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estar na georgia não era bem o que gostaria, mas depois de cinco horas parada dentro de um avião em denver plus duas horas e meia de vôo até atlanta, dormir numa cama gigantesca de um bom hotel foi uma necessidade bem melhor que uma possível escolha.
perder o vôo para são paulo, aquele em que teria a companhia da gorda, me fez chorar. chorei tanto que as pessoas paravam no meio do corredor para perguntar se eu estava bem. o sistema interno estava programado para voltar pra casa e o bug no sistema deu o surto que deu.
dentro da van que me trouxe para o hotel haviam oito soldados americanos a caminho do iraque. um senhor, sentado ao meu lado, agradeceu os soldados pelo trabalho que estavam fazendo e aquilo na hora me fez pensar que bah, por que agradecer se eles nem sabem o que estão fazendo? logo que o pensamento se dissipou eu fui tomada pela inveja. por mais que eu seja contra isso, contra essa guerra de mentira, eu senti inveja deles. senti inveja deles estarem a caminho duma terra de ninguém, ou de uma terra que não é deles mas que eles supostamente estão lá pra ajudar. senti inveja de não ser eu a caminho de uma cultura diferente, de uma terra castigada, cheia de cicatrizes que são esquecidas a cada momento que algo bem pequeno mas feliz acontece. senti inveja de não ser eu a dizer que não estava voltando pra casa e sim indo embora. senti aquela coisa que sentia anos atrás quando pensava que devia escrever pra onu e pedir um emprego. talvez seja por isso que eu amo o que faço embora ainda sinta que não seja suficiente. sei que amo a internet pelo simples fato dela não ter fronteiras e me ceder a opção de estar onde eu quiser a qualquer momento.
quando na semana passada várias pequenas coisas ruins começaram a acontecer, pensei que haviam posto uma praga em mim. a camera digital havia sido queimada, o celular havia sido bloqueado, nenhuma das telas de serigrafia funcionou. ontem quando os oito minutos de atraso na tentativa de pegar o vôo me machucaram eu gritei pra dentro "façam isso parar" mas daí de novo, tudo se arranja. a gente não tem controle sobre a vida, mas felizmente temos ainda o controle das ações que geram os acertos da melhora. tive tantos incontáveis momentos maravilhosos durante a viagem que listá-los seria um trabalho computacional de esforço.
daquelas coisas que não esqueço, ficam as noites em que eu e o gio bebemos juntos. snow patrol e o punk rock bar bem chinelento. a muvuca que era o bar de jazz e as trocentas cerejas que comi. ver o gio tocar e fazer dancinha com os pezinhos. vê-lo cuidar de mim quando depois de anos eu mal conseguia andar de tanto que havia bebido. vê-lo no meio do jardim chamar por mim pra que fosse ver uma das tartarugas. vê-lo dando carinho a jenna e dizendo "i love you" dezenas de vezes. e claro, fica a noite no country bar, eu e o eric dançando no meio da pista antes de sair, todas as comidas especiais da jenna, o restaurante mexicano, todas as voltas de motoca, minhas conversas com a mais terna cunhada do mundo, a risada do harlon, o seven chorando na janela, a cama maravilhosa do mr. legrand, o último episódio de grey's anatomy no tivo e a visão do escritório do gio que é simplesmente uma terra encantada.
eu por gary isaacs, manhã de segunda feira at st. marks.

o pensamento funciona da seguinte forma, quando a major motoko supostamente morre no final de ghost in the shell, ela - como a cyborg de corpo perfeito - se esvai e toma o corpo de uma garotinha de (imagino eu) oito anos. motoko em parte se esvai e a última fala é aquela em que ela mesma se pergunta para onde deveria ir, uma vez que a web é vasta e sem fronteiras. descobrir que se eu soltar a mão que usava para segurar a web não me faz cair, não me faz me machucar e não me faz me sentir sozinha é como estar no segundo ghost in the shell assistindo a major motoko simplesmente observar a vida pelo lado de fora. optar por estar do lado de fora, optar por não se sentir dependente do lado de dentro e perceber que estar agindo desta forma não é ruim e sim MUITO melhor do que tu imaginavas.
não é encantador dizer que não sinto falta da web nesta viagem, mas é fantástico sentir que nem ao menos preciso ter controle de uma possível saudade. estar na villa é como estar em casa, aquela casa que te preenche em cada canto ou pedaço de corpo vazio. e ter a companhia constante do gio é como poder continuar a vida bem daquela parte onde nos separamos.
escrevi ao caetano durante a semana e ainda tenho aquela mesma sensação, aquela de que desejaria ser assim sempre. segura. pararece que quando eu abandono a minha nação é quando realmente encontro a minha. e é como voltar as reuniões do rotary quando éramos preparados para adentrar em uma outra cultura. doutor arnaldo dizia que uma vez ausente ecnontraríamos a nós mesmos e é essa é a realidade que melhor conheço.

durante a semana, antes de sair para uma reunião com cliente, secando os cabelos, deu aquele surto. a cabeça surtada pensava que imagina, uma pessoa web não pode sair de férias. mesmo que as férias sejam de míseros quinze dias e que tu tenhas planejado as férias por mais de meses de antecedência.
claro, a verdade é que uma pessoa web como eu não sabe bem o que é férias porque uma pessoa como eu teme não conseguir se desligar do trabalho porque na realidade, não gosta de se desligar do trabalho.
durante a semana percebi que estou com a lis há três anos. que estou com a karen há duas coleções e que estou com a laundry há quatro. quatro coleções, dois verões, dois invernos e uma mint. porque sim, a laundry agora tem uma irmãzinha mais nova que se chama mint e que mora na galeria do rock.
olha a mint!

a pati quis alterar todo o layout do site com a entrada da nova coleção. foi um projeto jack bauer pra vencer o tempo, e lá na última hora foi necessário entrar um drops para que a mint também fizesse parte da casa. eu tenho um orgulho enorme dos meus clientes. vê-los crescer é surpreendente, mas quando eles ligam pra te desejar boa viagem, bah, parece que o mundo pára e que uma lágrima cai.
o caetano diz que é uma coisa muito boa ter estes sentimentos. que significa que estou viva e que sou sensível. caetano também diz que tenho de aproveitar o fato de sentir emoções tão vivas, pois estas poderão me levar a emoções ainda maiores e melhores. mas isso é coisa de caetano bonzinho falando, aquela coisa de psiquiatra que já está cansado de conversar por email com a paciente apegada demais a vida digital.
ps.: beirut: postcards from italy.
meu ouvido vai explodir de tanto ouvir regina spektor essa semana, mas daí eu compreendo de onde vem a necessidade de enfiar a ansiedade em algum lugar. falta bem pouquinho.
email do gio. hoje.
estamos aqui contando os dias para a tua chegada, enquanto isso estou cimentando as paredes da casinha onde tinha um armário embutido. assim tu não pensa que te coloquei numa casa de favela.
ps.1: e isso que eu disse que ficava até na garagem ou no porão.
eita criatura adorável!
ps.2: Oh, Regina:
fidelity, better, samson, on the radio, field below, hotel song, apres moi, 20 years of snow, that time, edit, lady, summer in the city.
e tá. preciso. grey's terminou com on the radio ontem, bem naquela cena em que o veterinário explicava porque ele era scary e damaged também. e daí, depois de quatro dates, duas sleepovers e nada de sexo, meredith e finn finalmente se beijaram. BEM no pabaparapapa da música.
this is how it works you're young until you're not you love until you don't you try until you can't you laugh until you cry you cry until you laugh and everyone must breathe until their dying breath this is how it works you peer inside yourself you take the things you like and try to love the things you took and then you take that love you made and stick it into some-- someone else's heart pumping someone else's blood and walking arm in arm you hope it don't get harmed but even if it does you'll just do it all again
meredith está namorando o veterinário do doc. e o papel do veterinário é de chris o'donnell e faltam três horas para a segunda temporada terminar e essas três horas serão divididas em part one and part two a serem exibidas nos próximos dois domingos e eu temo sinceramente que o doc tenha um problema sério e morra. mas se o denny morrer meu coração realmente vai partir porque denny tem sido mais importante que derek chamando meredith de puta porque ai senhor, é ele o puto da história por ter quebrado todo o coração dela em tantos pedaços que tem sido um fiasco tentar montá-lo igualzinho como da última vez.
o v3 agora é black, tem cookies como wallpaper e o mesmo ringtone escandaloso de antes. e pra fazer justiça a quase repetição de compra, configurei os servidores de email e agora até unicode messages o simpático manda e recebe.
semana passada foi a peregrinação dos eventos. da abertura da casa & cia onde a luiza está expondo à almoço até as três da tarde com cliente, a melhor frase de todas só poderia ter vindo do almoço de despedida da gorda com o goli e a mari.
mari, atendimento de supermercado, pergunta quanto custa um quilo de site e eu respondo que tudo varia de qual produto está sendo pesado. o cliente quer batata? descascada? batata doce? batata com casca rosada? será que o cliente já quer a batata pré-cozida?
no mesmo dia que a mari trouxe a frase das frases que deveria ser registrada de tão bárbara que é, meu taxista perguntava coisas semelhantes, porém, da forma que o background dele permitia. ele queria saber como era trabalhar com internet. que coisas eram necessárias. um computador? um telefone? e se eu quisesse fazer um site? bem, daí o senhor teria de me dizer primeiramente porque tu queres um site, qual será teu público e o que seriam as coisas que o teu público gostaria e acharia necessário encontrar no teu site. um briefing, e daí podemos pensar em mídias e orçamento. ahhh, ele disse, o orçamento... deve ser caro. e eu disse: tome como exemplo um site de comércio eletrônico, um cliente não paga menos de quarenta e cinco mil reais pra tê-lo pronto, funcionando. ah, é??? é, mas nem pense em pedir vaguinha pra trabalhar comigo que eu ainda não desenvolvo comércio eletrônico.
o bom humor ainda existe, mas ter perdido meu V3 na semana retrasada tem me custado bem mais que dor de cabeça e sim horas e horas calculando quantos quilos a mais de site terei de vender para comprar o mesmo aparelho novamente. se alguém pensar "ridículo" aqui, eu mato, porque o apego que criei com o V3 é algo indiscutível. ok, existe o nokia 6111 que é quase quase semelhante (em features) ao V3 e que custa um pouco, um pouquinho a menos. mas você conhece a síndrome da mulher que pensa que está grávida? aquela síndrome de que pra qualquer canto que ela vá, pra onde olhe, ela sempre enxergará bebês, mamães grávidas, lojinhas infantis, e tudo e qualquer coisa ligada a gravidez? pois bem, eu ando sofrendo a síndrome do V3, cada passo que dou, um V3 aparece na minha cara, ainda mais porque é pré-dia das mães e todo mundo quer vender V3 rosinhas, mas não quero V3 rosinha, eu queria o meu de volta, aquele tradicional que todos os personagens dos meus seriados estão usando! sacola, presidente logan e chloe de 24hours, meredith de grey's anatomy, sandy e cohen em the oc. é patético de tão frustrante. e pra piorar as condições, foi somente quando perdi o V3 que me dei conta da tamanha utilidade que aquele aparelhinho tem. a amplitute do trabalho dele comigo me deixou nula por horas porque até mesmo me conectar com o celular de emergência do caetano se tornou impossível. e bah, se alguém sabe o que esse celular de emergência do MEU psiquiatra significa....

despedida da gorda ontem no apê novo da lui.
o mundo desaba mas a gente monta tudo de novo.
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