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April 27, 2006

the final five episodes of season two

nove meses de tratamento farmacológico e talvez seja este aquele estranho relatório que preciso manter arquivado. durante três meses as visitas ao caetano tiveram uma frequência comum, mas há seis elas passaram a ser visitas de checkup, senta, conversa e ri. em todas a mesma pergunta - e talvez a única essencial - "sintomas depressivos?"

a sessão pré-férias acontececu ontem e minha resposta foi a primeira mais bem respondida sabe-se deus lá há quanto tempo: nenhum. nada. tá tudo tão bem, que não sinto nada. bem, eu chorei bastante no domingo, mas era porque assisti a refilmagem de lassie e pode rir, eu sei, todo mundo chora vendo um meio clássico destes.

caetano queria saber da situação da viagem, das expectativas, de como eu espero voltar e eu entrei naquele próprio diálogo que bill e eu tivemos semanas atrás. aquele em que concordamos que nosso período internet expirou. e eu assumir que existe a não paciência em se levar um relacionamento assim, pela internet, é simplesmente a carmela finalmente perdendo parte do deslumbramento. porque sério, não aguento mais. e como diz a bel e a gorda, na real nem relacionamento há de fato porque convenhamos, EU NEM BEIJEI O BILL. e nem me venha com a história de laços fracos e fortes que a internet desenvolve porque eu não caio mais nessa.

que seja, o fato é que estou bem sozinha e não há do que se queixar. em seis meses de recuperação de lucidez eu não me sinto infeliz estando em porto alegre, reaprendi a ter necessidade de amigos e liberei um espaço gigantesco do meu coração pras gurias, ou seja, eu sem elas hoje seria uma perna manca.

às vezes sinto como se parte da alma dos meus dezessete anos tivesse voltado pra mim. aquela alma que não temia nada. aquela alma que pelo próprio bem era tão egoísta que só pensava em si. e falo isso porque naquela época era o meu bem que buscava e não o bem dum complexo inteiro. ai senhor, eu fui capaz de deixar um namorado em coma pra ir pra india e como eu sentia falta dessa carmela.

caetano pediu que escrevesse pra ele da viagem.

caetano: me manda mensagem, entra no messenger. eu quero saber das coisas.
eu: tá. eu te escrevo dizendo aconteceu, não aconteceu.
caetano: ou, vai acontecer daqui dez minutos.

April 26, 2006

jack bauer é quase tudo. o resto é chloe.

a vida lá fora tem um certo defeito constante que é a lerdeza, lentidão ou o fato de quase tudo funcionar muito devagar. chega a ser pior que conexão discada porque ao menos na discada tu sabes que em algum momento o que tu queres vai chegar. na vida lá fora, tu nunca sabes se em algum momento o que tu queres vai chegar.

ter que lidar com equivalentes burocráticos de sistema social é perturbador. no início da semana não houve outra opção a não ser enfrentar um cartório para a autenticação de documentos que se chegarem a serem perdidos, deixarão pra sempre de existir porque a vida real ainda acredita em pedaços de papel. de qualquer forma, quando o trigésimo quinto minuto de espera chegou o indivídio que há cinco não parava de me perturbar me mantendo em visão se aproximou.

indivíduo: posso te perguntar? essas tatuagens são assim, aquelas feitas com agulha?
eu: não. elas são de canetinha.
indivíduo: nossa!
eu: ei, não! você não pode tocar senão vai borrar, sabe?

April 22, 2006

i take a breath and pull the air in 'til there's nothing left

dos piores surtos sofridos durante a semana, o pior foi sem dúvida o ocorrido no cinema. já fazia séculos que o único filme não riscado no jornal pela bel era inside man, então uma vez a possibilidade de vermos, topei. ainda tenho absoluto amor por spike lee mas achei que meu estômago não ia durar muito dentro duma sala que por melhor que tente ser, ainda vai feder a mofo.

mas o fato é que a porra do spike lee usou chaiyya chaiyya no início e no fim e eu não ouvia chaiyya chaiyya desde que deixei de me vestir como uma turista indiana. e só o espasmo interno que tive sabe o que isso significou. doença pura. chaiyya chaiyya fez e faz sucesso até hoje por causa de dil se, o filme que berra essa música. e eu digo berra porque de tanto que eu a ouvia em bombaim me senti obrigada a ver o filme sem entender quase nada além da linguagem corporal daquele bando de gente porque todo mundo sabe que bollywood não faz nada sem um bando de gente. e olha que assisti kuch kuch hota hai sete vezes sem nunca entender nada de hindi.

mas daí a questão é, eu preciso saber se a aeroflot ainda opera no brasil. e preciso de companhia humana, porque o que planejo fazer exige segundo cérebro comigo.

April 21, 2006

edna 'e' mode from the incredibles once said
i never look back, darling, it distracts from the now.

não que tenhamos bebido tanto assim, mas aquela cena da lui pescando no sono e pedindo pra pedirmos mais uma caipirinha porque ela tinha vergonha foi um pouco do quase tudo que a gente precisava. e olha que é bem assim que o pobre consegue ser feliz - com pouco.

o ultimato que ganhei das meninas durante o almoço dessa semana era o que precisava. aquele ultimato de que ninguém me ligaria mais porque ninguém aguentava mais pagar ligação pra são paulo por causa da linha do celular que ainda não fui capaz de trocar. tem sido impagável cada bobagem ou cada jóia que as gurias tem desbocado pra fora, principalmente quando aquilo cai do céu como uma pedra pra machucar a cabeça. e olha, a lui tem mandado eu tomar no cú pelo menos uma vez por semana!

existe aquela história que é feito piada interna. aquela que nossas mães nunca nos avisaram que um dia deixaríamos de ser pintos. que um dia viraríamos galinhas. na real, é a história de que nossas mães nunca nos avisaram que um dia cresceríamos e que a vida acabaria podendo virar uma merda, daquelas em que o cheiro gruda no nariz e não vai embora tão cedo. nunca nos avisaram que atingindo a fase galinha não poderíamos voltar a fase pinto, e acho que isso não só frustra como encarece ainda mais a fase das galinhas, mesmo que elas sejam chocas.

e taí, os tickets pra snow patrol no paramount theatre em denver chegaram por email esta manhã.

April 19, 2006

we weep for a bird's cry, but not for a fish's blood

daquilo que descobre-se a cada dia:

gomez toca dia 16, num rola. é o dia que chego. snow patrol toca dia 23, pode rolar, mas não vou sozinha. the charlatans toca dia 29, e tu sabes que não rola porque tu não consegues mais ouvir os caras (e olha que tu tentou porque tu até tentou achar o "simpatico", simpático).

maldita hora que fui ouvir voxtrot.
é óbvio que "the start of something" gruda.

April 16, 2006

blessed are those with a voice.
if the dolls also had voices, they would have screamed,
i didn't want to become human

como eu não sou normal e ando me sentindo esteticamente como o joshua davis (sim, eu quero nascer homem e joshua davis na próxima vida), eu cometi a gafe do ano ao escrever para erin fein.

explico. a erin faz parte daquele fluxo de alegria que eu recebo cada vez que descubro uma bandinha tão a minha cara. isso já aconteceu no passado com dealership, mas agora acontece com headlights. e eu não preciso dizer que a tamanha gafe se referia aos três últimos dias de maio que ainda estão sem shows marcados dentro do springtour da banda. claro, a pessoa não normal que sou escreveu cogitando aquela minúscula tentativa de fazer a banda pensar em tocar em denver antes que o embarque de volta da anormal fosse feito.

eu precisava tentar, sério. dá uma olhada na agenda de maio!
eu queria tanto alguém pra ver.

April 15, 2006

owner of a lonely heart

conforme o inverno passou a ser excluído da agenda o gio começou a comentar que estava pensando em ter um cachorro. na verdade ele deve ter mencionado isso uma ou duas vezes pra mim, mas eu só pensei em levar a sério o pensamento quando ele mencionou que precisaria convencer a jenna a querer ter um cachorro uma vez que ele já havia convencido a cunhada a não ter cachorros.

descobri que o colorado tem um sheltie rescue e depois de quinze minutos navegando pelo site eu já estava chorando. eu olhava pro cookies, trocava de página, olhava pro cookies e lia outra página. mas toda vez que eu olhava pro cookies, eu só pensava em voltar pra uma página, aquela com o barron e a sheba. eles são perfeitos pro gio.

we forgot about it while you were here

finalmente dia 15. restando uma única unidade de mês para o meu embarque. claro que supermario já começou o terrorismo emocional básico com os problemas da varig - ele diz que vou ficar sem vôo de ida e volta pra/de são paulo. ele acha que o pior vai acontecer e que já terei de ir atrás de outra companhia. pagar uma tam, uma gol e eu não quero pagar mais nada dentro do meu plano de vôo tão já bem consumado.

ah, eu só quero ir, chegar, ver o gio, sua esposa, seven e as três casinhas. quero ver a enxada que vão me dar para trabalhar no jardim. quero ver todos os meus sobrinhos, quero conhecer a casinha que vai me hospedar, aquela coisa patética de se sentir chique porque a família toninelo que mora em denver tem isso...tem uma casinha para hospedar os membros da família em visita. eu quero encontrar o bill, ver o sam, o eli e a família dele, quero ver o casey, eric e tina, josh, tyrone but not much mike.

ah, eu só quero ir, viver um pouco e depois voltar.
sento e espero, a unidade mês passar.

we grow bigger and taller, but we never actually grow up

a melhor parte não foi termos chegado a conclusão de que não há necessidade neste momento, em pensarmos cobrir aqueles pequenos pedaços de pele branca que ficaram vazios (o cotovelo por exemplo). o melhor foi ouvir o verani me pedindo para não sumir do estútio, porque segundo ele, é sempre bom de se conversar comigo. aquilo somado a abraço apertado que parece durar pra sempre só me fez perceber que ele realmente cumpriu tudo o que eu pedi - ser verani um pedaço da vida de carmela agora.

quando fomos fechar a conta e o verani soltou o custo da sessão MUITO mais abaixo comparado as anteriores eu me senti tomada por um sentimento que só o gio saberia descrever. porque de todas as fases que o gio teve na vida, essa de às vezes bancar o bom pastor, quase sempre me sensibiliza. e então eu fiz o que o gio teria feito. eu dei uma gorjeta. e eu sei, gorjeta é um nome feio, mas ela remete ao valor adicional que tu te sentes extremamente feliz por poder dar.

no final do mês acontece acho que, a primeira convenção de tatuagens do rio grande do sul. vão ser três dias, lá no DC navegantes e o zeca estará vindo de sp com alguns amigos. verani vai ter dois estandes, o frank deverá levar a cobra dele e já sabe, né? aquela parafernália toda que faz parte desse mundo. eu vou, e vou porque prometi que ia já que fiquei meio frustrada em não poder entrar junto com o verani na competição de peça oriental. daquelas nóias minhas, a gente facilmente cumpre promessas a nossas famílias. e eu tenho uma tatuada, bem grande.

April 11, 2006

if a technological feat is possible, man will do it.
almost as if it's wired into the core of our being.

marc andreessen tem um gênio incrível e é possivelmente por isso que eu o tenho como meu ídolo secreto. marc andreessen não gosta de interagir pessoalmente com os clientes. existe até aquela história de que depois de um cliente ter passado no escritório da ning pra elogiar o serviço do cara, ele e o sócio resolveram retirar a placa sinalizadora: "we actually had to take the sign down from our front door because one of our customers actually stopped in, uninvited, and said, 'hi, i love your service.' and we're like, 'why are you here?' and so down came the sign." ok, eu não me sinto tão extremada assim, mas o pensamento é fantástico: the consumer internet businesses in a sense are ideal businesses from the standpoint of never meeting your customers... if you do it right, you will never meet any of your customers!

ontem recebi o primeiro storyboard da história "monte um site exclusivamente pra mim". o story, composto por oito arquivos, descrevia não só as telas mas os movimentos e as opções de ícones a serem usados. o story, somado ao email gigantesco, fez bufar meu coração de emoção. uma porque eu nunca vi um cliente abraçar tanto um projeto assim e duas porque eu nunca poderia esperar isso desse cliente. o storyboard agora vira ilustrações a serem escaneadas na próxima semana: criação zero minha, mas produção e desenvolvimento pra deixar qualquer neurônio meu mais do que feliz.

ps.: o taxista que me levou ontem numa reunião salvou a saúde do cookies. explico: desde sábado o cookies estava com diarréia, vomitando e não querendo comer. como o taxista acha o cookies lindo, ele teve a boa educação de perguntar como o pequeno estava. quando soube que o nanico estava dodói, ele deu a receita: misture farinha de mandioca em água, e goela abaixo usando uma seringa. depois da reunião, lá fui eu preparar o remédio milagroso. hoje, depois de quase três dias, o cookies não se aguentava de tanta felicidade após ter feito cocô durinho.

April 10, 2006

fábio, cadê você?
eu vim aqui só pra te ver (e foi impagável)

April 5, 2006

and then one day the flowers bloomed
and increased the quality of life

algumas semanas atrás, eu, a gorda e a bel saímos para jantar com a karen e a paula. em determinado momento na constantina mesa, a paula disse o seguinte: "tatuagem é como filho. pode não sair perfeita, mas tu amas do mesmo jeito".

a segunda sessão com o verani foi há alguns dias, e eu ainda não consegui parar de adorar a flor de lótus que brotou no meu braço esquerdo. a lótus que solta corações. a lótus que tem pétalas amarelas e rosas e uma folha tão texturizada em três ou quatro pigmentos diferentes que naquelas viagens da imaginação... daria até para sonhar que se eu puxasse, a folhinha sairia viva, em cima da minha mão.

é incrível, parece que tudo o que o verani tem traçado já estava ali. a sensação tem sido aquela em que, ao invés de perceber as mudanças, tu percebes as moradas. e sim, a terceira sessão está marcada para semana que vem quando provavelmente fecharemos o cotovelo, faremos mais movimentos de ar e água além de pequenos retoques no antebraço. só de pensar, já dá vontade de chorar. meu segundo bracinho agora também vai ser uma manga.

o novo disquinho (how we operate) do gomez está uma fofura. mas é sondre lerche que tem bancado a ternura total para qualquer hora do dia. sério, o norueguês tem cara estranha mas tu tens de começar por onde ele começou: ouvir faces down primeiro, two way monologue depois, e duper sessions por último.

April 4, 2006

memory cannot be defined, but it defines mankind.

April 1, 2006

without granting innocence

a mãe disse esta manhã na cozinha que ela não se importava tanto que o lorenzo não estava dando muita atenção a ela porque pra ela, parecia simplesmente valer a pena ver o quanto de atenção ele tem me dado.

não é patético dizer isso, mas eu nunca achei que o lorenzo chegaria um dia a gostar de mim. nós moramos longe, nós temos basicamente zero convívio juntos e quando muito, nos encontramos em datas especiais como as duas unidades de aniversário que ele já teve.

o lorenzo não tem muito motivos para se lembrar que tem uma tia chamada carmela, mas ouvir aquele micro pedaço de gente chamar "tia cá" o tempo todo tem costurado tanto o meu coração que não sei se há forma dele rasgar novamente.

o luigi, a cunhada e o sobrinho chegaram no meio dia de sexta e no meio da tarde, o lorenzinho já estava com uma tatuagem de escorpião no braço pedindo pra passar "tomada" na tatuagem da tia "cá". aquela ali, nas costas.

lorenzinho abraça, dá beijo, chama o cookies de "cuke" e acha que eu tenho dois power rangers na minha mesa. sim, ele acha que duas action figures da major motoko são power rangers. escrevi o nome dele com canetinha no pé direito dele e daí ele me pergunta: "meu mome é loenzo tonhelo?"

eu estou há dias congestionada. tudo começou com uma dor de garganta na terça que virou dor de ouvido na quarta que virou surdez total até hoje. então ontem no início da noite eu queria ficar debaixo das cobertas pra ver se conseguia tirar um cochilo porque bah, eu precisava muito perder toda aquela moleza. mas não teve jeito - lorenzo queria acordar a tia cá. queria que o "cuke" deitasse com a tia cá. queria saber o que a tia cá tinha, deixou a tia cá até usar o "tututu" dele, o medidor de febre.

com a vinda do lorenzo pra cá, a família toninelo está aproveitando para celebrar a páscoa neste final de semana. então ontem, antes que o avião aterrizasse, a mãe me fez pintar patinhas de coelho pela sala. se tu perguntas pro lorenzo de quem são aquelas patinhas ali no chão, ele diz, bem rapidinho: "do cuke".


ps.: lorenzo, o cookies tem rabo? ele responde: tem, óia o meu (e lorenzo mostra o bumbum dele)