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gold in the air of summer

muitos mas talvez não tão longos dias distante da civilização (que neste caso chamarei de internet) me fizeram contemplar a ausência daquilo que a mim já não era mais tão presente. extensas linhas nos fazem companhia, e a mim agora, tornam-se mais do que um pretexto para o retorno do capricho em bloggar.

foram dezesseis dias de litoral entre BR-101, itapoá e farol de santa marta. foram mais algumas outras unidades de dias entre a velha porto alegre e a floresta encantada na são jerônimo dos pais do fabricio. foram também mais de 1500 páginas lidas neste período de nômade moderna, e lembro até que ao me ver empilhando livros no meio da livraria cultura em porto alegre, o fabricio tentou expressar um "calma lá", atitude esta que se desmoronou sozinha ao que ele percebeu durante a viagem, com que velocidade eu devorana não as páginas, mas sim os livros: "assim tu vais ficar sem mais livros pra ler e tudo que restará serão meus livros de terror". dos cinco livros carregados na bagagem somente um ficou pela metade: as consolações da filosofia de alain de botton (muito áspero para tardes ensolaradas quando se está cercada por três praias distintas tendo como cúmplice um farol de mais de 125 anos). o dom de gabriel de hanif kureishi, sex and the city de candace bushnell, o código da vinci de dan brown e maya de jostein gaarder. de tantas misturas literárias ainda não me sai da cabeça a comparação sem nexos que minha imaginação tratou em fazer com o banco de custódia de zurique (de o código da vinci) com o hotel di (descrito por william gibson em idoru).

o natal trouxe surpresas em presentes tanto pra mim quanto imagino que para o fabricio, mas ainda vale ressaltar que possivelmente o mais inesquecível deles tenha sido observar incontáveis vezes o corre-corre das patinhas do cookies sobre diversas formas verdes que cobrem a floresta encantada guardada tão bem pelos pais do super pai do cookies. meu pequeno peludo de quatro patas nunca pegou tanto pega-pega na vida, também nunca passou tantas horas dentro de um carro e nunca vomitou tanto sem nem sequer ter comida na pança: o cookies foi nitidamente um inigualável companheiro de férias, e por dez malcriações que ele aprontar este ano, ele estará perdoado - sim, seu bom comportamento saldou dívidas e abriu créditos.

eu e o fabricio passamos o natal separados, mas antes mesmo que voltássemos a nos reencontrar para o ano-novo, notei que minha pessoa ganhara um novo apelido. nanica tornou-se tão constante nestas férias que não precisei julgar motivos de sua escolha em detrimento ao que parece ser tão claro ao observarmos minha pessoa - corpo físico meramente atrofiado.

a nanica de fabricio então chorou alguns momentos e reteve as lágrimas em tantos outros. senti saudades de casa e confesso que em muitas vezes me questionei onde é que se constituía minha casa. a cama macia e o travesseiro de ganço que me pertence reside em são paulo e depois de nove horas e meia de viagem de retorno, foi aquele com quem moro que ligou e pediu a pizza que minha larica de mentira tanto desejava, e depois disso, não foi preciso mais muita coisa para responder qualquer dúvida que em momentos sensíveis eu induzi.

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