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| February 2006 »
então quinta feira a terapia começou com a paciente tentando ajudar o psiquiatra.
o psiquiatra: queria te perguntar uma coisa.
eu, a paciente: diga.
o psiquiatra: qual o melhor anti-vírus?
eu, a paciente: hummm, eu não uso anti-vírus.
o psiquiatra: não?
eu, a paciente: não. só anti-spyware.
o psiquiatra: tu realmente acreditas.
eu, a paciente: sim. mas pra ti, home-computer e politicamente correto com licença direitinho, acho que tem de ser o norton mesmo.
o psiquiatra: hummm. era o que eu imaginava...
então quinta feira a terapia teve a revisão dos exames de sangue da paciente e a conversa séria sobre o resultado negativo do teste de HIV e o nível super baixo de estradiol. culpa do uso contínuo de pílula anticoncepcional, o nível baixo de estradiol poderia causar piora de sintomas psicóticos e de humor mas felizmente, o caetano afirmou que não é o meu caso.
caso de transtorno depressivo recorrente, o caetano queria conversar sobre a minha posição quanto ao uso contínuo de remedinhos. administrar inibidores da recaptação da serotonina, sempre. segundo o caetano, uma pessoa que sofre transtorno depressivo recorrente tem (em doze meses) 79% de chances de NÂO sofrer um episódio depressivo (duração variável de algumas semanas a alguns meses) se tiver acompanhamento farmacológico. ainda segundo as fontes inteligentes do caetano, uma pessoa comum, uma que não sofre de transtorno depressivo recorrente, tem 19% de chances de, no período de um ano, passar por uma crise depressiva, sem acompanhamento farmacológico.
adquiri o direito de administrar a paroxetina noturnamente uma vez que minha regra é não sentir sono durante o dia. só que uma vez amiga do cymbalta, a paroxetina também tem aquele grande defeito - pesadelos, sonhos vívidos, muito vívidos.
o psiquiatra: eu só espero que os sonhos sejam bons.
eu, a paciente: pois é, eu não sei porque sonho tanto com extraterrestres. a mãe diz que é porque assisto muito coisas sobre isso, mas eu vejo CSI direto e nunca sonho com aquelas coisas.
o psiquiatra: eu também assisto CSI! eu e minha mulher somos viciados!
eu, a paciente: (o mundo caiu e me deixaram aqui, flutuando)
o psiquiatra: aquele cara...
eu, a paciente: (ele está se referindo ao grissom)
o psiquiatra: aquele cara é fantástico!
eu, a paciente: (pois é, tão fantástico que eu casaria com ele... se bem que eu casaria com qualquer CSI)
o psiquiatra: o cara é fantástico, mas os criminosos não saem por menos, são muito espertos.
eu, a paciente: (interessante,... nunca tinha pensado sobre isso)
ps.1: finalmente encontrei a edição da glamour que estava procurando. tava achando que não ia comprar um exemplar pra mim???
ps.2: a matéria da glamour é horrível, mas mates of state em fraud in the 80s é tão bacaninha...
four hundred years ago, another well-known english guy had an opinion about being alone. john donne. he thought we were never alone. of course, it was fancier when he said it. "no man is an island entire unto himself." boil down that island talk, and he just meant that all anyone needs is someone to step in and let us know we're not alone. and who's to say that someone can't have four legs. someone to play with or run around with, or just hang out.
quando meredith grey pegou o doc como companheiro, foi isto o que ela pensou. doc, um cachorro. a tentativa de substitui鈬o do relacionamento com McDreamy. eu n縊 sei se meredith chorou quando o relacionamento terminou, mas sei que ontem, perto das tr黌 da madrugada, eu me lavei chorando.
vig駸imo quarto epis�dio de grey's - meredith tem de se desfazer de doc. ok, eu sei,... doc n縊 era o melhor cachorro do mundo mas mesmo assim, ele era o doc e ele significava tudo o que um doc pode significar. o discurso de george foi tocante e as duas facadas de cristina foram brilhantes, mas o final - putaquepariu - McDreamy n縊 precisava ter me feito ouvir aquilo.
aquilo: it's just a dog. it doesn稚 mean anything.
quer saber o pior? o t�tulo do epis�dio era tell me sweet little lies, e o doc agora mora com McDreamy.
um primo do supermario (que é apenas um pouquinho mais velho que o gio) veio nos visitar no final de semana. na bagagem ele trouxe a esposa, o cunhado e a filha de oito meses - meu brinquedo por várias horas.
ainda estou tentando compreender a reação do cookies durante a visita. não sei se era amor pelo bebê ou ciúmes do bebê estar comigo, mas o fato é que o cookies é assim - um bicho com vida própria e que não se sente em nada, um cachorro.

com todos os problemas com o servidor de email na segunda feira (inexplicavelmente a TCH zerou minha quota), quem precisou dar aquele grito de trabalho me pegou pelo fio do telefone em casa. era quase horário do golden globes e eu ainda estava jogada na cama conversando com a lis. claro que se eu estava jogada na cama a conversa de trabalho já tinha terminado, mas aqui entra aquele meu pensamento sobre um pensamento do castells... aquele sobre a rede ser especialmente apropriada para a geração de laços fracos múltiplos... algo que na prática, ao menos na MINHA prática, é representada na maioria das vezes, por laços fortes.
numa rápida análise daria pra se dizer que ser cliente seria o laço fraco e que ter se tornado amiga seria o laço forte. é um pequeno milagre da rede isso acontecer (ainda mais quando ambas as partes conseguem separar o trabalho da intimidade), mas acontece e sim,... a lis não é o único exemplar deste milagre.
em algum ponto da conversa - obviamente - o assunto do coração de carmela veio a tona e eu contei a lis sobre o que a gorda costuma dizer quando um relacionamento termina. a gorda costuma dizer que a gente fica com esse buraco 3D no meio do peito, uma metáfora linda que eu tenho interpretado ultimamente desta forma: quando o buraco 3D estava sendo aberto, doeu bastante, mas agora, depois de tanto tempo aberto, ele não dói mais porque eu já me acostumei com ele. o problema então é que eu tenho um buraco 3D no meio do peito que está vazio. ele não precisa ser fechado, ele precisa ser preenchido, mas eu não sei se quero preencher porque não sei com o quê quero preencher porque não quero preencher com algo errado, simples assim.
há quarenta e oito horas eu tenho me sentido melhor do que me senti nas últimas quase três semanas. não sei se é em função do remédio novo, mas sei que o caetano estava certo ao me dizer que eu estava melhor na última sessão porque eu também me sinto desse jeito - melhor, claro que sem saber por quanto tempo. mas o "por quanto tempo" não vem ao caso, o que vem ao caso é que resolvi fazer compras para o dia dos namorados porque oras, eu tenho total direito de comemorar o valentine's como todo o resto do mundo faz em fevereiro e claro, porque posso gastar comigo, tudo o que gastaria com o significant other que no momento, eu não tenho bem certeza se quero encontrar.
o presente?
uma slingshot bag red, um colorsplash flash para a lc-a, um holgon strobe flash para a holga, cinco rolitos de fuji superia film 100/36 e cinco rolitos de expired professional fuji NPS 160.
o bônus?
um livro da artmed (o qual eu não darei o título porque me sinto desconfortável com ele) pra compreender melhor a terapia cognitiva.
ps.1: sem vergonha nenhuma de confessar - cary brothers a semana inteira. sim, blue eyes (da trilha de garden state) é dele, mas não é a melhor. ah, não mesmo.
ps.2: cheguei a feliz conclusão de que the oc é somente uma versão renovada de dawson's creek e que misha barton nada mais é que uma réplica perfeita da katie holmes (MALA). nem cogite me perguntar quem imagino para o papel do tom cruise.
ps.3: o título deste post é meredith grey. a fala completa é a que segue:
maybe we like the pain. maybe we're wired that way. because without it, i don't know; maybe we just wouldn't feel real. what's that saying? why do I keep hitting myself with a hammer? because it feels so good when I stop.
momento out of kleenex na terapia hoje.
eu, a paciente: por que tu escreves teus emails em caps lock?
o psiquiatra: porque é mais fácil.
eu, a paciente: parece que tu estás gritando com as pessoas.
o psiquiatra: tu achas?
eu, a paciente: hummm...
o psiquiatra: esta é uma idéia tua ou as pessoas pensam assim?
eu, a paciente: manual de conduta na internet, mas da forma que interpreto, tu escreves em caps lock pra enxergar melhor.
o psiquiatra, satisfeito: é isso mesmo.
o problema de se consumir tanto TiVorrent é não ter com quem trocar impressões. não é sempre que, por exemplo, teu irmão liga pra saber como tu estás e tu podes perguntar o que ele acha que há atrás da porta trancada que fica na casa do xerife de invasion - ao que ele responde "sei lá, mas o bacana foi o sequestro das crianças".
semana passada meu TiVorrent encontrou o especial de uma hora de grey's anatomy meigamente entitulado straight to the heart. o especial, com a retrospectiva de toda a vida da série pré retorno da segunda temporada pós férias, era a oportunidade perfeita de me deixar a par de toda a história perdida caso acontecesse de eu me apaixonar.
a minha grande curiosidade era poder ver aquele episódio que a heather havia postado lá pelo mês de outubro, aquele em que ela contava sobre a experiência do episódio em que "one surgeon climbs into bed with another surgeon and holds her head as she cries".
como episódios de grande porte sempre compõem retrospectivas, posso dizer que as cenas foram surtadas e que somente o fato do cirurgião que engravidou a cirurgiã que perdeu o bebê e uma trompa de falópio ter se enroscado com ela sobre a cama e REALMENTE SEGURADO A CABEÇA DELA ENQUANTO ELA CHORAVA teria sido suficiente para colocar grey's anatomy na lista das séries mais bem quistas do ano. só que grey's anatomy tem mais. grey's tem meredith e derek e eles são TUDO.
além de não ter com quem trocar impressões, outro problema de se consumir tanto TiVorrent é ter que acabar vindo contar pra internet as coisas que tu descobres no decorrer do consumo e que te deixam pateticamente feliz. e aqui eu não estou falando sobre o discurso pick me, choose me, love me de meredith ou do music guide (por sinal, tirando o sétimo da primeira temporada, todos os títulos dos episódios foram e são derivados de músicas), mas sim da porra do blog dos escritores da série. HELLO! que série de tv mantém um blog assim?
from shonda rhimes, creator and writer of "thanks for the memories"
And, oh yes, the Mer/Der of it all. I love this couple. LOVE. LOOOOOOVE. I love watching them together, I love imagining what they will say to one another, I love watching McDreamy be McDreamier than I ever McDreamed he could be. LOVE. So its been a little hard on me what with him choosing Addison and leaving Meredith behind. I have been suffering. (Yeah, yeah, I know it was my idea but still
can I not hurt?) What I needed was a bit of closure. A bit of a sense that Meredith was gonna be okay. And a sense that Derek would never be the same for having lost her. So, to get all metaphorical, Holden -- the sleeping patient -- is Meredith. Shes the one who woke up to find that everyone has moved on without her. Shes the one trying to figure out how to get through this. Theres that moment at the end where she tells Derek that it is good that hes trying, that if he didnt try, he wouldnt be the guy she fell in love with. And shes got these glittering tears in her eyes. Shes dying inside but shes right. If he didnt try to make his marriage work, he wouldnt be McDreamy. I tried to find a way around that but thats a fact. McDreamy would try. McDreamy would do everything he could.
ps.: apesar do gio achar que a geena davis tem gengiva demais, eu avisei, ela ia levar pra casa o golden globe de melhor em drama. ah sim, a cirurgiã que perdeu o bebê e uma trompa de falópio ganhou em coadjuvante.
teve caetano sexta. escrevi pra postar mas não consigo.
a boa notícia é que há duas noites estou sem pesadelos. a má, é que a disfunção não é de ordem cognitiva.
ps.: tranquei toda a família toninelo pra fora de casa no domingo e descobri que ser chaveiro é realmente uma puta profissão.

trabalhando para alimentar um ipod video. tarde de s畸ado na bel.
há quase três anos terminei a monografia com duas frases: ler um weblog é ao mesmo tempo escrever e a escrita se torna leitura. todo weblog é uma escrita em potencial. há três anos atrás, minhas leituras eram quase unicamente blogs americanos e eu não tinha vergonha alguma em dizer que os brasileiros me incomodavam. pra mim, até hoje, o nascimento do movimento aqui e lá se deu de forma diferente, o que explicaria a dor de cotovelo que tenho com o esteriótipo criado.
a mirela vestia meias listradas no dia em que me contou que havia criado um blog. isso foi em são paulo, em maio de 2004, entre o pré e o pós almoço no francês que depois daquele dia, nunca mais consegui pegar aberto. quase dois anos depois, o mesmo vício que não me permite deixar de ler a dooce diariamente me toma pelo endereço da mirela. esse tipo de vício não é aquele que funciona com a abertura do browser e o pensamento de "ah, vou ler tal blog agora". esse tipo de vício é aquele que me faz parar algo que estou fazendo, me faz abrir um browser e me faz pensar "PRECISO LER TAL BLOG AGORA".
a mirela tem o dom de cuspir palavras como tão raro é encontrar alguém que tenta se livrar delas. tu sabes que ali não está escrito tudo, mas uma boa parte do que entope as veias. por um tempo, e eu sinto que há anos atrás, eu me esforcei para desentupir minhas veias usando meu(s) blog(s), mas é nítido que desde o pré-estudo eu optei em apenas escrever lendo, e isso poderia até mesmo ser descrito num ato de "engolir o cuspe".
desde o ano passado, lendo mirela, lendo heather, eu tenho me esforçado para desenvolver o dom. o dom de me livrar das palavras que não são muito boas, me livrar dos pensamentos que não são tão bonitos, me livrar dos eventos que fedem mais que o estrume deixado pelos cavalitos que existem tanto quanto carros nas ruas desta cidade.
sim, quando eu leio a mirela ou quando eu leio a heather eu penso que bah, não deve ser tão difícil. e sério, não deve ser mesmo... mas tem sido muito mais fácil deletar drafts de posts do sistema do mt. drafts escritos sobre o efeito do stilnox, aquele branquelo pequeno que me permite não lembrar dos atos no dia seguinte.
semanas atrás, durante o último episódio sério de crise, eu pensei em mandar um email ao caetano perguntando isso _________. como em toda crise, eu achava que saber a resposta me ajudaria a melhorar, mas devido a cicatrizes recentes o email nunca foi enviado e a pergunta nunca deixou a minha mente.
devido a cicatrizes recentes eu passei a querer dividir cada vez menos os meus problemas, os meus transtornos. e claro que sei que a cicatriz nasceu e cresceu a passagem de cada noite em que, enquanto eu morava com o fabricio, ele optava em enxergar o escuro dos olhos fechados para dormir - a minha pessoa em prantos ao seu lado.
lendo a heather hoje a pergunta nunca enviada ao caetano me voltou a latejar a cabeça embora por ela, eu já consiga obter uma resposta: UM HOMEM É CAPAZ DE AMAR UMA MULHER QUE SOFRE DE DEPRESSÃO.
e aqui entra a parte foda.
quando a mãe do fabricio se matou, eu profundamente acreditei que ele seria capaz de entender melhor o que eu passava. é o final de shopgirl, quando ray porter diz a mirabelle "i'm sorry for the way i treated you. i did love you".
durante todos os longos meses e quase duas casas de ano em que morei com o fabricio ele dormiu me vendo em crise pelo menos duas vezes por semana. isso, tirando eu e ele, nem o cookies sabia porque por um bom tempo o nanico só era permitido dormir na sala. as crises duravam horas e machucavam feito dezenas de pequenos cortes, todos abrindo com incontáveis pensamentos negativos. no início o fabricio era capaz de me perguntar o que tinha acontecido, mas lá por volta do terceiro mês até a interrogação bem educada havia ido embora.
é desaconselhável em terapia se pensar na culpa que tu podes ter no término de um relacionamento, mas é impossível encontrar um ser humano que consiga fazer isso. e claro que uma parte de mim sempre acreditou que o fabricio um dia chegou a conclusão de que NÃO QUERIA E NÃO PRECISAVA passar por aquilo, viver com uma pessoa como eu.
é provável que o mundo ainda não saiba que uma pessoa doente fica doente porque quer. e como diz a gorda, a gente precisa de alguém que cuide da gente, pelo menos uma vez na vida.
e aqui entra a parte utópica.
eu ainda espero encontrar aquela pessoa que passe a mão na minha cabeça e me diga que tá tudo bem e que vai passar. porque passa. as crises sempre passam.
semana passada fui parar num otorrino que sem aviso prévio resolveu fazer uma endoscopia pra descobrir se eu estava com sinusite ou não. mesmo que o médico parecesse bacana, quando ele me perguntou se tinha mais algo que queria contar, não fechei a boca e fui sincera. disse: não gosto muito de médicos, a não ser meu psiquiatra.
eu estava esperando a micro-cirurgia para a retirada dos cistos há dois meses, e quando finalmente o dia da mesma chega, ela não acontece. eu apareci na hora marcada, fui obrigada a me despir INTEIRA e a usar uma cobertura corporal medonha supostamente esterelizada. fui obrigada a usar touca e aqueles pedacinhos de pano que eles chamam de sapatos e sem quererem pedir demais, quase me obrigaram a retirar até mesmo os piercings da orelha QUE EU NÃO SEI TIRAR. me deixaram no vestiário por quase meia hora até que uma touca verde apareceu e me acompanhou por quatro corredores.
é foda. pra quem nunca fez cirurgia na vida como eu, tudo o que menos se precisa é uma criatura bancando a engraçadinha enquanto tu pensas em tudo, menos que está num hospital. onde foi que meu médico aprendeu a menosprezar o problema da paciente dele eu não tenho a menor idéia, mas NUNCA ele deveria ter se referido ao problema do meu ombro como mero "cistinho" - muito menos, ter me mandado pra casa.
meu médico, supostamente um dos melhores micro-cirurgiões "plástico" de porto alegre, não se lembrava que eu tinha dois cistos. ele também não se lembrava que havia drenado o segundo que desde a drenagem, já estava inflamado. ele não se lembrava que havia pedido para eu fazer curativos com furacin e deixar sempre muita água morna durante o banho. não, meu médico achou que eu era uma anta, estúpida.
na mesa de cirurgia o meu médico olhou o ombro e disse que a coisa era mais complicada do que ele imaginava, e que ele teria de me mandar de volta pra casa. ele não precisou falar mais, EU JÁ ESTAVA COM OS OLHOS CHEIOS DE LÁGRIMA CULTIVANDO A ÂNSIA DE ESGANÁ-LO ATÉ MATAR.
eu não matei, mas ainda tinha tive de ouvir duas desculpas. a primeira era que se ele cortasse um cisto, ele infeccionaria o outro. a outra, mais infeliz ainda, era que ele não queria fazer um corte muito grande porque me deixaria com uma cicatriz maior que a necessária - o que ele concluiu não ser um incômodo pra mim já que "tu és toda toda tatuada... tu podes fazer uma tatuagem por cima, né?"
eu não espero que todos os médicos do mundo sejam como o caetano, que me abraça quando chego e que me abraça quando vou embora. eu não espero que todos os médicos do mundo sejam como o caetano que me oferece kleenex quando choro, prescreve remédios eficazes para a minha dor e que não se lembra de toda a minha vida, MAS SE LEMBRA DO QUE É IMPORTANTE E ESSENCIAL.
all i want in life is a little bit of love.
é por isso que a maioria das pessoas não entende a frase que tenho escrita nas mãos.
estou começando a achar que a versão do tivo para os países do terceiro mundo é a internet. tirando prison break e everwood, todos os meus seriados do coração retornam esta semana (exceto csi que voltou na passada).
lassie finalmente chegou a rede em versão CAM. isso quer dizer que já dá pra contar os dias até a versão "sem humanóides no meio" aparecer disponível. e sim, junebug está em cartaz essa semana - no cinema que fica dentro da minha casa - também com yo la tengo na trilha.
update.1: EU ESTOU PRA MORRER com o nikon SB-800 af speedlight que o jon deu pra heather de natal. sei que não tenho uma D-70, mas que maldito flash eu posso comprar - ou seja, usar - pra minha fuji s7000 tão terceiro mundo?
ando com tanta saudades do caetano que somente pensar na pauta pra próxima sessão de terapia não ajuda. eu podia ter ido na semana passada, na anterior e na outra também, mas tenho segurado a alma e colocado a cirurgia do cisto como prazo. amanhã devo passar algumas horas da tarde no hospital, e se a agenda do melhor psiquiatra do mundo ajudar, devo vê-lo até o final da semana.
o bill escreveu me convidando para participar da "bolder boulder", uma corrida de dez quilômetros no dia trinta e um de maio. quando terminei de ler a frase eu não sabia se ria ou se chorava. se o bill me pedisse em casamento, eu juro que me mudava pra denver e definhava no sol correndo cada um dos dez quilômetros - e isso, deus, eu preciso contar pro caetano.
pra santa catarina visitar uma tia doente a mãe foi este final de semana. deixando eu e o supermario ausentes, nos fizemos companhia como foi possível. jantamos juntos no sábado, trabalhamos cada um no seu canto na manhã do domingo e depois saímos pra almoçar.
supermario queria testar o outback e como manda a tradição da minha boa educação vegetariana, concordei em ir e disse que de alguma forma encontraria algo para aniquilar a minha fome. supermario obviamente pediu um pedaço gigantesco de carne vermelha enquanto a pessoa aqui conseguiu enxergar um fettuccine com legumes bem escondido no cardápio.
o fettuccine tinha duas variações - a "com" tiras de frango e a "sem" tiras de frango -, e claro que num restaurante onde as pessoas VÃO PARA COMER CARNE, o meu prato tinha de chegar "com" tiras de frango. eu não acho que as pessoas realmente entendem porque eu sou vegetariana e eu pouco me importo com isso, mas PELO AMOR DE DEUS, não provoquem a minha ira.
não vandalizei, não agredi, não xinguei. o fettuccine "sem" tiras de frango chegou cinco minutos depois e eu jurei não pensar que a cozinha havia apenas retirado as tiras ao invés de montar o prato inteiro novamente.
supermario estava quase limpando o prato quando a "michele", nossa atendente, apareceu para saber como tudo estava. se tu não conheces o supermario, tu precisas conhecer. é só uma alma viva dar uma abertura pra conversa que o bigode sente vontade de se movimentar e o homem não fecha mais a boca. fala. fala. fala.
pra minha felicidade, supermario resolveu explicar os problemas da vida vegetariana da filha, e foi só eu pensar em ser educada e participar da conversa que chamei o supermario de pai e salvei a nossa dignidade.
michele, a atendente: nossa! desculpa te interromper, mas agora que tu chamastes ele de pai... puxa, eu achava que vocês eram namorados!
casa da gorda. sábado pós-almoço, no ápice da onda de calor.
gorda, ana, frederico e titha.





shopgirl demorou tanto para chegar na rede que deu tempo de encomendar o livro, esperar a entrega, economizar noites de leitura e ainda usar a capa vinho com lettring branco para decorar a estante.
o livro é tão bom que chega a incomodar e o filme é tão pequenos pedaços dum espelho refletindo a minha pessoa que já me prometi o dvd. a história do filme não é descrita absolutamente a mesma do livro mas o consumo de ambos possivelmente amplia uma visão mais sensível dos personagens.
o guarda-roupa de claire danes é algo fantástico, mas além das vestes, é de encaixe perfeito toda a expressão corporal. claire danes é uma daquelas raras atrizes que por mais diferente que seja o personagem, jamais perde a feição. e a feição dela é de uma pessoa que embora feliz em determinados momentos, é acompanhada por uma tristeza que jamais abandona a alma.
a insanidade atrapalhada de jason schwartzman é um enigma cativo no filme. há talvez caracterização demais, mas talvez isso tenha sido necessário para salvar o gap de presença dele que precisava existir. quanto a steve martin, ele sabia e soube construir a si mesmo.
nem o filme nem e o livro descrumpem aquela minha regra básica de não dar ao espectador e ao leitor o final que ele espera, porém o desfecho em cada um é contato de modo diferente apesar de "darem" o mesmo "resultado" para o fim da história.
como o filme conta o fim:
as ray porter watches mirabelle walk away he feels a loss. how is it possible he thinks, to miss a woman whom he kept at a distance, so that when she was gone he would not miss her. only then does he realize how wanting part of her and not all of her has hurt them both, and how he cannot justify his actions except that, well, it was life.
como o livro conta o fim:
some nights, alone, he thinks of her, and some nights, alone, she thinks of him. some nights these thoughts, separated by miles and time zones, occur at the same objective moment, and ray and mirabelle are connected without ever knowing it. one night, he will think of her as he looks into the eyes of someone new, searching for the two qualities that mirabelle defined for him: loyalty and acceptance. mirabelle, far away and in jeremy's embrace, knows that what had been lost is now regained.
months later, after the hard edges of their breakup had smoothed into forgetfulness, mirabelle speaks with ray porter on the phone. she tells him about her new life, and he hears the fresh delight in her voice. she tells him, "i feel like i really belong here. for the first time, i feel like i really belong." she underplays jeremy's place in her heart as she thinks it might hurt ray. she mentions that she continues to draw and sell, with a positive review in art news to her credict. they reminisce about their affair and she tells him how he helped her and he tells her how she helped him, then he apologizes for the way he handled everything. "oh, no... don't," she corrects him: "it's pain that changes our lives."
ps.: a crise de depressão de mirabelle no filme acontece por motivos diferentes que no livro - mas para a tela de cinema, certamente a explicação fica mais bela interpretada emocionalmente que cientificamente.
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