« December 2004 |
Main
| February 2005 »
a história do dia em que conheci o olivier poderia ser contada a partir de três ângulos diferentes, mas é certamente o pior e mais trágico deles que optarei em narrar.
acordando ontem, num domingo sem chuva, fabricio teve mais uma vez a meiguíssima idéia de tomarmos café da manhã no anquier. temendo a possibilidade de encontrarmos o lugar lotado, fabricio e eu optamos em deixar o cookies em casa, seguindo a pé as três quadras que nos levam ao edifício paquita onde encontra-se o restaurante.
a temerosa possibilidade do lugar estar lotado foi real, mas a espera de mais de meia hora foi saudada com sorrisos largos por todos os clientes visto que quem estava a os receber era o próprio olivier.
e foi assim que começou, num dos sofás do andar superior.
eu: quero tirar uma foto com ele.
fabris: "silêncio"
eu: tu sabes que eu não sou assim de tirar foto com famosos, mas ele..., eu realmente gosto dele.
fabris: "deu um sorriso de canto"
minutos depois, sentados numa das mesinhas do lado de fora, debaixo de um guarda-sol, eu e o fabricio tomávamos café da manhã tendo como companhia uma garotinha de oito meses com sua babá (sim, pra minha surpresa a menininha mal sequer olhava pra mim e caía em sorrisos ao olhar o fabris a cada voltinha do carrinho de bebê). quando o café finalmente terminou e a conta foi pedida, foi a minha vez de retomar o assunto.
eu: tu tira uma foto minha com ele?
fabris: "olhar de quem não sabe o que dizer"
eu: é tão ruim assim?
fabris: "olhar de quem ainda não sabe como dizer o que acha"
eu: é tão vergonhoso assim? até o casal japonês tirou foto com ele! eu só quero uma foto, não vou perguntar se ele prefere são paulo ao rio de janeiro como aquelas senhoras ali.
fabris: eu me sinto mal assim, te reprimindo, eu não quero te reprimir.
eu - levantando da mesa - vamos embora então.
fabris: e a foto?
eu: vamos ali que a gente consegue ver ele pra ver se dá.
da porta eu pude observar que o olivier estava sentadinho na mesa de dois lugares de um senhor de idade conversando e, pensando mais uma vez que aquela era a minha chance, a minha querida chance de tirar uma foto com ele, resolvi não desperdiçar.
abri a porta, me aproximei da mesa e pedi licença.
eu: será que tu te importarias em tirar uma foto comigo?
olivier: mas é pra já.
caído na terna vergonha dos humanos (afinal de contas eu o havia colocado naquela patética situação) o fabricio abriu o sorriso (que tendenciava gargalhada) por trás da camera e tirou nossa foto. uma, duas, opa! fabricio me cutuca! - olivier estava me estendendo a mão. cumprimentos finalizados e acertando em cheio que éramos de porto alegre, nos despedimos do olivier e seguimos o caminho de volta para casa atravessando a praça buenos aires.
eu: e aí, foi ruim?
fabris: não, não.. foi legal, eu gostei que tu fizestes o que tinha vontade, que tu fizestes o que eu não tenho coragem de fazer.
eu: agora só preciso encontrar o josé serra e o geraldo alckmin e tirar uma foto com eles. vou ficar tão feliz!
fabris: "sorriu"
chegando em casa ligamos para o gio uma vez que era aniversário dele e o fabricio passou o resto do dia no PC jogando world of warcraft enquanto eu, impossibilitada de baixar minha foto com o olivier, gastei as horas levando o cookies pra passear, passando na locadora e lendo jornal na cama.
pouco antes de irmos dormir resolvi aproveitar a chance e plugar a camera para ver o resultado das capturas do fabricio que, naquele momento, preparava um nescau pra gente na cozinha.
eu: fabricio! como tu me deixa sair na foto assim?
fabris: assim como?
eu: EU SAÍ TODA DE OMBROS CAÍDOS!
fabris: viu? tu não ouve o que eu e tua mãe sempre dizemos, que é pra ti levantar os ombros.
eu: mas nosso acordo era que tu irias controlá-los o tempo todo, por isso que tu sempre tens que ficar me mandando levantá-los.
fabris: mas eu faço isso, só que não percebi naquela hora.
eu: não, acho que tu te acostumou com os ombros caídos pq eu sei que estou sempre com os ombros caídos e já faz tempo que tu não me mandas levantar.
fabris: isso não é verdade, e não tem mais nescau pra ti.
eu: então vou dormir.
fabris: viu como foi bom a gente ter tirado essa foto? foi preciso tu tirar uma foto com o olivier pra perceber que precisa cuidar dos teus ombros.
eu: ahã, num tem mais como eu me esquecer disso.

muitos anos antes de eu descobrir que o fabricio existia ele já tinha um amigo com o apelido de anão que trabalhava com ele numa agência em porto alegre. muitos anos antes de eu imaginar que namoraria o fabricio ele foi padrinho de casamento do anão com a ana, também publicitária e filha do inventor da urna eletrônica.
ontem foi aniversário do anão, e não foi exatamente onde a história começou, mas talvez, onde ela atingiu seu meio.
eu não sei exatamente há quantos anos o anão e a ana estão casados, mas sei que já há algum tempo a ana desejava fabricar um anãozinho. quando este desejo da ana começou a surtir na cabeça do anão, ele correu o quanto pôde e resolveu por bem dar um cachorro de presente à ana para ver se assim, ela interrompia o desejo da abertura da fábrica. disso apareceu a olga na história, uma buldogue que assim como o cookies, destruiu o sofá do apartamento deles.
quase um ano depois de ter ganho a olga, a ana ganhou o presente de ouro ao ser escolhida madrinha do bernardo, segundo filho de um outro casal de amigos. no aniversário do irmão do afilhado, me recordo bem que ao ver a ana segurando o bebê, ouvi a mãe dela dizer que "não era mais do que uma boa prática para o futuro". se você enxergava o anão naquela hora, ele ainda nem queria ouvir sobre o assunto fábrica própria de produzir bebês.
nunca foi de desconhecimento de ninguém que o anão não gostava de levar a sério a possibilidade de ter filhos. para ele, ao menos não pelos próximos quatro ou cinco anos, mas para a ana, cada dia parecia mais um dia longe de um anãozinho ao colo (pra se ter uma idéia do tamanho desejo que a ana tinha em fabricar um bebê, quando o the Sims 2 foi lançado, ela, como toda boa viciada em the Sims, comprou o jogo e montou uma família: mulher com as características dela + homem com características do anão. o resultado como ela mesma sempre se orgulhou de contar era um garotinho a cara do pai).
então assim, ontem, do nada, ao nos contar sobre as cabeças rolando dentro da agência onde trabalha, o anão confessou que sua única preocupação atual era "sua mulher e o anãozinho".
milhares de interrogações surgiram em minha mente e tudo que consegui colocar pra fora foi que estava estranhando a pessoa dele. "anãozinho?? tu não pensavas assim quando te conheci".
pois agora ele pensa.
anão nos contou que no final do ano passado ele conseguiu ser carregado pela ana para uma rave (o anão assim como eu odeia raves e odeia sair na hora que se devia estar dormindo, e sim, a ana assim como o fabricio adora um programa diferente que dure horas e te faça dançar por mais tempo que suas pernas suportem). anão contou que só a fila da rave durou três horas e, entrando às sete da manhã, por volta das dez horas ele e a ana já estavam bêbados. quando era algo tipo dez e meia, atiçada pelo teor alcoólico, a ana começou a falar em ter filhos. anão, também atiçado pelo teor alcoólico, concordou em ter filhos.
anão nos contando: "eu precisava trabalhar ao meio dia e toda aquela felicidade dela ali, sabe? por mim eu ficava até as cinco da tarde naquela rave com ela, mas precisava ir. então quando eu fui e me dei por conta, decidi comprar a idéia. é, um anãozinho."
a primeira tentativa parece que já foi feita, mas o resultado não foi o esperado. anão nos contou que devido a isso: "o projeto agora é abril, pois assim anãozinho vem em janeiro".

trocar de hosting service é SEMPRE uma gigantesca dor de cabeça pra mim. antigamente o trampo era despotencializado visto que o único domínio controlado era o meu, agora tudo se eleva a sexta potência e se eu já havia terminado a semana passada com aquela mísera quantidade de neurônios restantes no cérebro, passado o feriado prolongado no fervor de submeter tickets de suporte, meu cérebro só soube afugentar o que me sobrava de axônios ativos.
sim, o apartamento parecia playground de prédio de família no sábado à tarde. aquele grupo de meninos barulhentos, sorridentes e com mais tranqueira pra falar do que todas as baboseiras imaginadas por meninas provavelmente se chapou mais do que jogou videogame enquanto eu ao lado, assistia de-lovely e closer num super shopping lotado - típico ambiente em são paulo.
no domingo, aproveitando as horas sem chuva (contadas nos dedos), fabricio teve essa meiguíssima idéia de tomarmos café da manhã no anquier. mesinha ao lado de fora, calçada ao lado da praça buenos aires e pratinhos quadrados que eu gosto tanto.

barriga mais do que estufada (dez trilhões de pãezinhos diferentes ingeridos), a única coisa que faltou lá certamente foi o cookies, e só descobrimos ao sair que no poste da frente havia prendedores para cachorros. horas depois o cookies ganhou passeio até a vilaboim e sim, ele fez xixi novamente na locadora, mas isto eu não contei ao fabricio.
ps.: o segundo sobrinho do fabris nasceu esta manhã. henrique chegou ao mundo medindo 51 centímetros e pesando três quilos e 700.
uma das grandes preocupações de carmela (versão fútil) durante as férias era perder algum episódio de seus enlatadinhos prediletos produzidos pela tv americana.
uma vez que meus enlatadinhos sempre chegam via torrents baixados, três semanas longe de um computador causaria diminuição de seeds ocasionando download rates baixíssimos, em outras palavras, eu levaria no mínimo, quatro ou cinco vezes mais tempo para baixar um episódio além do normal.
pra minha felicidade, muitos enlatadinhos continuaram em férias exceto the oc que havia retornado alguns dias antes. pra minha infelicidade, minhas duas fontes de torrents haviam se extinguido da web.
eu costumo dizer que não há nada que a web não saiba responder, mas às vezes o oráculo pena pra te agradar. enquanto isso, algumas pessoas dizem que se tu sabes como procurar, tu encontras tudo o que precisas, sim, utilizando google.
tendo encontrado quatro novas fontes de torrents, essencialmente para enlatados, todas as minhas preocupações (sim, ainda a carmela fútil escrevendo) desapareceram.
modest mouse tocou em the oc na semana retrasada, sandy cohen na passada e the thrills ontem à noite. sim, everwood também retornou do recesso, mas nada ultimamente se compara ao drama cômico de quem na vida real, também gosta de death cab for cutie (sim, eu estou falando de adam brody).
ps.: em comemoração, não ao aniversário de são paulo mas sim ao seu mais recente e bem instalado brinquedo - o home theater, fabricio receberá amigos para diversão em jogos no play2 neste feriado prolongado. eu, por opção própria, estarei fora assistindo closer uma vez que mike nichols me ganhou de quatro em formato idolatria quando dias atrás, finalmente assisti angels in america (sim, com o home theater ligado apesar de quatro das caixas estarem apoiadas em móveis da sala).
o apartamento está cheio de brinquedos novos apesar dos contra-tempos que andávamos tendo. claro que vale lembrar que possivelmente um dos brinquedos só chegou a marcar presença em casa em função da frustração perante outro - explico: da família toninelo o fabricio ganhou o world of warcraft da blizzard e desde o dia em que ele abriu a caixinha do jogo, o fabricio se postou a ler todo o manual, digo - TODO. quando finalmente ele terminou a leitura, ele entrou na fase da ansiedade para jogar. isto aconteceu quando ainda estávamos no farol, e tomada pela ansiedade dele, impulsionei um retorno mais breve para são paulo: um dia antes da data programanda.
assim, quinta feira passada, quando quase tudo estava em ordem no apartamento, o fabricio sentou em frente ao meu pc para a instalação do jogo:
crepe 01: falha ao instalar directX 9.0c
crepe 02: brasil não encontrava-se na lista dos paises onde o game se fazia disponível para jogar (sim, ele roda online)
crepe 03: falha ao final da instalação do world of warcraft devido ao crepe número um.
(adendo: como descobrimos posteriormente, crepe um e crepe três ocorriam devido a minha versão pirateada de sistema, sistema este que por ser pirata, não consegue fazer updates)
com isto tendo acontecido, no sábado fizemos uma maratona pelos pocalias da paulista. aquisição de novos jogos para playstation2 e me deixando em casa para fazer o almoço, o fabricio seguiu para o shopping de onde voltou acompanhado por duas coisas distintas: um vendedor e uma caixa. fabricio tinha então adquirido um home theater para casa.
na segunda, vieram os pilares para quatro caixas de som do home theater que eu mais do que prontamente me pus a montar e instalar. já na terça, chegou meu brinquedo novo via submarino que é algo assim MUITO melhor que o serviço prestado pela somlivre. minha tablet graphire3 da wacom levou cerca de três horas para ser instalada mas é tão fantástica (além de útil, é claro) que já se tornou a melhor companhia para meu baby qee (presente da gordinha) e meu dunny little ink desenhado pelo david horvath (presente de natal do gio).

na quarta feira, assumindo a ansiedade pelo término das intalações do home theater e da vontade de jogar world of warcraft, o fabricio largou mão da academia pós segundo turno de trabalho e voltou pra casa mais cedo com vinte e cinco metros de fio para reinstalar as duas caixas de som que ficam ao lado do sofá. enquanto ele se tornava um homem rude com luvas, pistola de cola quente, escada e suor escorrendo ao cumprir o contorno da porta gigantesca da sacada, eu tratava de trocar o windows XP product activation key code. passado o medo de dar um mega crepe na máquina e eu perder absolutamente tudo, o key code foi trocado por um original (estranhamente pirateado também) possibilitando assim, a intalação do service pack 2. por volta da meia noite o fabricio descobriu que precisaria de mais fio para a segunda caixa de som, e abandonando o homem rude de horas antes, se juntou a mim para finalizamos a instalação do world of warcraft. mentimos que éramos da américa do norte e naug foi criado: um anão paladino com cabelos e barbas brancas.

muitos mas talvez não tão longos dias distante da civilização (que neste caso chamarei de internet) me fizeram contemplar a ausência daquilo que a mim já não era mais tão presente. extensas linhas nos fazem companhia, e a mim agora, tornam-se mais do que um pretexto para o retorno do capricho em bloggar.
foram dezesseis dias de litoral entre BR-101, itapoá e farol de santa marta. foram mais algumas outras unidades de dias entre a velha porto alegre e a floresta encantada na são jerônimo dos pais do fabricio. foram também mais de 1500 páginas lidas neste período de nômade moderna, e lembro até que ao me ver empilhando livros no meio da livraria cultura em porto alegre, o fabricio tentou expressar um "calma lá", atitude esta que se desmoronou sozinha ao que ele percebeu durante a viagem, com que velocidade eu devorana não as páginas, mas sim os livros: "assim tu vais ficar sem mais livros pra ler e tudo que restará serão meus livros de terror". dos cinco livros carregados na bagagem somente um ficou pela metade: as consolações da filosofia de alain de botton (muito áspero para tardes ensolaradas quando se está cercada por três praias distintas tendo como cúmplice um farol de mais de 125 anos). o dom de gabriel de hanif kureishi, sex and the city de candace bushnell, o código da vinci de dan brown e maya de jostein gaarder. de tantas misturas literárias ainda não me sai da cabeça a comparação sem nexos que minha imaginação tratou em fazer com o banco de custódia de zurique (de o código da vinci) com o hotel di (descrito por william gibson em idoru).
o natal trouxe surpresas em presentes tanto pra mim quanto imagino que para o fabricio, mas ainda vale ressaltar que possivelmente o mais inesquecível deles tenha sido observar incontáveis vezes o corre-corre das patinhas do cookies sobre diversas formas verdes que cobrem a floresta encantada guardada tão bem pelos pais do super pai do cookies. meu pequeno peludo de quatro patas nunca pegou tanto pega-pega na vida, também nunca passou tantas horas dentro de um carro e nunca vomitou tanto sem nem sequer ter comida na pança: o cookies foi nitidamente um inigualável companheiro de férias, e por dez malcriações que ele aprontar este ano, ele estará perdoado - sim, seu bom comportamento saldou dívidas e abriu créditos.
eu e o fabricio passamos o natal separados, mas antes mesmo que voltássemos a nos reencontrar para o ano-novo, notei que minha pessoa ganhara um novo apelido. nanica tornou-se tão constante nestas férias que não precisei julgar motivos de sua escolha em detrimento ao que parece ser tão claro ao observarmos minha pessoa - corpo físico meramente atrofiado.
a nanica de fabricio então chorou alguns momentos e reteve as lágrimas em tantos outros. senti saudades de casa e confesso que em muitas vezes me questionei onde é que se constituía minha casa. a cama macia e o travesseiro de ganço que me pertence reside em são paulo e depois de nove horas e meia de viagem de retorno, foi aquele com quem moro que ligou e pediu a pizza que minha larica de mentira tanto desejava, e depois disso, não foi preciso mais muita coisa para responder qualquer dúvida que em momentos sensíveis eu induzi.
|
|