. fico bem feliz!
Posted by: gordinha | July 9, 2007 5:25 AM
um beijo pequena.
tenho certeza que muitos ficarão felizes por retornares com noticias
Posted by: malena | July 9, 2007 4:18 PM
ca, esse reloginho no blog é a hora oficial ai em praga?
Posted by: malena | July 10, 2007 3:11 PM
eu entrei pra te dizer que passei um mês lendo e teu blog do início ao fim, e foi como ler um romance, com uma personagem que foi minha colega na unisinos.
Estranho e divertido.
Posted by: betine de paris | July 17, 2007 7:51 AM