i want to be swept off my feet, you know?
i want to have magical powers.
há quase três anos terminei a monografia com duas frases: ler um weblog é ao mesmo tempo escrever e a escrita se torna leitura. todo weblog é uma escrita em potencial. há três anos atrás, minhas leituras eram quase unicamente blogs americanos e eu não tinha vergonha alguma em dizer que os brasileiros me incomodavam. pra mim, até hoje, o nascimento do movimento aqui e lá se deu de forma diferente, o que explicaria a dor de cotovelo que tenho com o esteriótipo criado.
a mirela vestia meias listradas no dia em que me contou que havia criado um blog. isso foi em são paulo, em maio de 2004, entre o pré e o pós almoço no francês que depois daquele dia, nunca mais consegui pegar aberto. quase dois anos depois, o mesmo vício que não me permite deixar de ler a dooce diariamente me toma pelo endereço da mirela. esse tipo de vício não é aquele que funciona com a abertura do browser e o pensamento de "ah, vou ler tal blog agora". esse tipo de vício é aquele que me faz parar algo que estou fazendo, me faz abrir um browser e me faz pensar "PRECISO LER TAL BLOG AGORA".
a mirela tem o dom de cuspir palavras como tão raro é encontrar alguém que tenta se livrar delas. tu sabes que ali não está escrito tudo, mas uma boa parte do que entope as veias. por um tempo, e eu sinto que há anos atrás, eu me esforcei para desentupir minhas veias usando meu(s) blog(s), mas é nítido que desde o pré-estudo eu optei em apenas escrever lendo, e isso poderia até mesmo ser descrito num ato de "engolir o cuspe".
desde o ano passado, lendo mirela, lendo heather, eu tenho me esforçado para desenvolver o dom. o dom de me livrar das palavras que não são muito boas, me livrar dos pensamentos que não são tão bonitos, me livrar dos eventos que fedem mais que o estrume deixado pelos cavalitos que existem tanto quanto carros nas ruas desta cidade.
sim, quando eu leio a mirela ou quando eu leio a heather eu penso que bah, não deve ser tão difícil. e sério, não deve ser mesmo... mas tem sido muito mais fácil deletar drafts de posts do sistema do mt. drafts escritos sobre o efeito do stilnox, aquele branquelo pequeno que me permite não lembrar dos atos no dia seguinte.
semanas atrás, durante o último episódio sério de crise, eu pensei em mandar um email ao caetano perguntando isso _________. como em toda crise, eu achava que saber a resposta me ajudaria a melhorar, mas devido a cicatrizes recentes o email nunca foi enviado e a pergunta nunca deixou a minha mente.
devido a cicatrizes recentes eu passei a querer dividir cada vez menos os meus problemas, os meus transtornos. e claro que sei que a cicatriz nasceu e cresceu a passagem de cada noite em que, enquanto eu morava com o fabricio, ele optava em enxergar o escuro dos olhos fechados para dormir - a minha pessoa em prantos ao seu lado.
lendo a heather hoje a pergunta nunca enviada ao caetano me voltou a latejar a cabeça embora por ela, eu já consiga obter uma resposta: UM HOMEM É CAPAZ DE AMAR UMA MULHER QUE SOFRE DE DEPRESSÃO.
e aqui entra a parte foda.
quando a mãe do fabricio se matou, eu profundamente acreditei que ele seria capaz de entender melhor o que eu passava. é o final de shopgirl, quando ray porter diz a mirabelle "i'm sorry for the way i treated you. i did love you".
durante todos os longos meses e quase duas casas de ano em que morei com o fabricio ele dormiu me vendo em crise pelo menos duas vezes por semana. isso, tirando eu e ele, nem o cookies sabia porque por um bom tempo o nanico só era permitido dormir na sala. as crises duravam horas e machucavam feito dezenas de pequenos cortes, todos abrindo com incontáveis pensamentos negativos. no início o fabricio era capaz de me perguntar o que tinha acontecido, mas lá por volta do terceiro mês até a interrogação bem educada havia ido embora.
é desaconselhável em terapia se pensar na culpa que tu podes ter no término de um relacionamento, mas é impossível encontrar um ser humano que consiga fazer isso. e claro que uma parte de mim sempre acreditou que o fabricio um dia chegou a conclusão de que NÃO QUERIA E NÃO PRECISAVA passar por aquilo, viver com uma pessoa como eu.
é provável que o mundo ainda não saiba que uma pessoa doente fica doente porque quer. e como diz a gorda, a gente precisa de alguém que cuide da gente, pelo menos uma vez na vida.
e aqui entra a parte utópica.
eu ainda espero encontrar aquela pessoa que passe a mão na minha cabeça e me diga que tá tudo bem e que vai passar. porque passa. as crises sempre passam.
Comments
:'(
(eu queria poder pegar na tua mão, amiga e tentar te ajudar um pouquinho...)
Posted by: gordinha | January 12, 2006 7:40 AM
e a resposta à tua pergunta... é evidente que sim!
Posted by: gordinha | January 12, 2006 7:40 AM
quantas vezes eu tenho vontade de passar a mão na tua cabeça e dizer que tudo vai passar, mas tenho medo da tua reação...
Posted by: malena | January 12, 2006 8:10 AM
*eu fico tão feliz que você colocou tudo isso pra fora. tão feliz...
*e a parte trágica dessa história toda é que depressão é sim uma doença de auto-agressão. infelizmente essa foi a forma que a gente escolheu pra se livrar de um problema. e eu acredito que a gente ainda vai aprender a lidar com ele.
Posted by: hunnybunny | January 12, 2006 8:52 PM
ummmm...What am I gonna do with you?
Posted by: Gio | January 13, 2006 11:25 AM