os seres humanos não sofrem pelas coisas em si,
mas pela visão que têm delas*.
ficamos dezessete dias sem nos falar e quando liguei pro eric na segunda, ele não sabia que o gio havia me contado que no dia anterior eles (jenna incluída) haviam se falado. a ligação do fixo 51 pro celular 607 do eric é uma experiência. ok do 51 escutá-lo perfeitamente, mas o inverso nunca ocorre e somado a isso, aquele delay é tão literalmente retardo que fadiga qualquer possível e esperançosa conversa que seja cogitada nesse mundo. daí puta, tu lembras que a penúltima conta de celular te custou mil oitocentos e oito reais e tu pedes pro outro lado desligar sem a menor dor na alma do bolso. sabe aquela coisa que as pessoas dizem? que dinheiro não compra felicidade? é mentira, não completa, mas num caso como esse, ah se compra, e compra MOITO, com a letra "o" mesmo.
dezessete dias sem notícias compreensivamente deixariam o eric "concerned", mas como explicar as coisas que andaram acontecendo? tu diz que tu pensastes nele e em ligar muitas vezes mas tu acabastes não ligando porque tu não querias que ele te "vistes" daquele jeito. ele pergunta que jeito e tu diz "triste". mas daí como explicar que tu não querias que ele soubesse que tu pensavas em morrer, que tu pensavas em se matar, que tu havias encontrado uma forma de morrer, que tu havias descoberto como se matar, que tu havias feito sonoterapia mas ainda pensava que a sonoterapia com choques teria ajudado mais, que tu sentias tanta dor por dentro que quando tu choravas era de pena de si mesma? por que no mundo eu gostaria que o eric soubesse disso? ele te diz que é, ele não saberia ou sabia como ajudar mas que eu devia ligar sempre que sentisse vontade porque ele estava ali".
ELE ESTAVA ALI.
HE CARES, traduzido pelo caetano.
a ligação continua e tu perguntas sobre diversas coisas, ele te conta sobre os dias dele, sobre o trabalho, sobre o problema do carro, sobre o spencer estar na nova zelândia, sobre o banks que está ficando com pernas longas, sobre a incomodação número oitenta e nove que ele teve com um dos roommates, sobre ele ter conversado com o teu irmão e tua cunhada e sobre o que vai acontecer depois. tu pensas ai, senhor, estou tentando viver o dia de hoje me cuidando pra não sofrer um tilt e acontecer uma coisa feia, muito feia e ele quer saber o que vai acontecer depois quando eu voltar? tu pensas porque diabos ele está pensando nisso e daí tu diz que é pra ele não pensar ao que ele te responde que não consegue e tu tentas mais uma vez com tenta parar o cérebro, eric! ele te conta que até a jenna disse que eu devia ficar, que a jenna disse que daí tu podias se mudar pra steamboat e ficar trabalhando de lá e ele te pergunta mas como tu ficarias sem um visto se é um pesadelo ser ilegal ainda mais com tudo o que o presidente tem feito? tu sorri por dentro, diz pra ele que então ele pode se casar contigo e resolver essa situação e ele te responde que não está preparado pra isso e tu diz que é brincadeira e pergunta se a jenna andou assustando ele que finalmente volta a respirar normal.
*epícteto, filósofo na grécia antiga.
ps.: há três dias, sem esforço algum (daqueles de puxar a barriga pra dentro e prender a respiração), consegue-se fechar todas as jeans tamanho 34 do armário.
Comments
blogueira querida!
que bom tê-la de volta, viva e a cores!!
Posted by: malena | August 11, 2006 6:33 PM
o que fazer com a saudade que é de doer?
(bah, isso não era pra rimar). mas a gente tá há tanto tempo sem se ver que tô com dor de saudade de ti. vamos nos ver, amiga?
Posted by: gordinha | August 12, 2006 4:59 PM
alleluia!!!
Posted by: gio | August 12, 2006 5:00 PM