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July 27, 2007

no sleeping at night but i'm going from bar to bar

foi la por volta das tres da tarde quando a iva apareceu no cubiculo pra avisar que estavamos indo acompanhar tudo de bom da agencia e seu dupla num vinhozinho branco no terraco. com direito a gigantescas tacas da ikea la se foi duas garrafas em menos de uma hora. e exatamente assim eh que a estupida ressaca consegue ser explicada.

do vinho branco da tarde, a noite teve como cenario o gigantesco gramado da praia a beira do rio, nesse chamado yellow park. e jogados, lah estavamos eu e meu frenetico coracao na companhia de tudo de bom da agencia, seu dupla e outros tres da agencia. e tirando a quantidade de peitos de fora que vi ali no gramado, assustadoramente fui capaz de ver o quanto o fluxo de borboletas tem aumentado.

de pequenas descobertas da noite, a vergonhosa ficou sendo essa de que o pessoal da agencia me acha o equivalente feminino (do tudo de bom) em se tratando de barulho. carmela eh barulhenta, pode?? e mesmo que este nao seja um fator simpatico pra se cogitar a possibilidade de eu e ele combinarmos em alguma coisa, pelo menos em barulho estaremos bem servidos caso algo, aquele algo que exalta barulho, aconteca.

serio. eu preciso que algo aconteca.

ps.: o pessoal da criacao anda suspeitando que um diretor de arte esta prestes a terminar um namoro pra comecar outro - comigo. essa criatura eh um puta amigao pra mim, e tem sido assim desde que aqui cheguei. soh que essa craitura nao eh um puta em tudo, sabe? o famoso crack da bolachinha, totalmente visivel do lado dele, nao quebra do meu lado. nao quebrou e nem vai quebrar e das suspeitas do pessoal, eh bem provavel que a quebra aconteca ainda mais forte, no pobre coracao da criatura. eu poderia ir pro lado de um McNice, sabe? mas McLoud eh um caminho com tao mais surpresas!

terca feira que vem estarei abandonando meu entao flat para passar longas onze noites num albergue. essa promete ser a mais terna espera de minha pessoa por um novo lar.

July 19, 2007

your ex-lover is dead - the beginning of the fantasy

levou cinco anos pra realmente acontecer, e quando aconteceu, aconteceu justamente aqui. foi lá pela minha terceira semana em praga quando num final de expediente acabei saindo com três seniors da criação. o que era pra ser um happy hour acabou virando pedaço de história pois foi quando, ao chegar ao pub três quadras da agência, o top beleza da criação olha pra mim, lê aquela primeira frase tatuada no peito e diz, manic street preachers.

parece irrelevante, mas em cinco anos de "this is my truth, tell me yours" escrita no peito, nunca até então uma pessoa havia ligado uma coisa com outra. ou se havia ligado a frase ao nome do disco, nunca me disseram - o que, especialmente pra mim, sempre foi considerado um pesar. então aconteceu. e aconteceu aqui. e apesar disso ter vindo do top beleza da criação, não é com ele que eu tenho sonhado em casar.

semana passada, numa daquelas típicas manhãs no terraço da agência, eu estava ali, bem acompanhada de meu café preto, cigarro e top tudo de bom da agência. o top tudo de bom da agência é esse diretor de arte com quem eu costumava dividir meu antigo cubículo. a peste é um pedaço de mal caminho, ou estranho caminho. é um estabanado, ri mais alto do que qualquer criatura que já conheci na vida, ama torrar ao sol em seus momentos de braisntorms, uma vez por mês não vai trabalhar pois dá aula pra alguma cadeira na faculdade tcheca de propaganda e é assim, berrantemente, o único ser que mais naturalmente do que qualquer outra pessoa que já conheci na vida toma cerveja as nove da manhã pra começar bem um dia. ok, super tudo de bom da agência não faz isso (graças a deus) diariamente, mas pelo menos uma vez a cada nove dias.

então top tudo de bom da agência e eu estávamos em mais uma manhã como qualquer outra típica manhã no terraço quando o top tudo de bom, que também é rabujento, começou a reclamar do sino da igreja. tu vês, uma vez que mark/bbdo fica neste lugar incrível, especificamente ao lado de mais uma igreja das trocentas igrejas de praga, o sino ali toca, e toca a cada hora. e a cada hora, após os sinos, essa insana música começa só terminando minuto e meio depois. vinte e quatro horas por dia essa insana música após os sinos toca, e exclusivamente naquela décima hora da manhã daquele dia nada especial foi que me casei com tudo de bom da agência ao que a peste me olha e me diz sabe, carmela, o problema é que god is the wrong dj.

caetano andou me escrevendo essa semana pedindo pra não esquecer que onde se ganha o pão, não se come a carne e eu ando tendo calafrios. óbvio que vou colocar a culpa na quantidade de risadas que escapam junto com um trilhão e meio de borboletas cada vez que top tudo de bom da agência proclama pra mim qualquer asneira no rústico inglês que lhe prescreve, mas diabos, não tenho como ignorar tamanha criatura. top autenticidade da agência.


ps.: aniversário de dois meses em praga. amanhã. e anote, tu precisas ouvir: national em the boxer, maps em we can create, spoon em ga ga ga ga ga, the new pornographers em challengers, voxtrot em voxtrot, pela em anytown graffiti, apostle of hustle em national anthem of nowhere, okkervil river em stage names e stars em in my bedroom after the war. e mais, setembro tem the decemberists, em berlin - quatro horinhas de trem daqui!

July 7, 2007

advertising can make you happy

ninguém te disse que esta agora é a tua vida. tu simplesmente notastes, agora, que esta é a tua vida. e tu notas assim, bem estranhamente. e se é estranho, é porque em mais um sábado como tantos e tantos outros da tua vida, tu optas em passar a tarde, deste, no castelo. SERIOUSLY. "vou pro castelo". "ali, bem ali. um castelo, pode??"

é estranho olhar todas aquelas pessoas a tua volta, dentro de um bonde elétrico tcheco, e pensar que elas talvez só tenham este sábado para visitar o castelo - enquanto eu, assim... poderia dizer que tenho a minha vida inteira. finais de semana são dias em que tu te misturas com trocentos e trocentos turistas e finge que não és um. ou optas em ser um pelo simples motivo de querer uma companhia. é ver todas aquelas pessoas passarem e não estarem mais ali no dia seguinte enquanto tu, bem... enquanto tu estarás ali no dia seguinte e no outro também.

bom, se fui ao castelo, a coisa mais preciosa que por lá vi neste sábado como tantos outros sábados da minha vida, foi isto:

royal garden


acho que qualquer pessoa teria uma impressão visual pomposa do trabalho. o meu. e acho que grande parte desse pomposo todo está no fato de que, especialmente no brasil, o mercado publicitario tem esse certo luxo, uma luxúria quase que muito exigida pra se estar e se apresentar no mercado. óbvio que não vou dizer que "oh, em praga não é assim", vou dizer apenas que em praga, não é bem assim.

a bbdo tcheca se chama mark e existe há uns bons, bons anos. mas há dois anos, a mark/bbdo passou a morar dentro desse pomposo casarão bem no coração do ponto de nascença da cidade. traduzindo: a mark/bbdo passou a morar no coração de vysehrad, atualmente um antigo forte transformado em jardim nacional e que, trilhões de anos atrás, foi o terreno do primeiro castelo de praga. sem lengas, não há como não dizer que a mark fica nesse lugar quase que certamente surreal, possivelmente na melhor localidade da cidade para uma empresa do ramo, e estupidamente afudê e sortuda pois fica bem ao lado do cemitério que fica bem ao lado da igreja e de qualquer canto da cidade tu enxergas as torres da igreja fazendo com que puta,.... lá do além tu possas observar duas torrezinhas negras e pensar, dizer, gritar "é lá que eu trabalho".

não é o pensamento de que as aparências enganam. é apenas o pensamento de que existe vida real e pelo menos aqui, essa vida real é ligeiramente como a de qualquer outra pessoa. nossas vidas dentro da agência são vidas comuns, ali o status se esvai, se perde, é esmagado por coisas mais importantes. e pra quem tem um diretor de criação que passa o dia, repito - o dia - descalço andando de cima pra baixo pelos quatro andares da agência, a vida não poderia ser diferente. pois pra quem tem um diretor de criação que além de descalço, perambula pela agência com este macacão verde, autenticamente de jardineiro no bermudão, a vida não poderia ser diferente.

existe essa piada ou pequena história insólita de que, ali em abril, quando houve a reunião mundial de diretores de criação da bbdo, ali em miami, o charvát (o louco que me trouxe pra cá e sim, o diretor de criação da mark), foi confundido com o carinha que repõe os produtos das máquinas de snack nos tradicionais corredores americanos. e se isto não soa engraçado é porque tu ainda não conhecestes o diretor de criação mais "a vontade" do mundo. juro, duvido que exista outro igual. tanto duvido que no único dia em que vi charvát vestindo uma camisa (mesmo que ainda descalço) ele me disse que só estava mais arrumado que nos outros dias pois ele iria ao teatro após o trabalho. sente? aqui, ou pelo menos pra charvát, nenhum cliente seja ele com quantos milhões ou bilhões nas mangas, vale um degrau na vaidade como o consumo de cultura nacional vale.

sim, aqui em praga, ou pelo menos na mark, são as pessoas que fazem o lugar e não o contrário. e isso, puta que pariu, é uma coisa linda de se ver (sim, note nossa piscininha para o verão).

getting there

entrance

backyard

por seis semanas eu habitei a sala mais ao fundo do andar de criação. o departamento todo, junto com tráfego (coordenação) e revisora, fica no topo do casarão, infelizmente o andar com menos janelas que felizmente conseguem ser substituídas pelo terraço. oh, o terraço. eu amo o terraço.

por seis semanas, além de habitar a sala mais ao fundo da criação, duplei com o tcheco mais averso ao trabalho em grupo. foram seis longas semanas delicadas com momentos nada amenos, mas que tiveram um fim. e certo que quando o fim chegou, uma vida e uma rotina completamente nova, começou.

posso não durar muito nesse meio. posso muito bem não durar quase nada nesse mercado, mas seja o que durar, sei que a recordação do primeiro dia do resto dos dias, irei lembrar. porque passada nove horas da noite no início da minha sétima semana na mark, eu ali, na garoa do terraço fumando em companhia doutro diretor de arte, sorri pateticamente ao dizer que até então não sabia que propaganda podia nos deixar feliz.

na sétima semana de mark mudei da sala mais ao fundo da criação para um cubículo bem ao centro da criação. e ali, passei a habitar junto a minha nova dupla. a iva. uma tcheca nata, loiríssima, magríssima e dois palmos mais alta que eu. o paraíso dos guris da criação e totalmente meu porto seguro em se tratando de trabalho.

arnold

exatamente isso. esta mesa em frente ao arnold, é o mais novo recanto destinado a minha pessoa. e sim, a iva senta ao meu lado.