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em 2032 as pessoas ainda amam máquinas e desprezam limites geográficos através da rede

graças ao excelente fornecedor de DVDs piratas do oliveira, colega de agência do fabricio, ontem à noite assistimos ghost in the shell 2: innocence.

como eu não poderia deixar de lembrar, ghost in the shell tem um lugar especial dentro do meu coração. foi o primeiro presente que ganhei do fabricio e foi um presente em formato DVD entregue pela submarino que chegou numa época em que eu nada mais tinha além de cibercultura dentro de mim. naquela época eu estava lendo life on the screen e culturas e artes do pós-moderno da santaella que naquele oitavo capítulo despejava tópicos sobre o corpo biocibernético e o advento do pós-humano. eu chorava vendo ghost in the shell e eu queria ser a major com todos os seus colapsos emocionais a procura de sua identidade humana. naquela época eu fiz do filme o incentivo para as horas de pesquisa e estudo para a minha monografia, e onde havia dúvidas, eu levava cultura e assim eu enxergava a sábia motoko sempre diante de mim (acho que pra mim ela nunca foi mera ficção).

quando o fabricio ligou ontem de manhã, todo alvoroçado, com aquela brincadeira de "adivinha o que eu tenho na minha frente", eu jamais poderia imaginar a minha reação. o oliveira nos havia emprestado o ghost in the shell 2 e tudo o que eu conseguia pensar durante o resto do dia em casa era: eu não estou preparada pra isso.

minha mente remoía fatos. eu escolhi não me inscrever no mestrado da USP em novembro, eu tento não pensar no meu desejo de um futuro acadêmico, eu não consigo reler minha monografia e eu morro de medo de confessar (pra mim mesma) que quero passar pela árdua seleção para o pós da "universidade de são paulo" de 2006 (o em aspas deveria estar em CAPS).

só que o "eu não estou preparada pra isso" tinha seus fatos em desmentira. na segunda feira eu havia ligado para a ECA questionando a lista da bibliografia da prova de seleção e sim, eu havia comprado dois livros dos quais um, culturas híbridas do canclini (em promoção no submarino) chegara ontem à tarde.

então ontem por volta das nove da noite, com o home theater desligado (afinal de contas DVD pirata não é o paraíso), eu lutava contra o cookies sentado na minha frente para conseguir ler a primeira citação do filme, por mathias villiers em tomorrow's eve:

if our gods and our hopes are nothing but scientific phenomena, then let us admit it must be said that our love is scientific as well.

innocence é uma sequência digna como julgou o fabricio apesar do diretor mamoru oshii não o julgar assim, uma continuação. ele é doído e terno e eu simplesmente amo ver como o batou sente falta da major da mesma forma que a transforma em seu anjo da guarda oculto. o basset hound que leva o nome de gabriel é uma réplica perfeita do cookies em outra pelagem e como oshii mesmo descreveu, humans can be free only if they free themselves from their body. when we are playing around with our dogs, we forget that we are human beings and it's only then that we feel free.

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Comments

Innocence is a slower, quieter, more introspective piece, and I think it's full of merit! There is a great review of the movie here: Midnight Eye

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