welcome to neverland
se a intenção era chamar a atenção do aeroporto inteiro, o cookies conseguiu. a caixa de fibra (apelidada pelos guardas e pela companhia aérea de "navio") fez toda a asa D do aeroporto de guarulhos parar. desde o momento em que foi montado, o navio parecia um lugar terrível onde se manter um cachorro, mas o cookies sem sequer reclamar ou choramingar entrou no navio e por lá ficou: sentado, deitado, atento.
o suposto veterinário que daria o sedativo ao cookies nunca existiu. a vendedora estava absolutamente errada e depois do pânico e micro-escândalo que eu dei, o cookies foi liberado a viajar sem sedativo porque segundo as palavras da companhia "ele é muito bonzinho".
o vôo já estava atrasado mas atrasou ainda mais do que poderíamos supôr. eu e o fabricio fizemos um micro-pequinique antes do embarque e fomos juntos até o térreo levar o cookies para o corredor do "despacho" dele. eu, como toda mãe neurótica e destrambelhada, comecei a ver coisas erradas no nanico. ele estava numa paz sem igual dentro do navio, mas eu enxergava os olhos dele inchados e avermelhados. tudo o que eu não queria era ver o cookies sofrer durante o vôo mas talvez fosse eu quem já estava sofrendo.
por volta das quatro e meia da madrugada aterrizamos em porto alegre e depois de mais um micro-escândalo meu diante a demora do desembarque do cookies, o navio com ele chegou. meigo como sempre o nanico estava em sua contínua paz sem vestígios de vômito ou odores devido ao stress da viagem. o supermario nos aguardava e depois de desmontarmos o navio, para a residência dos toninelos viemos.
eu ainda não sei se o cookies chegou a dormir, mas quando abri meus olhos no sábado ele já estava com o focinho bem na frente do meu nariz. sim, em quase quarenta horas de nossa saída de são paulo, o cookies passou a ser literalmente o centro das minhas preocupações.
o cachorro que reina na residência dos toninelos em porto alegre é a poodle de 12 pra 13 anos de minha mãe. gagá, ciumenta, meio surda e com catarata nos olhos, a kika é um poço de brabeza tentando aceitar a presença do cookies. a gente já tentou a aproximação dos dois diversas vezes, mas ainda falta coragem (minha e da mãe) em deixar os dois fazerem as honras sozinhos. dessa forma, o cookies tem passado quase que o tempo todo preso no meu antigo quarto, que apesar de ter banheiro, sala de inverno e sacada, não tem quase nada dos metros quadrados que a ele eram permitidos em são paulo. o cookies também ainda não dá sinais de cogitar a fazer xixi ou coco no jornal colocado para ele em meu banheiro, de forma que ao menos duas saídas a rua passaram a ser necessárias.
no final da tarde de sábado eu e o cookies caminhamos até o moinhos onde encontramos a dinda gordinha no barbarella e acho que dos poucos momentos de tranquilidade que tive, as duas horas em que passamos na bakery foram a extensão da paz do cookies para mim. vê-lo conquistar pessoas e ser estimado é algo imensurável, e se o cookies soubesse tamanho orgulho que eu tenho ao vê-lo produzir um sorriso no rosto dos outros, ah meu deus...
temendo que o cookies não dormisse de sábado para domingo, eu decidi por bem desocupar a segunda cama ainda montada no meu antigo quarto. desocupada, juntei almofadas sobressalentes e desenhei um ninho sobre o colchão. chamei o cookies, beijei o cookies e expliquei que ali, em cima daquela cama, ele poderia dormir - e bem. levantei da cama, sentei na minha, deitei na minha e me cobri. cookies desceu da cama dele, veio até a minha, focinhou o meu nariz, voltou pra perto da cama dele, subiu na cama, encontrou o ninho, se ajeitou, deitou e dormiu.
daí eu apaguei a luz.
eu continuo a ler margo kaufman em clara e eu confesso que este certamente é o melhor livro para a fase pela qual estou passando. muitas das vezes eu me pego pensando que ter uma outra pessoa com a qual se preocupar é bem melhor que simplesmente se preocupar comigo mesma, e assim, tudo o que eu tenho colocado de esforço para ver o cookies bem é um reflexo da minha tentativa de me ver bem. e ainda tem mais, margo diz que to have a relationship with an animal companion is to be in touch with a higher form of love.
daqui a pouco eu e o cookies vamos para os nossas camas.
e sim, eu vou apagar a luz.
Comments
Que post bonito. Gostei de tudo o que ele me diz. Carmela, vamos tomar um café nessa semana?
Posted by: Manu | June 27, 2005 11:12 AM
Bem-vinda de volta a Porto Alegre. Todo mundo aqui esta te mandando boa sorte!
Posted by: Gio | June 27, 2005 5:14 PM
welcome back, my dear friend.
Posted by: gordinha | June 27, 2005 5:35 PM
Quero almoçar contigo, um dia.
Beijo.
Posted by: Claudia Schroeder | June 27, 2005 7:10 PM