« June 2006 | Main | August 2006 »

July 18, 2006

if today were the last day of my life,
would i want to do what i am about to do today?

a bolsa de couro preta comprada para viagens acabou virando o saco de surpresas. grande para caber quantos apetrechos de vida necessária, ela carregou minha kusanagi saída da mente de mcfarlane até o consultório do nono andar.

não siga lendo. não com pressa.
muita coisa precisa ir e se a mente não estiver na velocidade para acompanhar, feche a janela e me deixe descansar.

como se tivesse levado um brinquedo, o caetano segurou minha kusanagi de mcfarlane para ver como ela era. e por um momento pensei que se ele a segurasse, ele conseguiria receber todas as informações que existem dentro da paciente dele. ao contrário do que imaginamos e sempre imprevisível como pode ser o todo, caetano queria saber o que eram aqueles cabos. é a metáfora. kusanagi vive aqui - no escuro (que pode ser o clarão) da rede.

se a instabilidade tem incomodado o caetano, ela tem perturbado a mim ainda mais. se ao menos se pudesse pegar essa coisa, se ao menos essa coisa fosse visível como se enxerga um câncer, se ao menos houvesse um pequeno concreto no meio disso, talvez fosse possível o uso de um aparelho megamente tecnológico para retirar ou fazer diminuir. ou tu saberias o que te faz ruim ou ainda mais, tu conseguirias deixar de enxergar a depressão como algo abstrato que talvez tenha formato de geleca verde mas que nem isso o mundo descobriu. pode não fazer sentido, mas foi mais fácil se descobrir que a terra era redonda do que descobrir qual o trajeto da montanha-russa que existe dentro de nós.

o discurso de steve jobs.
um pedaço da dor. o caetano pensou no discurso quando aquele pedido de vontade absurda vazou. aquele pedido de que se eu já estivesse morta, gostaria que ele me escrevesse deste lado. caetano pergunta o que gostaria de saber. como estamos? se sentimos tua falta? o que tu deixastes pra trás? o que tu poderias estar vivendo? o que tu deixastes de viver? e paciente responde - as três últimas opções.

semana passada descobri que caetano tem quarenta anos. o susto que foi obviamente um desastre pro psiquiatra, foi lido pelo cérebro da paciente da seguinte forma: se há seis anos atrás ele virou meu psiquiatra isso quer dizer que ele tinha trinta e quatro anos quando começou a me tratar? trinta e quatro anos? que geração de jovens e promissores médicos é essa? como que um jovem promissor destes é capaz de dizer pra alguém que mal conhece, aos trinta e quatro anos, que se ela não se ajudar ele também não vai?

caetano disse que era técnica. e ele perguntou se a técnica funcionou. se seis anos depois steve jobs é a nova técnica, ainda não dá pra saber. no momento funciona, e provavelmente porque é steve jobs. uma pessoa com pai, mãe. uma pessoa que faz xixi como eu e tu. que tem remelas nos olhos quando acorda. que também precisa usar um transporte para chegar de um ponto a ao b e que têm as mesmas notícias do líbano e da conchinchina como eu e você.

acho que foi no mês passado que a gorda mandou esse email no final da tarde perguntando se eu tinha alguma frase ou texto curto bacana, bonito e talvez significante que se encaixasse em algo feito uma xícara que ela estava trabalhando pra um cliente. e isso é um troço difícil porque enquanto pra mim bastaria ler um "oi, como vai você?", pra trocentas milhões de outras pessoas aquele "oi, como vai você?" seria a coisa mais idiota do mundo. na sequência acabei sugerindo aquela frase incial do livro never mind nirvana do mark lindquist (que é, sinceramente, a mais bela parte do livro) onde lia-se "toda a minha vida meu coração tem procurado alguma coisa que não sei o nome." no estado atual do cérebro esquerdo, eu rescreveria para toda a minha vida meu coração tem procurado alguma coisa que não sei o nome, mas que preciso descobri para continuar. e daí se steve jobs fosse um ser normal como ele é, ele se intrometeria, olharia pra gente e diria que tudo o que bastaria na xícara seria você tem que encontrar o que você ama.


14 de junho do ano passado.
discurso de steve jobs, o criador da apple, para os formandos de stanford

Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida.
E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro." Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.


Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.

Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.


Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo". Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos. Obrigado.

» transcript in english.

July 16, 2006

words are kind. they help ease the mind.

code 5551: can you make this planet a little smaller so i can find you more easily?
code 1607: i can't but if i was chuck norris i could.
code 5551: so be my chuck norris. just for today.

July 15, 2006

does an outhouse count as a bathroom?

se isso vai ou não dar certo, no momento penso que ninguém se importa porque finalmente o mailbox recebeu o décimo segundo email do eric. está sendo um progresso lento, mas depois da conta de quatro dígitos do celular, é nitidamente melhor mantermos o processo lento.

então se há um plano, esse plano é eu e eric passarmos alguns dias juntos quando eu estiver na america em setembro. expliquei muito bem ao caetano que não quero chamar esta viagem de "oh, eric", até porque sem consulta nenhuma carmela marcou as passagens sozinha e sem consulta nenhuma, o eric já quis ficar a cargo do itinerário.

se eu sentar pra conversar com as minhas minhocas, teríamos um diálogo interessante porque assim, eu e eric somos duas pessoas. separadas. não apenas pela distância, mas por qualquer tipo de vínculo amoroso que possua nome. ele foi meu fling e agora somos o que? amigos? minhocas não gostam disso, minhocas querem saber se ele é meu caso, se ele é meu namorado, se ele é meu futuro marido, se ele vai ser o pai dos meus filhos, se ele sente curvas de corações por mim. ah, minhocas. disse ao caetano que realmente, não estou me importando. se eric leva quatro dias para dar sinal de vida, eu ainda continuo viva e sem cortar os pulsos e se eric escreve os emails mais sucintos da história do meu mailbox, bah, eu me divirto. porque sério, eu sei que tudo isso, indo ou não indo, é especial.

então eric queria saber onde eu gostaria de ir. e daí a conversa foi basicamente assim:

i thought lake tahoe would be a nice place since it has the lake and also the snow left from the winter but there's also redwood park, san rafael by san francisco, joshua tree that i think you've already been, and then there's also vancouver, alberta and the glacier park. eric, my requests are really simple. i just want to have some fun and get to be with you. ok, i need a bathroom too. we can maybe plan to go camping around steamboat but i don't wanna be away from a proper bathroom for more than two days. can we manage that?

eric told me glacier park would be awesome since he have always wanted to visit there cause it's beautiful. and it really is.

veja!

e daí quase no meio do parque tem isto, o granite park chalet, que tu só chegas caminhando!!
ok, a diária custa $70 plus tax, mas ahhhhh, por uma noitezinha que fosse, ahhhh.

o glacier park é extremamente longe de denver ou de steamboat (onde o eric mora). e eu não sei porque também não precisamos de um desgaste dirigindo tanto assim ou de uma coisa tão linda assim.

eric disse:

this is OUR trip together. I'm down for whatever. I want to make it comfortable for you so we can enjoy each other's company.

July 14, 2006

meredith's reference to holding a radio over her head "type love you"
to mcdreamy is a reference to the 1980s john cusack film, "say anything."

as pessoas não devem ter muita noção da quantidade de tempo que se gasta com emails quando se tem um trabalho assim, dignissimamente, como o meu. digo isso porque repetidas vezes, lá se vão cinco horas do meu dia só nos replies. aquela coisa de avisar o cliente que tu fizestes aquilo no site dele e explicar porque tu fizestes aquilo no site dele. nunca pensei que replies pudessem servir para se fazer venda de trabalho, mas devo talvez concordar que emails muitas vezes funcionam como convencimento - ok, não convencimento, mas como aquela grande oportunidade de se justificar porque tu navalhastes tal coisa, porque não era bem a tua intenção passar a navalha, mas tu simplesmente achastes que ficaria mais bonito navalhado, sabe?

o digníssimo trabalho do qual hoje em dia posso dizer que tenho mais orgulho do que em dias de anos atrás (até porque agora esse trabalho me permite viajar pra america duas vezes por ano) é um trabalho bem, mas BEM delicado. aquela delicadeza simples de carmela que, veja bem, cliente, tu queres que eu faza o "x", mas eu quero fazer o "y", então alguma perna vai ter que ser cortada aí porque se tu queres ficar feliz com o resultado, bah, eu quero ficar mais ainda, entende? não é questão de din-din, é questão do quanto vai ser bom pro lado esquerdo do meu cérebro, sabe?

e é aí que entra a geringonça. porque eu fiz tal coisa na proposta de um site. e daí eu não sabia descrever o que era aquela coisa, então dei o nome de geringonça.

feedback do cliente: do caralho. geringonça é isso aí. curti bem. vamos de geringonça.

July 11, 2006

a new theory suggests that creativity comes in two distinct types:
quick and dramatic, or careful and quiet.
what have you done lately?

lembrando abril, tu lembras o fiasco que aprontei. escrevi para o agente da banda, e tentei, do modo como era possível, tentar convencê-los a tocar em denver quando em maio eu estaria lá.

claro que não rolou nada e também não dá pra reclamar porque eu adorei snow patrol naquele teatro tão bem iluminado. na real, eu amei snow patrol naquela noite. porque puta, eu me diverti e o gio não reclamou em momento algum a não ser pela banda de abertura que era a augustana que também não me convence os ouvidos.

headlights vai tocar no dia 19 de setembro no hi-dive. completa injustiça porque na hora que o show estiver acontecendo eu vou estar aposentada numa poltrona de avião pensando quantos stilnox devo tomar pra conseguir dormir e só acordar pra sucumbir a fila da imigração.

então claro, carmela escreveu para o agente da banda.
e aqui está a resposta

hey carmela - i really appreciate your scenario here - but the situation is that this tour is fully confirmed and booked. it would be literally impossible to re-route the rest of the tour in order to play denver on the 20th. i am very sorry you will not be able to see the band perform - but i promise that it will happen at some point. who knows? maybe they will even make their way down to Brazil sometime? take care, seth fein - the agent

maybe they will even make their way down to brazil?
ha, é mais fácil eu comprar minha casinha do que isso acontecer.
$550 a piece, via global village shelters.

July 10, 2006

I. Am. So. There. (again)

receita para diminuir distância entre porto alegre no brasil e denver na america:

01. acumule pelo menos 31 mil milhas no teu skymiles da delta.
02. compre 19 mil milhas para completar um crédito de 50 mil milhas no skymiles da delta.
03. autorize o uso das 50 mil milhas do teu skymiles da delta para uma viagem internacional.
04. faça a reserva do vôo.
05. autorize a cobrança das taxas de embarque
06. receba seu ticket eletrônico via email
07. consulte empresas nacionais para o ida e volta - porto alegre/sao paulo
08. compre as passagens mais baratas que ofereçam bons horários para escala.
09. confirme a compra e parcele um pouquinho no cartão.
10. trabalhe desgraçadamente até o dia 18 de setembro porque bah, no dia 19 tu embarcas.

July 8, 2006

why does a society with such a reputation for conformity chase such outlandish fads?

o macbook exigiu uma pequena mudança na área de trabalho esta semana, de forma que tentando encontrar mais conforto na mesa, decidi passar akira, fruits e iconography2 pra lateral do dimage scan. o fruits é uma média hardcover que parece pedir sempre por atenção. não dá pra não sentar e não folhear. é muito detalhe, é muita fome por significâncias.

tentar encontrar uma japa com rosto redondo e cabelos bonitos foi a missão que impus ao fruits desta vez. só que repetidas vezes é a única imagem de crianças que me prende os olhos. adoro. cobiço. deixa o lado esquerdo do cérebro feliz.

houve dermatologista na sexta e é possível que a lenda do cisto no ombro seja apagada nas próximas semanas. e aqui entra o adendo de que é o mesmo compartimento médico da gorda que tenho visto, - e tenho gostado. talvez seja porque o compartimento fica meia quadra do compartimento médico do caetano, mas a analupe veste camisa de boneca e abraça a gente apertado e isso é essencial, sabe? tu tens que se sentir cuidada por aqueles que refletem carinho, e daí, aquele pedaço da rua mariante fica parecendo extensão de família.

quando analupe revisou o estado do meu rosto, ela disse que poderia estar melhor e eu, naquele impulso sofredor de vaidade disse que sentia que pela primeira vez na vida estava querendo realmente cuidar mais de mim. tentar ficar mais bonitinha, não como uma pessoa que escova os dentes e mal consegue continuar no espelho pra arrumar na bagunça, os cabelos. foi estranho, porque isso abriu espaço para uma conversa sobre a depressão e sobre como me sinto quando uma crise vem. porquê ela quis questionar estas coisas, realmente nem me atrevo a perguntar, mas há aquela percepção que fica, de que analupe tentou uma aproximação dos problemas internos agindo nos externos.

e ah, tudo isso aconteceu no pós almoço com a gorda que até me fez chorar. há muita limitação em se trazer este assunto aqui, mas que a gorda vive uma história linda é preciso dizer. abençoados aqueles que sentem, porque por toda a minha vida meu coração tem procurado alguma coisa que não sei o nome.

e claro, daí acontece.
anos carregando as mullets nas costas e três segundos para elas irem embora.

July 5, 2006

until we finally understand for ourselves
what benjamin franklin really meant

quando o caetano disse que me colocaria a tomar lítio para controlar a instabilidade de humor eu pensei nesse episódio antigo de CSI onde uma jovem havia sido assassinada. ela morava com o namorado e ambos tomavam lítio para controlar as "manias", os supostos ataques de diagnosticados com toc. sem a quantidade "x" de lítio diária, o casal sofria derradeiras crises, algumas fisicamente violentas, outras emocionalmente devastantes. no final do episódio descobríamos que a jovem havia sido assassinada pelo próprio pai que temia que a filha ferisse alguém, além de si mesma.

quatro dias de lítio foram suficientes para achar que a farmacologia não era boa. talvez a conclusão tenha sido programada pelo cérebro para brotar na consciência na nonagésima sexta hora posterior, mas isso jamais saberei se de fato, fiz ocasionar. há sete dias tomando gabapentina, sinto que a estabilidade da manhã não contrasta com a noturna e sinto também que o próprio supermario e sua esposa notaram uma melhora, não absurda, mas simpaticamente acolhedora.

no final do jantar esta noite, com a gorda e a lis, comecei a pensar que abracei a copa do mundo na ausência das temporadas americanas de séries para tv. se a gente sempre torce pelos nossos personagens preferidos, estas semanas eu tenho torcido por jogadores que nem sonhava que existiam. só que em poucos dias isso também chegará a um fim e voltarei a estar sem abraçar algo de consumo importante para a mente.

ps.: amanhã tem caetano. e ghost in shell eu estarei levando, até ele.

July 1, 2006

whenever she's happy is worth every minute that we've saved ourselves

o papel do correio avisando que o pacote do eric estava esperando para ser retirado apareceu ontem no mailbox. quando voltei da rua com o cookies esta manhã, supermario e mãe estavam esperando para saber o que havia chegado.

quando o supermario voltou de berlim, claro que um presente ele tinha pra mim. pra total surpresa, supermario não havia apenas trazido chocolate pra filha dele, ele também tinha uma sacola com uma caixa da swatch pra ela. sempre acreditei que o supermario é capaz de idéias incríveis para presentes, mas um relógio com traços rococós meio que ultrapassava a minha idéia de incrível.

não, o relógio não é incrível, mas a intenção por trás dele sim. e explico: não sou adepta a controle de horas num pulso mas sou por demais adepta a ouvir um pai dizendo que bah, o design daquele objeto se parecia muito com as tatuagens da filha dele então tinha de ser aquele o presente dela. sim, acho que foi a primeira vez que ouvi meu pai falar a palavra "design" na vida e sim, foi a primeira vez que ele disse em voz alta na minha frente, que a filha dele tinha tatuagens.

assim como a unicidade do presente do supermario, imaginava eu que o presente do eric não seria lá a cara de carmela mas que seria também algo único. único da pessoa que o escolheu pra mim, único para a visão dela a minha, úníco para as escolhas dela diante das percepções que tem de mim.

eric enviou um necklace e um cartão. um necklace realmente lindo, mas que eu ainda não sei se usaria com frequência. eu sei quanto tempo ele demorou para escolher e sei que isso o faz ser por demais de especial. é trazer algo do mundo de escolhas dele, para o meu mundo onde peças envoltas no pescoço, não são comuns. e o cartão, ah, o cartão. trazia a foto de um dos fotógrafos prediletos dele na capa, e dentro, o espaço branco completamente preenchido com linhas e linhas de caligrafia de menino.

é claro que levei o cartão até a sala de inverno para ler bem sossegada deitada no tapete entre almofadas. e é claro, eu chorei, tamanha era a beleza de tudo aquilo ali.

Categories